Dilma não vai mudar de estilo

Carlos Chagas

A presidente Dilma Rousseff agradece conselhos,  sugestões e palpites, podendo até considerá-los, mas manterá seu estilo de governar. Não é papel carbono ou vídeo-tape, sequer do Lula. Reconhece a necessidade de aproximar-se mais de sua base parlamentar, ainda que a aproximação não signifique ceder a pressões para nomeações em profusão ou liberação indiscriminada de recursos para emendas parlamentares. 

Jamais repetirá a performance do antecessor, de estar todo dia na mídia, falando sobre tudo e sobre todos, por escrito ou de improviso.   Seu estilo é de gestora, dando preferência a reuniões com  auxiliares e com representantes da sociedade, para enfrentar problemas,  em vez de frequentar palanques. Não vai se transformar em garota-propaganda do próprio governo.

É impulsionada por boas intenções, de um lado, mas também por  interesses escusos, de outro,  essa   pressão atualmente desencadeada   sobre Dilma para  trocar  de perfil  e mudar sua   natureza de ser. Tem gente achando que ela deveria seguir em gênero,  número e grau o modelo desempenhado pelo Lula, mas acontece que o Lula é único. Inimitável. Depois, porque  os tempos são outros. Existem, no  reverso da medalha, aqueles que tentam tirar partido do estilo da presidente, imaginando fraqueza onde ela tem demonstrado segurança. PMDB e PT, em parte, resolveram testá-la, exigindo  que satisfaça interesses fisiológicos, como se o governo fosse um bolo a ser repartido. A votação do Código Florestal, na Câmara, demonstrou as intenções da banda podre da base governamental, mas o caso  continua inconcluso, tendo em vista a votação no Senado. 

O  episódio Antônio Palocci enfraqueceu a todos, em especial o próprio, mas permanecendo ou saindo o chefe da  Casa Civil, é pequena a diferença entre o que agora acontece  e a anterior quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo.   São percalços inerentes a qualquer administração, naturalmente divulgados pelos meios de comunicação e aproveitados pela oposição e por alguns falsos aliados.

Em suma, enganam-se quantos imaginam a presidente disposta a mudar a estratégia de governar, submetendo-se a figurinos exógenos. Até porque, sua aceitação junto à opinião pública, amplamente reconhecida nas pesquisas recentes, deve-se ao seu estilo.

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SÓ VAI PERDER O TOPETE

A doença que acometeu o senador Itamar Franco foi detectada no início, tudo indicando sua superação, conforme os médicos do hospital Albert Einstein. O ex-presidente da República, espera-se, perderá apenas o topete, com o tratamento quimioterápico a que se submete. Mas por pouco  tempo. À licença de trinta dias  requerida ao Senado, seguir-se-á o recesso do mês de julho, tempo suficiente para o topete voltar.

A cada dia que passa mais se reconhece a excelente performance de  Itamar no palácio do Planalto, ímpar nas situações mais difíceis. Até seu chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, amigo de longa data, ele afastou sem  titubear, diante de acusações mais tarde julgadas infundadas. Hargreaves voltou, recebido com tapete vermelho.

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PAZ NO NINHO?

Até a noite de ontem, madrugada de hoje, prosseguiam as tentativas de pacificação no ninho tucano. O problema é que o confronto entre José Serra e Aécio Neves vem desde muito antes das eleições presidenciais do ano passado. Naqueles idos o  candidato depois derrotado ganhou o primeiro round interno, saindo indicado. Agora, o ex-governador mineiro dá o troco, tentando não apenas impedir que Serra venha  a presidir o Instituto Teotônio Vilela de Estudos Políticos, mas já preparando o embate para a indicação de  2014. Pacificar o PSDB com o recuo de Serra parece difícil. O fim de semana dirá.

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MELANCIAS RACHADAS

Vimos, dias atrás, nos jornais e nas telinhas, a eclosão de estranha praga nas melancias cultivadas na China. Assim que desenvolvidas, antes de colhidas, as frutas rachavam de alto a baixo. Abriam-se, apodrecendo  a polpa vermelha e gostosa,  sem poder ser aproveitada.

Com todo o respeito, o fenômeno parece estar-se repetindo no PT. Cada vez mais vem sendo expelidos e  afastam-se do partido os companheiros ideológicos, aqueles que uma vez  tentaram levar o PT para a esquerda consciente,   plena de ideais reformistas. Permanecem os que integram a casca, sem utilidade a não ser  para fazer um doce  danado de ruim. O fisiologismo começa a  dominar  a legenda que já foi dos trabalhadores e hoje é dos candidatos a cargos no segundo escalão do governo.

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