Dilma presidente: “Honrarei a confiança do povo brasileiro”. Serra oposição: “Isto não é despedida, adeus, simplesmente um até logo”. O país viverá entre essas promessas, por enquanto, imaginárias.

Helio Fernandes

São duas definições, mais projetos, promessas tão falsas, iguais às da campanha? Na verdade, o clima tinha que ser mesmo esse, por mais dividida que tenha sido a eleição, não podia ser diferente. A presidente eleita não podia partir do zero, desafiando a oposição. Esta também não podia sair despejando sobre o Planalto-Alvorada, um fogo mortífero que não tem.

Pode ser tudo lugar comum, rotina habitual do dia seguinte de uma eleição presidencial. Sem o menor constrangimento, Geraldo Alckmin (governador ilegítimo com poucas vitórias) sacramentou o próprio caminho e não o de Dona Dilma, ao dizer: “Desejo para ela tudo do melhor, São Paulo é Brasil, queremos que tudo dê certo”.

Além da rotina da transmissão (?) do cargo presidencial, a certeza de Dilma e Serra que, apesar de tudo que disseram e disserem,  não têm autonomia de voo. Se tivessem, Dilma já estaria cuidado de 2014. A reeeleição, depois de FHC, é obrigatória. Mas se ela estiver pensando em reeleição, lógico que não será para ela, e sim uma tri-reeeleição para o senhor dos anéis, com ligeira interrupção.

O jornalão do Rio extravasou, invadiu o terreno não do jornalismo e sim da mistificação, revelando (?) em manchete “adivinhadora”: Lula elege Dilma e aliados já articulam sua volta em 2014”. A primeira parte, conhecida até das pedras da rua, quem elegeria Dilma a não ser Lula? 2014 para Lula pode até ser licença poética, mas longe de jornalismo.

O jornalão de São Paulo  não percebeu que a tecnologia da comunicação avançou, preferiu retroceder. E disse também em manchete: “Dilma é a eleita”. Muito tempo antes o mundo já retumbava, repercutia e saudava a primeira mulher brasileira a se candidatar e a se eleger. Mas o jornalão ainda estava na fase do jornalismo de 30 anos passados. Têm mais arrogância do que conteúdo.

Serra também “desejou” boa sorte a Dilma, fazer o quê? Mas não foi nem pretendeu ser sutil ao anunciar sua caminhada a partir de agora. Fez questão de confirmar o que escrevi há mais de 15 dias, aqui mesmo: Serra pode até ser candidato a prefeito em 2012, para tentar a terceira presidência em 2014, aos 72 anos.

O ex-governador não perdeu tempo. Tinha que dar o recado ao governador que estava ao seu lado. Alckmin foi candidato a presidente em 2006. nada surpreendente que queira tentar a segunda vez, como ele, Serra. Sabendo que Alckmin não é muito brilhante, Serra quis alertá-lo, talvez não percebesse: “Não estou dando adeus e sim até logo”. É todo o perfil de Serra, só que ele teve medo que esquecessem.

Dessa maneira, é compreensível que 2014 esteja mais presente do que 2010 e o consequente 2011. Serra também fez questão de ressaltar: “Elegemos 10 governadores”. E repetiu o número. Mas na pressa da constatação, esqueceu que São Paulo é o seu estado, mas o governador é inimigo íntimo, estava ao seu lado.

O outro grande estado vitorioso, Minas Gerais, Só que lá a prioridade é Aécio Neves, que não pagou a fatura no prazo certo (o segundo turno), pode até ser “protestado” no cartório eleitoral. Dívida que ficará para sempre na Serasa. Aécio nem apareceu, devia ser constrangimento,

O futuro de Serra oposição é uma incógnita. O de Dilma no Poder, incerteza completa. Não é a mesma coisa. Apesar dos 45 milhões de votos, Serra foi derrotado. Vitoriosa com 55 milhões, Dilma acredita no hoje 2010-2011, terá ou poderá transferir essa crença e esperança para 2014?

Dilma pode muito bem estar assumindo com a validade vencida. E não cabe a ela a REVALIDAÇÃO, e sim ao ex-presidente, o senhor dos anéis. Dizem que têm um contrato não escrito, “quatro anos para você, outros quatro para mim”. Nesse contrato imaginário mas realista, garantem, só se vê uma assinatura e não é a de Dilma.

***

PS – De qualquer maneira começará a fase da boataria a respeito dos ministros. Quanto mais medíocres os nomes anunciados, mais condições terão de serem verdadeiros.

PS2 – Só que Dona Dilma presidente já foi monitorada para o fato que Lula não deixa de  lembrar a ela: “Você só saiu candidata e foi eleita, porque liquidei todos que estavam no teu caminho”.

PS3 – Generoso e altruísta, Lula não deixa ela esquecer: “E todos, dentro do PT, tinham mais credenciais e tempo de serviço”. Com isso, Dilma tem que andar olhando para trás, sempre receosa.

PS4 – Repetindo a frase-conceito de Napoleão, que ela naturalmente não conhece: “Não tenho medo do inimigo pela frente, e sim do vento pelas costas”. Só que Lula não é um vento e sim um furação, nos tempos de hoje, um tsumani.

PS5 – No discurso de agradecimento, que mudança. A primeira-dama política, eleitoral e sucessora de Lula, desapareceu. Surgiu a Grande Dama do seu próprio mandato. Só não revelou, nem ela sabe, até quando irá. Mas tem que durar pelo menos 4 anos, para ver o de Lula.

PS6 – Com maquiagem e paramentada para ser “Dilminha paz e amor”, convenceu a todos, Nossa Senhora, que transformação.

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