Dilma não teve a menor participação na adoção da política que reativou a indústria naval, mas agora tenta assumir a autoria

Carlos Newton

Para tentar se defender no caso da desastrada compra da refinaria de Pasadena, no Texas, a presidente Dilma Rousseff sai pela tangente, destacando a política de recuperação da indústria naval, que teria sido “desenvolvida” em seu governo.

Graças à política de compras da Petrobras iniciada no governo Lula e desenvolvida no meu governo, renasceu uma indústria naval dinâmica e competitiva, que irá disputar o mercado com as maiores indústrias navais do mundo” — disse Dilma, em seu programa de rádio, semana passada.

Na verdade, o mérito não é dela nem de Lula. Quem traçou essa política em 2003, logo no início do governo Lula, foi o BNDES, então dirigido por Carlos Lessa (presidente) e Darc Costa (vice). Foram eles que procuraram a diretoria da estatal, então presidida por Sérgio Gabrielli, e celebraram o acordo entre BNDES e Petrobras para que a empresa não somente possibilitasse a reativação da indústria naval, mas também priorizasse a compra de outros produtos nacionais.

Traduzindo: sem ter como se defender no escândalo da aprovação da compra da refinaria sucateada, quando presidia o Conselho de Administração da Petrobras, agora Dilma Rousseff tenta assumir a autoria de uma ação político-administrativa na qual não teve a menor participação.

Em 2003, embora ela fosse ministra de Minas e Energia, não foi consultada por ninguém e não teve a menor atuação no estabelecimento dessa parceria BNDES/Petrobras, que realmente conseguiu reativar a indústria naval. Se alguém tem alguma dúvida a respeito, pode perguntar a Carlos Lessa, a Darc Costa ou ao próprio Sérgio Gabrielli. 

Na verdade, o PT não tinha nenhum projeto. O partido chegou ao poder completamente despreparado. Quem estruturou a vitoriosa política econômica do primeiro governo Lula foi o BNDES. Quando Lessa saiu da presidência do banco e foi substituído por Guido Mantega, o trabalho de planejamento da economia feito por ele e Darc Costa já estava pronto. Simples assim. E Lessa até avisou que a retomada do crescimento econômico, atrapalhada pelo então ministro da Fazenda Antonio Palocci, seria “um vôo de galinha”. Não deu outra.

12 thoughts on “Dilma não teve a menor participação na adoção da política que reativou a indústria naval, mas agora tenta assumir a autoria

  1. http://blogdogarotinho.com.br/artigo.aspx?id=8890 tem: “A manchete de O Globo mostra claramente o momento único que o Rio de Janeiro vive por conta dos negócios com o pré-sal, a Copa e as Olimpíadas. Mas com está destacado no texto, o outro fator que está impulsionando a economia do nosso estado é o reaquecimento da indústria naval para atender o mercado do petróleo.
    Isso me enche de satisfação por confirmar que eu estava certo em 1999 quando decidi lutar pela reabertura dos estaleiros que estavam fechados há mais de uma década. Convenci o então presidente FHC da necessidade de reativar a indústria naval e criei incentivos que fizeram com que os estaleiros reabrissem e criassem dezenas de milhares de empregos.” … é de 11/09/2011 11:28

  2. http://tributario.net/www/curto-circuito-garotinho-acusa-benedita-de-afugentar-empresas-do-rio/ tem: “Curto-circuito – Garotinho acusa Benedita de afugentar empresas do Rio
    18 de abril de 2002
    A governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, determinou o reexame de todos os incentivos fiscais concedidos a empresas que se transferiram para o estado do Rio ou foram reabertas, através do apoio do governo de Anthony Garotinho.
    A decisão – decreto 31.239 – foi publicada no Diário Oficial do Estado de terça-feira (16/4). Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato pelo PSB à Presidência da República, afirmou que a medida é “absurda” e representa um retrocesso para a economia do Estado.
    “Foi por isso que a Ford foi embora do Rio Grande do Sul”, disse o ex-governador, através de nota distribuída pela sua assessoria. “O PT tem mania de perseguir empresários. A indústria naval só está funcionando hoje graças aos incentivos fiscais que o meu governo deu”, afirmou.

    Segundo a assessoria de Garotinho, os incentivos fiscais, só para a indústria naval foram responsáveis pela criação de 11 mil novos postos de trabalho.
    Fonte: Conjur”

  3. http://www.antaq.gov.br/portal/pdf/Decreto25403.pdf tem: “DECRETO Nº 25.403 DE 02 DE JULHO DE 1999
    Desonera do ICMS os insumos para a indústria naval e dá outras providências. DOE 05.07.99
    O GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições constitucionais e legais,
    CONSIDERANDO o disposto na legislação regente do ICMS;
    CONSIDERANDO que os altos custos financeiros, tecnológico e de construção suportados
    pela indústria naval prejudicam a competitividade das empresas aqui estabelecidas frente às suas
    concorrentes, sobretudo aquelas sediadas no exterior, às quais são concedidos incentivos fiscais, creditícios
    e subsídios outros;
    CONSIDERANDO que a redução tributária se afigura importante para atrair investimentos no setor petrolífero do Estado, DECRETA:
    Art. 1º – Ficam desoneradas do ICMS as aquisições de insumos e materiais para construção
    de embarcações, a serem utilizadas nos comércios externo e interno, na navegação de cabotagem e de
    interior, bem como para construção de plataformas petrolíferas.
    Parágrafo único – São consideradas plataformas petrolíferas as destinadas à exploração,
    perfuração e produção de petróleo.
    Art. 2º – O benefício aludido no artigo anterior também se aplica ao imposto incidente nas
    importações de matérias primas e de equipamentos destinados à construção de embarcações e plataformas
    petrolíferas.
    Art. 3º – A desoneração de que trata o art. 1º deste Decreto implica estorno dos respectivos
    créditos do ICMS.
    Art. 4º – O Secretário de Estado de Fazenda editará os atos que se fizerem necessários ao
    cumprimento do disposto neste Decreto.
    Art. 5º – Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as
    disposições em contrário.
    Rio de Janeiro, 02 de julho de 1999.
    ANTHONY GAROTINHO

  4. Voce é fantastico Newton.
    Que tal continuarmos: quem tirou o Brasil da 16@ posiçao na/economia mundial e trouxe para a 7@ posição foi o Mantega e nao Lula.
    Quem fez as reservas em moedas estrangeiras, sair de parcos 32 bilhoes de dolares em 2002 , para 380 bilhoes de dolares nao foi Lula foi o Meireles
    Quem tirou 20 milhoes de familias da pobreza nao foi Lula foi o Ministerio da açao social.
    Que tal, assim voce fica contente?

  5. Amigos, basta assistindo-se os vídeos com MANIFESTAÇÕES da “presidenta” (ela diz que são “atribuições”) para concluir-se sobre sua capacidade de falar/raciocinar. Aqui vai link, para quem desejar conhecer a verdadeira “presidenta”, no pleno exercício da linguagem. http://www.youtube.com/watch?v=HvUcgb9r-wg
    Projetos? Mais do que não ter projeto para o País (nasceram, cresceram e se fizeram as sombras de denúncias, ataques pessoais e posse de sindicatos públicos) o PT – seus governos “se apropriaram” dos resultados e de propostas de outros governos. Quanto aos ministros, vários deles, na verdade ocupam cargos políticos – alguns não possuem predicados sequer para administrar uma “carrocinha de pipocas”. Talvez o filho do Lulla, o Lullinha, pela capacidade demonstrada em “subir, rapidamente, na vida”, pudesse ocupar cargo no Ministério das Mágicas!!!
    Mas sempre haverá, para aqueles que acreditam em Papai Noel, milagres. Acreditam que o Brasil nasceu com Lulla.
    Cada vez que ouço a “presidenta” se manifestando (ou tentando), fico pensando: de onde saiu o diploma do curso superior que declarou possui? E penso mais: quem o forneceu, e como foram suas notas!
    A maneira débil com que ela “joga suas ideias” demonstra quão pequena, quase ausente, é sua capacidade de raciocínio. Alguém dirá que sou “preconceituoso”. A generalização do termo levou a penarem que não se pode dar opinião sobre ninguém.
    Alguém também dirá que ela foi eleita pela maioria da sociedade. Teoricamente, sim. Matematicamente, não! Respeito o direito que tem, mas discordo do que faz.

    E quanto a ter sido eleita, não nos esqueçamos: cerca de 70% da sociedade brasileira é composta de analfabetos funcionais – quando consegue ler, não compreende o conteúdo da mensagem.
    O dia em que nosso país tiver um governo sério – quem sabe nos próximos 20/30 anos, terá moral para cobrar explicações da origem do que alguns abocanhar, da noite para o dia, ocupando cargos públicos/governos.
    Tomaram estejamos todos vivos para assistir o final feliz.

  6. Mais uma,
    Sr. Carlos Nilton, no cravo e na ferradura…
    Com certeza, o “bem-feito” foi soprado por Lula ou pelo marqueteiro Santana.
    Que discutam entre eles, a quem pertence o copyright…

  7. O PT, não tinha projeto de governo, pegou carona da política
    econômica e social de FHC: Plano Real, Responsabilidade Fiscal
    e Bolsa Família. As reservas que o Brasil possui no EUA, custou
    o aumento da dívida interna, em que o juros pagos são superiores
    aos juros recebidos pela reservas cambiais depositadas no EUA.
    Pior que um bilhão jogado fora na compra de refinaria de
    Pasadena, é os juros pagos da dívida interna, um verdadeiro entrave.

  8. O governo do Lula, também, não teve a mínima participação na estratégica e necessária acumulação de reservas estrangeiras.

    Acumulamos 378 bilhões por conta da expansão do comércio mundial no período do governo de Lula.

    Tal fato, volto a repetir, deu condições daquele governo experimentar a expansão interna do consumo, o controle da dívida externa, a quitação com o empréstimo do FMI, entre outros.

    Esses fatos positivos não têm nada a ver com a competência administrativa desses governos.

    Foi pura sorte!

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