Dilma precisa voltar a comandar o governo, diz Delfim

Pedro do Coutto

Numa entrevista à repórter Raquel Landim, Folha de São Paulo, edição de domingo, o ex-ministro Delfim Netto afirmou ter saudades de Lula e que Dilma Rousseff precisa voltar a comandar a agenda do país. Ela se escondeu, o que colide com a noção básica de governo. O governo precisa dizer que existe, propor programas factíveis que devolvam confiança a sociedade. O homem que dirigiu a Fazenda nos governos militares de Costa e Silva e Médici acrescentou: economia é expectativa; desenvolvimento é um estado de espírito. Nós vamos voltar a crescer, mas é preciso dar a população um pouco mais de tranquilidade. Essa era a vantagem de Lula, que é um promoter.

Ao acentuar que Dilma Rousseff “se escondeu e precisa voltar a comandar a agenda do país”, indiretamente Delfim Netto sustentou que ela não se encontra no comando do governo, porque uma coisa leva a outra: só pode voltar a governar, dentro da lógica delfiniana, quem não está governando. A crítica é forte sob o ângulo político, sobretudo no momento atual em que o Executivo encontra-se dependente do ajuste das contas públicas.

ESTELIONATO ELEITORAL

Mas o ajuste fiscal, disse ele, é apenas uma ponte, uma vez que no ano passado ocorreu uma deterioração fiscal muito profunda, e o desequilíbrio de 2014 foi deliberadamente produzido para reeleição e atingiu seu objetivo. Porém, não se pode negar, seria um absurdo, que houve um estelionato eleitoral. Para Delfim Neto, Dilma Rousseff fez uma mudança na política econômica “equivalente à conversão de São Paulo ao cristianismo na viagem de Jerusalém a Damasco”. Essa mudança de Dilma Rousseff abalou a credibilidade do governo. Mas o importante agora é consertar.

Entretanto, houve um equívoco na concessão de desconto das empresas para a Previdência Social, favorecia principalmente o setor exportador. Agora, contudo, será difícil voltar atrás. Depois de concedida a flexibilidade, digo eu, na realidade uma vantagem financeira, politicamente é difícil retroceder e retirá-la. O debate continua no Congresso.

DEFENDENDO MANTEGA

Delfim Netto defendeu Guido Mantega, dizendo que ele propôs as mudanças agora em foco no decorrer de sua gestão em 2014. Não foi ouvido e até, como se sabe, foi um ministro demitido a permanecer no cargo, inclusive com seu sucessor já escolhido, assim não tinha a mínima autoridade. Delfim Netto, de forma indireta, compara aquela situação que envolveu Guido Mantega a que envolve agora o presidente da Fifa Joseph Blatter: Blatter renunciou na semana passada, mas pretende permanecer no posto até que eleições definam seu sucessor. Quando serão essas eleições? Ainda não estão marcadas. Estão para ser.

Mas voltando às observações de Delfim Neto, ele sustenta que a recessão em que nos encontramos vai durar o tempo que for necessário para recuperar a indústria. Na sua opinião a indústria sofreu o efeito dramático da política cambial em vigor, porque todos os estímulos concedidos foram incapazes de compensar o prejuízo causado pela variação cambial destinada para controlar a inflação. Nunca faltou demanda para Os produtos industriais. Com o câmbio, o que faltou foi demanda para os produtos industriais feitos no Brasil. As importações, favorecidas pelo dólar, aumentaram substituindo produtos brasileiros. Na sequência as exportações caíram. Tal processo começa a ser revertido com o novo patamar fixado para o câmbio. De qualquer forma Delfim Neto sustenta: sem resolver o problema da indústria não vamos voltar a crescer.

O impacto da entrevista na área política pensante e interpretativa deverá ser grande, na medida em que o ex-ministro da Fazenda deixou no ar sua confiança maior em Lula do que em Dilma Rousseff. Um sinal praticamente de aceitação da candidatura do ex-presidente para um novo mandato a ser disputado nas urnas de 2018. Delfim Neto contribuiu para iluminar a dissidência que ocorre nos bastidores entre a atual presidência da República e seu antecessor e grande eleitor. Não se pode esquecer, sob o aspecto histórico que Lula foi o único candidato a disputar e participar ativamente de 7 eleições presidenciais. Perdeu 3. Venceu 4. Seu prestígio não é mais aquele de 2010. No entanto não existe no PT ninguém capaz de impedir sua nova candidatura.

13 thoughts on “Dilma precisa voltar a comandar o governo, diz Delfim

  1. Caro CN … Saudações!

    O mais importante deste artigo está no que Delfim Netto afirma no quadro … É um grande debate entre as 3 maiores figuras do PMDB SP.

    Temer, por questão constitucional, é SUBORDINADO à Presidência … Ficando os interesses maiores do PMDB em segundo plano … Inocente útil.

  2. Os muito vivos nunca submergem. Este senhor já deveria estar aposentado há muitos e muitos anos. Mas continuam a lhe dar importância. O que pode sair de bom quando se junta este senhor , pt e demais penduricalhos ? Creio que nada de útil para os demais brasileiros.

  3. Aí é a vez de comentar sobre o trotskismo de Dona Dilma e o bando de idiotas da FIESP do Paulo Skaf.

    Em vídeos na internet Dona Dilma não mostra arrependimento de algum malfeito de seu passado … Então o bando de idiotas terá razão?

    Paulo Skaf declarou que a classe produtora está para fechar portas por causa da carga tributária de tucanos e petistas.

    Paulo Skaf não é inocente útil.

  4. E Delfim deveria honrar sua filiação no PMDB … Pois dá a entender que abona o suposto ou real estelionato eleitoral do ano passado … Pior ainda, fica defendendo Lula … Causa maior dá crise … Da qual ninguém sabe quando a indústria voltará a crescer … Inocente útil.

  5. O grande e experiente Sr. PEDRO DO COUTTO, analisa com o brilhantismo de sempre, a importante entrevista do, a meu ver, maior Economista Político da atualidade, Prof. DELFIM NETTO. Ele definiu bem:” Economia é EXPECTATIVA, e Desenvolvimento é um Estado de Espírito”. Alguém tem que criar essa EXPECTATIVA e ESTADO DE ESPÍRITO. Numa República Federativa como o Brasil, esse alguém, é o Presidente da República, no caso, DILMA ROUSSEFF.
    A Presidenta DILMA tem “pouco jogo de cintura” Político; comunica mal; é impaciente; etc, mas é uma LÍDER FORTE. No Governo DILMA I, TRATOROU a Economia-Política, Governou praticamente sozinha, ignorou Partidos, seu Vice MICHEL TEMER do poderoso PMDB, Ministros, e até o Presidente LULA no possível, e que não foi pouco.
    Para tentar fazer a Economia “pegar no tranco e voltar a crescer”, usou o “chicote e a cenoura”, mais o chicote do que a cenoura. Baixou o Juro Básico SELIC a 7,25%aa numa Inflação de +- 7%aa, praticamente ZERO de spread, baixou Energia Elétrica em +- 40% Residencial e principalmente Industrial, congelou Preços de Combustíveis e Tarifas Públicas, os chamados Preços administrados, desonerou Folhas de Pagamentos, eliminou Impostos como IPI de automóveis, Linha Branca, CIDE, etc, etc, e não conseguiu seu Objetivo, CRESCIMENTO ECONÔMICO.
    Conseguiu isso sim, aumentar o Deficit Fiscal do Governo que passou de +- 2,5% do PIB em 2011 para +- 7% do PIB em 2014, consequentemente aumentar a Dívida Pública Bruta que passou de +- 55% do PIB em 2011 e está em +- 68% do PIB em 2014, e mais grave, fez explodir o Deficit do Balanço de Pagamentos Internacional que passou de um Deficit de +- US$ 45 Bi em 2011 e atingiu +- US$ 100 Bi em 2014. Mas as custas disso, manteve graças a perícia do Ministro GUIDO MANTEGA, “Desemprego Baixo e Inflação dentro do teto da Meta de 6,5%aa”, e se re-Elegeu.
    Mas nesse Processo todo, criou enormes INCERTEZAS e perdeu a CONFIANÇA dos Mercados. Agora re-Eleita, defenestrou sem cerimônia o Ministro da Fazenda GUIDO MANTEGA que já estava quase 9 anos no Cargo e que foi o maior responsável por sua vitória, fez Meia-Volta Volver na Política Econômica colocando como Ministro da Fazenda JOAQUIM LEVY, que tenta CONSERTAR os DESEQUILÍBRIOS FISCAL e do Balanço de Pagamentos e reativar a INDÚSTRIA, via Política Neo-Liberal ORTODOXA.
    E a Presidenta DILMA, que tratorou em DILMA I, submerge, some de vistas, em DILMA II. Ora, nem uma coisa, nem outra ajudam a reconquistar a CONFIANÇA dos Mercados, a criar EXPECTATIVAS e ESTADO DE ESPÍRITO para o Desenvolvimento. Deve como bem frisa DELFIM NETTO, a Presidenta DILMA reassumir Politica-Economicamente a Direção de seu Governo. Abrs.

  6. Caro Senhor Flávio José Bortolotto … Paz!

    Em seus escritos notamos a Sabedoria que poucos a possuem … O senhor entra não sala, cozinha, quarto e banheiro – e não se deixa enganar pelas aparências.

    Já fiz vários comentários sobre a divisão de Poder pela Constituição Federal CIDADÃ de 1988 … Uma das coisas é dar Poder ao Congresso Nacional para enfrentar Presidentes Imperiais … Isto é decorrente da experiência do MDB.

  7. Definitivamente, Delfim Netto está com Alzheimer. Ele diz que Dillma deve voltar a comandar o Governo…Como “voltar”, se jamais comandou??? Beber, Delfim jamais bebeu….só pode ser Alzheimer….

  8. Como recuperar a credibilidade do mercado quando a economia tornou-se um lamaçal de mentiras oficiais? O Tesouro desde 2009 fez aportes superiores a R$ 400 bilhões ao secretíssimo BNDES. Pedalaram o orçamento a torto e a direita, acabaram, novamente, de exportar uma plataforma da Petrobras, por U$ 690 milhões, para maquiarem as contas externas. Somente um bando de asnos pode achar que os analistas de mercado não enxergam tamanha trambicagem oficial….

  9. Delfim Netto é um dos grandes economistas que a Corte dispõe para manter-se à tona, ou seja, ele sempre consegue aglutinar forças em torno dos objetivos da Corte, que é manter o status quo brasileiro exatamente como está.
    Cada vez que um desgovernante apronta, ou, tropeça feio, lá surge o professor Delfim do alto da sua sapiência, e indica os mesmos caminhos de sempre para manter os mesmos de sempre com a chave do cofre nas mãos.
    Para manter a Monarquia Republicana, ele não está nem aí com a quebra de empresas e com o desemprego. Cada vez que esses canalhas aprontam, ele é um dos primeiros à indicar a velha solução:
    – Chama a boiada (nós) para nos tirar do brejo. E lá vamos nós (boiada) puxar a corda e tirar a Corte do buraco em que ela mesmo se meteu e à nós juntos.
    Pelo jeito, teremos que iniciar uma campanha de desobediência civil, nem que desta vez a coisa exploda.
    Até quando vamos puxar a carroça cheia dos canalhas da Corte e sustentar esses ladrões ?

  10. Delfim Netto está cada vez mais enfadonho e previsível, na linha da crítica construída pelo Sr. Fuchs, com a maior razão, diga-se de passagem.

    O fato é que nada se fala e muito menos se faz para garantir o aumento de produtividade e o consequente aumento de competitividade capaz de dar ao Brasil a oportunidade de abrir a sua economia em pé de igualdade com as melhores economias mundiais.

    Neste ritmo seguiremos a reboque de economias, principalmente a chinesa que não se interessa por aquilo que é a melhoria do padrão de vida do nosso povo, mas, atender às próprias demandas mais imediatas.

    Estão certos, nós é que nos preocupemos com os nossos interesses mais imediatos.

  11. Este senhor já esta errado fazem décadas. Até calado já anda errado. Dilma não tem credibilidade para dirigir uma padaria, um pequeno condomínio. Esta política do Levy só irá aumentar a desigualdade no país.

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