Dilma não muda nada

Carlos Chagas

A partir da nova democratização, sobreveio a primeira eleição presidencial direta desde 1961. Montes de candidatos  lançaram-se através da ilusão. Lula, Leonel Brizola, Ulysses Guimarães, Aureliano Chaves, Mário Covas, Paulo Maluf, Fernando Collor, o dr. Eneias, Guilherme Afif Domingos, Roberto Freire e mais uns tantos que a memória não guardou. Apesar da explosão de personalismos eleitorais, ficou clara a divisão da nação e do  eleitorado: prevalecia a velha divisão entre esquerda e direita, mas, acima dela, o anseio nacional pela permanência do modelo ocidental de prevalência dos poderosos sobre os miseráveis, ainda mais  depois de 21 anos de regime militar.  Acabou prevalecendo Fernando Collor, dado o pavor que o Lula despertava nas elites e em parte da classe media, com a pequena diferença que Leonel Brizola poderia ter mudado a história do país.

A próxima sucessão acentuou a dicotomia: Lula, outra vez, e  Fernando Henrique, campeão da resistência ao inesperado. Prova a mais de que o país preferia a estabilidade imposta pelas elites do que a aventura de promessas impossíveis de concretizar-se.

A terceira vez do Lula chegou com o fim das ilusões. O candidato não era mais o lobisomem das mudanças radicais, senão a garantia da prevalência das mesmas regras de sempre. Reformas,  às vezes, revolução, nunca. A “Carta aos Brasileiros” ditou os rumos  do futuro.

Assim estamos diante da nova sucessão. Nada indica que Dilma pretenda imprimir rumos diferentes às diretrizes vigentes. Muito menos Aécio Neves ou Eduardo Campos.

Numa palavra, estamos onde sempre estivemos, desde que  foi imposto o modelo conservador  do alinhamento às elites, com Pedro  Álvares Cabral. Seria Dilma Rousseff  capaz de mudar o rumo dos ventos?  Sendo assim, explica-se a pasmaceira que até agora cerca a sucessão presidencial. Qualquer que venha a ser o novo presidente da República, nada vai mudar.

4 thoughts on “Dilma não muda nada

  1. É sempre o mesmo o modus operandi das grandes empreiteiras, que sugam o nosso suado dinheiro, em formação de quadrilha, digo, de consórcios, em conluio com a politicalha: contratos bilionários superfaturados, usam material de 5ª, constroem a passo de cágado, descumprem prazos reiteradamente, para exigirem ‘adendos’ aos contratos firmados e assaltarem o cofre da viúva e, ao invés de serem penalizados com multas pedagógicas que doam no bolso e proibição de participarem de quaisquer negociatas, perdão, licitação do governo, continuam livres, leves, soltos e fagueiros, vivendo nababescamente com o sangue e o suor dos pagantes de impostos escorchantes desse país! São sempre os mesmos, que vivem eternamente no bem-bom, à custa do Tesouro/BNDES/BB/CEF, etc, ou seja, dos nossos impostos. Ontem morreu mais um pedreiro que trabalha na construção de uma dessas ‘arenas’ para a copa; o jeròme está ‘inconsolável’ com o passamento: qual! No final das contas (superfaturadas sempre!) trabalhamos para sustentar os privilegiados “amigos do rei”, independente de partido político porque, aos cinquenta anos de vida (tenho a mesma idade e nasci no mesmo mês do golpe de 64), ainda não vislumbrei nenhum partido que tenha um Programa sério para colocar o Brasil na posição que ele deve ocupar entre as nações nem para dar qualidade de vida ao povo (numa retribuição lógica aos impostos escorchantes que pagamos e ao altíssimo custo de vida!) Todos os presidentes, senadores, deputados federais, estaduais, vereadores, governadores, prefeitos só tem UM único projeto de vida, quando entram para a política: se dar muito bem, à custa da miséria do povo: Poder! roubar o máximo possível, se possível durante toda a sua vida (in)útil, como o caso de alguns que são políticos de profissão, nunca trabalharam na vida, a não ser pendurados em alguma sinecura! e isso vem desde o brasil colonia: existem famílias na politicalha desde as capitanias hereditárias (principalmente certas famílias nordestinas) para perpetuarem esse modelo homicida que lhes é inteiramente vantajoso, passando de pai para filhos, netos, bisnetos, tetranetos e toda a árvore genealógica, cuja seiva vital é arrancada do povo há 514 anos!

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  2. Ufa, até que enfim leio alguem escrever o que repito sempre. São todos farinha do mesmo saco e quem não for tem que se adequar.

    Com esse sistema político nojento que temos, nem Jesus se sairia bem.

    INFELIZMENTE NÃO VISLUMBRO UMA SAÍDA PRA ESSA PANACEIA.

  3. Infelizmente Sr. David também não vejo luz no fim do túnel. Tenho dó dos nossos netos, que serão pelo menos comunistas (provavelmente sem querer) pelo que nos estamos deixando, por comodismo ou pior covardia. Observação, o meu nome é este mesmo. Saudações.

  4. Jornalista Carlos Chagas.

    Pode crer.. . aqui e agora, estamos todos nós “embananados” com o quadro político e as eleições , tal qual vossa senhoria, que sabe das coisas…
    Já Imaginou como estará a cabeça do eleitor quando ne frente da urna , depois da propaganda eleitoral, jogos da Copa , etc. e tal ?
    Ninguém merece… concorda?

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