No mês passado, Dilma mandou punir mais de 100 militares, mas não foi obedecida. E hoje é o dia 31 de Março…

Carlos Newton

Conforme publicamos aqui, está causando insatisfação nas Forças Armadas a decisão de proibir a comemoração dos 50 anos da Revolução de 1964, determinada pela presidente Dilma Rousseff ao ministro da Defesa Celso Amorim. Em suas ordens-do-dia, os comandantes militares estão impedidos de exaltar hoje as realizações dos governos militares no período de 1964 a 1985. Somente as três entidades que congregam oficiais da reserva e da ativa (Clube Militar, Clube Naval e Clube da Aeronáutica) poderão fazê-lo, por se tratar de instituições civis.

Desde o início do governo Lula, a passagem do 31 de março é lembrada discretamente nas respectivas ordens-do-dia dos comandantes militares. Desta vez, porém, a data marca os 50 anos do golpe, que não foi somente militar, pois teve o entusiástico apoio de importantes figuras da política e do empresariado, que desde sempre participaram da trama.

Este ano, os militares esperavam que a presidente Dilma tivesse uma maior compreensão, mas ela se apressou em determinar a proibição, que terá de ser cumprida. Se houver desobediência, na condição de comandante-em-chefe das Forças Armadas, Dilma Rousseff poderá mandar punir os infratores, na forma da lei. Mas nada poderá fazer em relação aos clubes militares.

O assunto já vinha dominando os bastidores militares desde 19 de fevereiro, quando o jornal Estadão publicou um explosivo artigo do general (de Exército, quatro estrelas) da reserva Rômulo Bini Pereira, intitulado “Árvore Boa”, defendendo o direito de os militares celebrarem a “Revolução Democrática de 31 de março de 1964”.

Simultaneamente, começou a circular um manifesto assinado por oficiais da reserva e também por civis, se insurgindo contra o partidarismo da Comissão da Verdade e também contra as entrevistas de ministros a favor da revogação da Lei da Anistia, para punir os crimes dos militares durante a ditadura.

A PUNIÇÃO QUE NÃO HOUVE

A presidente Dilma ficou furiosa, convocou a palácio o ministro da Defesa, Celso Amorim, e ordenou que os comandantes militares punissem todos os militares que assinaram o manifesto (na época, mais de 100). O tempo foi passando, as assinaturas se multiplicando e não aconteceu nada, ninguém foi punido. Motivo: existe uma lei, do governo Sarney, que protege o direito dos militares da reserva se pronunciarem politicamente. Dilma Rousseff pensava que mandava neles, mas não manda.

Tudo isso demonstra que a presidente da República não tem jogo de cintura e é revanchista. Os militares a detestam, mas sabem que têm de aturá-la, hierarquicamente. Sua decisão de criar a Comissão da Verdade evidentemente desagradou as Forças Armadas, especialmente porque só investiga os crimes dos militares, deixando no esquecimento os crimes da luta armada, inclusive os atentados contra civis e os justiciamentos de militantes suspeitos de traição.

Os jornais não dão uma linha a respeito dessas movimentações de bastidores, embora tenham grande importância, não há dúvida. Na sexta-feira, os presidentes do Clube Militar, do Clube Naval e do Clube da Aeronáutica assinaram um documento intitulado “À Nação Brasileira: 31 de março”, prestando sua homenagem à “Gloriosa Revolução de 64″ e sua moção de repúdio à criação da Comissão Nacional da Verdade.

Hoje, 31 de março, haverá (?) silêncio nos quartéis. Mas nos clubes militares as fanfarras vão soar, com toda certeza.

17 thoughts on “No mês passado, Dilma mandou punir mais de 100 militares, mas não foi obedecida. E hoje é o dia 31 de Março…

  1. Estimado jornalista Carlos Newton, permita que registre algumas considerações ao assunto: 1. É razoável chamar de Revolução algo que se consumou após minucioso planejamento do Governo dos Estados Unidos com a participação ativa de militares e conivência do Parlamento brasileiro? (De fora pra dentro e de cima pra baixo); 2. O grande líder Leonel Brizola costumava dizer que esse golpismo foi sacramentado na madrugada de 1º de abril e não em 31 de março, os governos ditatoriais celebravam na véspera envergonhados da data verdadeira conectada com suas mentiras; 3. A Comissão da Verdade ficará em descrédito perante a história se continuar ignorando a denúncia de Tuma Júnior, referente ao eventual papel de informante atribuído ao ex-presidente Lula. Isto não é qualquer coisa.

  2. Os presidentes dos clubes militares são serviçais frustrados da ditadura imbecil e nojenta implantada no Brasil em abril de 1964. Os que os seguem são gorilas envelhecidos, que já deviam ter morrido. Ou cães hidrófobos que nada têm a ver com os componentes das forças armadas atuais.
    Dona Dilma está certíssima. Esses cães hidrófobos já deveriam ter sido sacrificados. Como não foram, precisam mesmo ser amordaçados, embora sua baba raivosa não possa atingir os cidadãos brasileiros de hoje.
    Revanchismo, ou não, a presidente Dilma Rousseff tem todo o direito de ser diferente e amordaçar esses canalhas recalcados sexuais não resolvidos, que até torturavam mulheres para sentirem o prazer que não conseguiam sentir com suas próprias esposas.
    Favor não confundir as frequências, pois sou militar da reserva, não me associo a nenhum dos três clubes supracitados, e mesmo que me associasse, estaria combatendo esses canalhas. Que todos morram!

  3. Então, pelo dito acima, o FHC e o Marco Aurelio Garcia correm pela mesma coudelaria para ferrar os incautos. O Stud Cebri, o da bandidagem que arruma a jogada e a maioria dos babacas torcem aqui. E que esse tal foro de São Paulo, que uns otários também aqui vivem a falar, está todo infiltrado e controlado de cima. Só resta apurar agora se o Marco Aurelio Garcia também serviu a ditadura na encolha, como O Lula e a Dilma, principalmente depois que ela foi presa, abriu o nome do Diniz Cabral Filho para a polícia prendê-lo defronte ao restaurante Salazar, Sampa, em dezembro de 1969, aí 40 anos depois mandou ferrá-lo na Comissão de Justiça do ministério da Justiça e, de lambuja, mandou e segue mandando o crápula do Paulo Abrão ferrar todas as vítimas da ditadura que não se comportaram como ela ou o Carlos Heitor Cony e semelhantes. Agora estou a entender a razão pela qual o Chaves preferiu prorrogar sua vida em Cuba, que em hospital aqui. É que descobriu a tempo que o Lula e a Dilma podiam mandar”despachá-lo” antes da hora. Captou até antes de morrer que as obras Refinaria Abreu e Lima ia ser uma comedeira tremenda entre empreiteiros e governantes aqui. Talvez por essa isso é que tirou o país dele da reta, ficou no “verba volant” e não assinou contrato definitivo para evitar custear superfaturamento. Vivendo e aprendendo.

  4. Origens do ódio. Como já comentado são a Comissão da Verdade , O PSDB , e os economistas amestrados. A Presidente está sob fogo pesado. Os militares golpistas culpam a Presidente por terem sido desmascarados pela comissão da verdade.O PSDB que perdeu o poder em São Paulo e quer a todo custo impedir a reeleição da Dilma, por que na próxima, o lula pode ser eleito completando 20 anos de poder do PT. Os economistas amestrados são invejosos e incompetentes. Quanto mais alardeiam o caos econômico mais a economia se consolida.Detestam a presidente porque ela não acredita neles. Usar as estatais como vetor de desenvolvimento e de controle da inflação para os amestrados foi demais, porque eles são liberais, não acreditam no Estado incentivador do progresso. Para estes amestrados dinheiro bom é dinheiro aplicado para receber juros. Estou com a Presidente Dilma contra este triunvirato do atraso.

  5. Já que os Clubes militares querem comemorar a “revolução de 64”, deveriam
    convidar todos os participantes do golpe: As elites, a CIA, os grandes empresários,
    os latifundiários, Paulo Maluf, Padre Peyton, o Cabo Anselmo, a Rede Globo, a ala mais retrógrada da Igreja Católica e as multinacionais, que foram beneficiadas com a revogação da lei de remessa de lucros (Primeiro ato do Gal. Castelo Branco) numa grande confraternização,

    • Também o Lula, que no finalzinho de seu governo acionou sua Advocacia Geral da União para proteger os torturadores arrancando uma decisãodo STF, e a Dilma por mandar seu pau mandado na Comissão de Anistia Paulo Abrão prejudicar flagrantemente quem foi punido e sofreu durante a ditadura. Para o conhecimento de todos, os milicos foram autênticos na repressão aos resistentes, enquanto esse pulhas Lula e Dilma se posam de lutadores sociais e esfaqueiam pelas costas as vítimas da ditadura militar. Vocês nem imaginam o que eles mandam fazer.

  6. A Lei de Anistia (Lei 10.559/2002), no tocante à vítimas, vem sendo interpretada restritivamente pela Comissão de Anistia do ministério da Justiça desde a posse do Lula e de seu ministro Márcio Thomaz Bastos. Começou pelo sucateamento e substituição de pessoal efetivo por alguns terceirizados, depois a ordem foi para protelar ao máximo processos e deferir parcialmente os processos daquelas vítimas notórias e que não estavam inseridas no contexto da traição e picaretagem do PT. Finalmente, com a era Tarso Genro e a ascenção do Paulo Abrão, a situação piorou para os que se recusam a morrer. Pouco ou nada recebem. Em geral 2 ou 3 salários mínimos, mesmo que sejam servidores federais demitidos pela ditadura, decisões de anos atrás NUNCA CORRIGIDAS MONETARIAMENTE, para que as vítimas apelem para o judiciário, também cúmplice, e morram antes de obterem a correção. Então, está aí a prova que a anistia só serviu para os torturadores nunca serem punidos e que as vítimas sejam enganadas eternamente pelo traidores que jogaram e seguem jogando duplo.

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