Dilma pensa em renunciar?

Carlos Chagas

Pela crendice popular, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Não é verdade. Agora, seria bom constatar, senão o fim do mundo, ao menos a iminência do fim do governo, quando quatro raios caíram  no palácio do Planalto, todos pela chaminé. Foi o que aconteceu quarta-feira. Há quem diga que, de acordo com as leis da Física, os raios não vem do céu para a terra, mas, pelo contrário, são elaborados de baixo para cima, antes de despencarem das nuvens.

De repente, Aloísio Mercadante, chefe da Casa Civil, Michel Temer, vice-presidente da República, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, e Renan Calheiros, presidente do Senado, falaram a mesma linguagem, anunciando a tempestade. O primeiro, numa entrevista improvisada nos corredores do Congresso, anunciou a iminência do caos, reconhecendo os múltiplos erros do governo e apelando para um acordo suprapartidário. O outro, reunindo os líderes dos  partidos, falou da gravidade da situação e sugeriu que alguém tenha a capacidade de reunificar a todos antes de uma grave crise. O  comandante da política econômica prenunciou “uma situação  desagradável” por conta da alta dos juros e da cotação do dólar, apelando outra vez para a votação do ajuste fiscal. E o senador admitiu o impeachment de  Dilma, que ele  poderia dar andamento caso viesse da Câmara a abertura do respectivo  processo. Foi a quarta-feira sangrenta.

ENTREGAR OS PONTOS?

Alguma  coisa de muito grave aconteceu  para tanta movimentação, cujo epicentro está na presidente da República. Chegou-se até à suposição de que Madame decidira entregar os pontos, ou seja, renunciar ao mandato. A possibilidade de não poder mais governar, a desagregação e a rebelião dos partidos da base, as sucessivas denÚncias e condenações promovidas pela Operação Lava Jato, a exigência de ampla reforma do ministério e a proximidade de monumental manifestação da sociedade, armada de panelas, no próximo dia 16, teriam levado a presidente à ameaça de saltar de banda.

Claro que diante da sombra de ações cirúrgicas do Tribunal de Contas da União e do Tribunal Superior Eleitoral, ambas capazes de mobilizar o Congresso para dar início à degola, com a óbvia participação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, transformado em inimigo número um do governo.

Daí terem os quatro cavaleiros do Apocalipse vindo a público na tentativa de evitar, mas,  ao mesmo tempo, de  prever a catástrofe. Só a hipótese da renúncia de Dilma poderia mobilizar tamanho potencial de crise. Teria ela dado algum sinal?  A hipótese  fica em aberto, por mais que se conheça sua personalidade arrogante e inflexível. Algo de explosivo ronda os gabinetes do palácio do Planalto.

Atente-se para a mensagem de Michel Temer, que nas entrelinhas e nas linhas coloca-se como alternativa para o pior. Vem coisa por aí.

8 thoughts on “Dilma pensa em renunciar?

  1. Sr. Carlos Chagas,
    Já vi essa notícia no Claudio Humberto e no Aluízio Amorim. O Sr. é o terceiro.
    São três bem informados jornalistas.O povo brasileiro espera que a presidente tenha este ato republicano e democrático, pois ela não tem mais condições políticas para ficar exercendo o cargo de presidente.

    Abraço
    César Cavalcanti.

  2. Pelo que tenho lido, a carta renúncia já esta pronta, embora não tenha sido um ato solitário. A renúncia da Presidente será menos ruim para ela e o PT.
    Aguardemos anciosamente.

    • Ao que parece a rebelião contra Dilma e a provável renuncia da Presidente poderá se entender o resguardo e a proteção do Lula digo isto porque Dilma nunca governou o país, Lula esteve sempre por trás dando ordens, e publico e notório, na verdade o maior culpado da renuncia de Dilma não resta dúvida… é Lula

  3. A jogada é inteligente, refiro-me à renúncia da presidente Dilma se verdadeiramente acontecer.
    Agindo dessa forma quem assume é o seu vice, Temer, aliado do PT, e evita o processo de impedimento que o presidente da Câmara, Cunha, pretende colocar em votação.
    Afora as peças do xadrez se moverem, Dilma se desgasta menos pessoal e politicamente, pois até o Brasil retomar as rédeas do desenvolvimento e estabilizar a economia, ela também arrasa com qualquer pretensão petista no futuro.
    Dos males, o menor, deve ter pensado se, de fato, a sua intenção é renunciar, pelo qual tenho minhas reservas, sem querer contestar as informações de jornalistas experientes e muito bem informados sobre os bastidores do poder.
    Em resumo:
    Não acredito.

  4. Estimado amigo Francisco Bendl, com 93% de reprovação, qualquer idiota já teria “jogado a toalha”… Eu, como brasileiro, cidadão e, acima de tudo, cumpridor dos meus deveres, me pergunto: Será que está faltando “aquilo roxo”? Cadê as “autoridades constituídas”? Rabo preso também?? Essa camarilha (PT e coadjuvantes) já deveria estar “em cana” há muito tempo… O que nos reserva um futuro bem próximo? Prenúncio de uma guerra civil? Sei não… Saudações!!!

  5. 1) Não haverá guerra civil nenhuma, pelo simples fato de que o brasileiro é ADESTRADO para votar: ” votar é a solução”, estão aí, prontinhos, como sempre, os jornalistas, para botarem essa cantilena fraudulenta pra tocar.

    2)Como sempre, ouve-se, também, uma frase muito melódica, doce mesmo, para os ouvidos dos incautos: ” O IMPORTANTE É QUE AS INSTITUIÇÕES ESTÃO FUNCIONANDO MUITO BEM”.
    Pergunto:quais, senão aquelas que, longe de garantirem paz e justiça à população, garantem, tão-somente, conforto e bem estar para os seus ocupantes ?
    São essas ” instituições” que, a todo custo, PRECISAM ser PRESERVADAS_nos dizem. Qual a base de que se alimentam, senão o VOTO? Uma intervenção seria péssima para a população? Ora, pergunte-se pra ela! Sem dúvida, é tudo que os que estão ACIMA de qualquer crise temem; é tudo o que NÃO querem os detentores de todo o tipo de privilégios, construídos com tanto “suor”, ao longo dos anos, para si mesmos. Ou seja: para essa malta de ordinários que se pavoneiam e se intitulam como “líderes do país”, sua ” elite”, etc.

    3) Carlos Chagas: venha o que vier, pode apostar no sr.Lampedusa: ” mudar tudo, para que tudo continue exatamente como está”

    Saudações,

    Carlos Cazé.

    PS: À época do impeachment do ex-presidente Collor, numa entrevista a essas revistas semanais, Barbosa Lima Sobrinha respondeu se acreditava na possibilidade de renúncia do então presidente : ” Não, porque não acredito que ele possa ter um gesto de grandeza “.
    Hoje, quanto a essa senhora, pode-se ou não dizer o mesmo?

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