Dilma está sendo chantageada

Carlos Chagas

“Volta Lula” ou “Muda Dilma”? No governo, cresce a impressão de que a recente campanha infiltrada na imprensa, com ramificações nos partidos, em especial o PT, e em parte do empresariado, nada mais é do que uma cortina de fumaça para obrigar a presidente Dilma a ceder às suas pressões e imposições. Imagina-se como mero artifício a movimentação dos que insistem na troca da sucessora pelo antecessor, já para as eleições de outubro. Em primeiro lugar, porque o Lula repete dia sim, outro também, não admitir ser candidato no lugar de Dilma. Depois, porque as pesquisas do fim de semana confirmam a evidência da reeleição. Assim como torna-se clara a chantagem dos políticos atrás de mais ministérios e dos empresários ávidos de favores e benesses para seus empreendimentos.

Não seria para valer a blitz desenvolvida de algumas semanas para cá, através do “volta Lula”. A operação visaria, no fundo, promover o “muda Dilma”, levando a presidente a maiores concessões aos partidos, na reforma do ministério, como mais neoliberalismo em sua política econômica.

Por isso ameaçam com a sombra da candidatura do primeiro-companheiro, em manobra já detectada no palácio do Planalto. Se verdadeira essa versão, pouca importância será dada à movimentação em curso, acrescendo-se mais um argumento: não existem adversários pelo menos até agora capazes de impedir a conquista do segundo mandato. As consultas eleitorais repetem os baixos níveis de preferência para Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva. Joaquim Barbosa poderia assustar, mas não muito. Ele nega a hipótese de concorrer e carece de base partidária.

Tudo indica, por essas razões, que o ministério não será mais loteado do que já se encontra, assim como o regime de concessões de patrimônio público não avançará além do estágio atual.

Quanto ao que virá depois da reeleição, é outra história. Dilma poderá compor a equipe dos seus sonhos, livrando-se do fisiologismo dos partidos de sua base, bem como desenvolver na economia uma estratégia menos neoliberal que a ansiada pelo andar de cima.

DESFECHO INEXPLICÁVEL

A Polícia Militar de São Paulo comemora a intervenção da noite do último sábado, quando conseguiu limitar a ação de manifestantes e de baderneiros, levando 262 deles para a delegacia. Depredações aconteceram, mas contidas em limites razoáveis. O diabo é que festejando nova etapa no convívio com os protestos, sem truculências anteriores, a PM paulista escorregou no final. Soltou todos, tanto os que se movimentavam pacificamente quanto os vândalos responsáveis por atingir patrimônio público e privado. Não era para estes continuarem enjaulados e processados?

4 thoughts on “Dilma está sendo chantageada

  1. A manifestação pública, em massa, nas ruas, de grande fôlego, que vale a pena perdermos tempo com Ela, na qual irei alegremente e feliz da vida, se vivo ainda estiver, e se Deus me permitir, é aquela que é pacífica e em torno de um Megaprojeto Novo e Alternativo de Nação e de Política-partidária-eleitoral, que implique em mudanças de verdade, palpáveis, visíveis à luz do sol, que vem para complementar os esforços até hoje empreendidos principalmente pelo PSDB e pelo PT, e que nos possibilite avançar mais, muito mais, e, se possível, fazer o Brasil dar O Pulo de Leão adiante dos EUA e da própria Europa-mãe ( e é por medo disso que Tio Sam nos espiona e tenta desestabilizar a América do Sul ), tendo como foco o IDH número 1 (um) do mundo, como nos propõe o HoMeM do Mapa da Mina do bem comum do povo brasileiro, com a RPL-PNBC-ME, o Novo Caminho para o Novo Brasil de Verdade, porque evoluir é preciso, baseados na paz, amor, perdão, conciliação, solidariedade, união e mobilização pela Mega-Solução. É nessa que eu vou. O resto é pequenez partidaria-eleitoral ou golpista-ditatorial, e oportunismo despudorado, que não valem mais a pena a está altura do campeonato da vida no Planeta Terra. Tenho dito. Me desculpe a franqueza, e possível ferimento à sua idiossincrasia, mas é isso que se passa na minha cabeça e no meu coração. No mais, ouça os ex-jovens da Banda K2 (não sei se ainda existe), e veja o quanto estamos atrasados nas Mudanças.

    “Vamos refletir, pra revolucionar.
    Mostrar que o amanhã não é distante pra ver tudo mudar

    Não falo isso da boca pra fora
    Não falo isso por intuição
    Mas eu preciso te passar essa mensagem
    Porque uma voz está gritando no meu coração
    Abolindo todo preconceito
    Nos libertaremos dessa escravidão
    E, nem que leve mais de um milênio,
    Vou mostrar que pobre, remediado e rico são irmãos

    Vamos refletir, pra revolucionar.
    Mostrar que o amanhã não é distante pra ver tudo mudar

    Não falo isso da boca pra fora
    Não falo isso por intuição
    Que tal você dar uma volta no seu bairro
    Mas se for rico é só ligar sua televisão
    Vai se ligar na tal da violência
    Que por enquanto é uma parada sem solução
    Vai ver que tudo é pura demência
    O governo é para elite e não para o povão

    Vamos refletir, pra revolucionar.
    Mostrar que o amanhã não é distante pra ver tudo mudar (2x)

    Não falo isso da boca pra fora
    Não falo isso por intuição
    Nada nesse país mudou até agora
    Eu acho que só vai mudar com a Revolução
    Essa vontade de mudar o mundo
    Vai ter que começar pelo meu coração
    Se cada um tivesse essa consciência
    O Brasil seria para todo cidadão “

  2. Reproduzo aqui, do blog http://terragoyazes.zip.net, excelente artigo analisando como Dilma traiu a classe trabalhadora:

    O Verde da Política violentou o Muro dos Gerentes

    Peço licença ao escritor Ignacio de Loyola Brandão para fazer uma paráfrase de sua grande obra: O Verde violentou o Muro. Tudo a ver com a onda de manifestações que tomam conta das grandes cidades brasileiras. O que está acontecendo? me pergunta aflito um amigo, velho militante do PT e apoiador do governo Dilma. O que esse povo quer, se a situação macroeconômica do país, agora, está muito melhor do que esteve no governo dos tucanos? Concordo com ele. A situação geral do país, hoje, é bem melhor do que no período ruinoso dos governos de Fernando Henrique. Mas há algo mais, respondo ao amigo petista. Há uma insatisfação difusa no ar. Mas o povo não está feliz com o governo, conforme atestam as pesquisas? Estava. Nos 08 anos de governo Lula, o povo, de uma forma geral, se encontrou com sua auto-estima perdida. Lula, como o grande estadista intuitivo que é, sabia sinalizar para as multidões aonde o país estava indo. Balizava um caminho, o trabalhava com a ajuda de ícones simples, porém fortes, sinais inequívocos de uma brasilidade há quase esquecida, e arrastava a multidão atrás de si. Esse é o comandante inato, que aponta um caminho no meio da tormenta e toda a tripulação o segue, resoluta. Feita a troca de governo, o povo descobre em Dilma Roussef uma comandante tíbia, hesitante e, pior, disposta a compor com inimigos que, até há pouco, fustigavam sua embarcação. Os atos de Dilma, fritando ovo na Rede Globo e almoçando com os Frias na Folha de São Paulo, passaram uma mensagem subliminar de rendição a um inimigo que até ali lhe dava um combate feroz.
    E isso foi só o começo. Ao sentir o gosto de sangue, a matilha da mídia partidarizada e golpista avançou sobre o governo Dilma de uma forma audaciosa e destemida. Acusações, sem provas, derrubaram vários ministros que, sem nenhuma defesa por parte de Dilma, foram sendo demitidos um a um. Pronto. A mídia golpista e a oposição sem votos haviam conseguido estabelecer uma cunha no governo Dilma, mantendo-a encurralada e nas cordas. Dilma, presidente de um governo petista e de esquerda havia beijado a cruz. Dilma, há pouco eleita com 55% dos votos do país, de forma inexorável havia incorporado a pauta nefasta da direita e da mídia golpistas. Se dúvidas haviam, o abandono do Marco Regulatório da Mídia, proposto por Franklin Martins, as dissipou completamente.
    Um exemplo cristalino dessa guinada à direita foi o tratamento dado pelo governo às pautas reivindicatórias do movimento sindical e, de forma emblemática, dos servidores públicos. Acostumado a um diálogo respeitoso durante os governos Lula, os sindicatos se surpreenderam com a arrogância e a dureza de Dilma no processo de negociação. Quando a negociação era com as interlocutoras do governo, os sindicalistas descobriram que as ministras Miriam Belchior, Ideli Salvati e Gleisi Hofmann eram mais duras e inflexíveis que a própria presidente. Ouvi, à época, de mais de um militante do movimento sindical: mas esse é o nosso governo? Esse é o mesmo governo que nós elegemos e que daria continuidade ao governo Lula? Além de bater, de forma dura e desrespeitosa, em todo o movimento sindical durante o processo de negociação, Dilma fez, no serviço público, uma inflexão pendular inversa ao que Lula fizera: ao invés de continuar reconstruindo o serviço público e reforçar o poder decisório do Estado na eterna briga com as elites predatórias, Dilma se rendeu à chantagem midiática e empresarial. Estupefação e desencanto foram as reações dos sindicalistas e servidores públicos: ontem, tratados por Lula como parceiros no processo de reconstrução do Estado, dilapidado pelo tucanato; hoje, tratados por Dilma como adversários e inimigos.
    O que aconteceu? perguntava-se à época. Dilma havia sucumbido à síndrome de Estocolmo, aquela em que a vítima se apaixona pelo algoz e introjeta em si todos os valores que até então combatia? Ou Dilma havia se rendido à realpolitik e se convencido que governar com as elites e a mídia era menos custoso e menos desgastante? O fato é que Dilma, refugiada num discurso técnico e gerencial, beijara a cruz do Deus-mercado, passando a repudiar a ação política, como se isso fosse possível no cargo de presidente da República. Para não deixar dúvidas quanto aos novos aliados do governo, Dilma completara a inflexão iniciada lá atrás, quando resolveu afrontar sindicalistas e servidores públicos: passou a conceder gordas e generosas desonerações a setores empresariais variados, os mesmos que até há pouco, mordiam-lhe os calcanhares; os mesmos que sempre bradaram pelo Estado mínimo.
    Agora, com a voz rouca da ruas chegando até os salões do Planalto, Dilma deve estar se perguntando: o que deu errado? Esse movimento do Passe Livre, já vitorioso em seu embate principal de redução das tarifas, pode dar-se por satisfeito e se desmobilizar. Ou pode também, financiado e orquestrado pelos novos aliados de Dilma (elite empresarial e mídia parcial e golpista, com uma mãozinha da CIA, é claro) partir pra cima do governo Dilma e exigir-lhe, com acusações difusas, o impeachment. Tardiamente, Dilma descobrirá que errou. E descobrirá também que não é Lula, já que seus interlocutores escolhidos são outros.
    Uma voz sensata no governo pode lançar o pedido de socorro aos únicos segmentos que podem salvá-la, se a sanha e a escalada golpistas continuarem: os movimentos sociais, os sindicatos, as centrais sindicais e os servidores públicos. Trágica ironia. Nessa hora, seguramente, ouviremos de sindicalistas e servidores públicos o desabafo: é, dona Dilma, nada como um dia após o outro, com uma noite no meio…e correrão a salvá-la, ainda que a contragosto. Pois, sindicalistas e servidores públicos, sabem bem pra que lado a banda toca. E quem são, de fato, aliados e inimigos.
    Salvarão Dilma mas apresentarão a fatura ao PT e à Base Aliada: Em 2014, com Dilma, não dá!

    Alberto Bilac de Freitas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *