Dilma prossegue subindo, Serra continua descendo

Pedro do Coutto

Na noite de quarta-feira, o Jornal da Band divulgou o resultado de mais uma pesquisa nacional do Ibope, realizada de 19 a 21 de junho, apontando 40 pontos para Dilma Roussef contra 35 de José Serra. Marina Silva registrou 9%. Dez por cento encontram-se indecisos em matéria de intenção de voto, 6% dispõem-se (hoje) a anular o sufrágio ou votar em branco.

O levantamento foi feito sob patrocínio da Confederação Nacional da Indústria e apresenta alterações de porte em relação àquela feita há praticamente um mês. O IBOPE assinalava então um empate de 37 a 37 entre os principais adversários. Na ocasião, registrava uma aceleração da ex-chefe da Casa Civil em relação à pesquisa que a havia precedido. Como em questões de pesquisas não basta ver os números, mas também ver nos números, constata-se que Roussef vem subindo, Serra descendo. Dilma saltou de 37 para 40 pontos. Serra recuou de 37 para 35.

A candidata do presidente Lula encontra-se em tendência ascendente, o candidato da oposição (que contraditoriamente não se opõe ao governo) situa-se em escala descendente. Este movimento é que se torna essencial quando se analisa pesquisas e rumos eleitorais. Pelo ritmo que os fatos vêm apresentando, Dilma vencerá no primeiro turno nas urnas em outubro. Previsão, aliás, feita por Elena, minha mulher, mesmo antes de Dilma começar a decolar rumo ao Planalto. Royalties para ela. Percebeu o quadro antes de mim, logo ao início da campanha. Mantido o panorama visto da ponte, para citar Arthur Miller, Roussef vence no primeiro turno marcado para 3 de Outubro.

Há sintomas clássicos indicando tal desfecho antes da hora limite. Primeiro, feita pelo Ibope uma simulação para o segundo turno, Dilma teria 45% contra 38 do ex governador de São Paulo. Com isso fica nítido que ela arrebate mais votos de Marina Silva do que ele. Em segundo lugar, a aprovação do governo Lula atingiu nada menos que 85%, um recorde absoluto que impede politicamente a atuação dos oposicionistas. Em terceiro, cresceu de 58 para 72% a faixa dos que estão com Lula para o que der e vier e passaram a saber com certeza que Dilma é a sua candidata.

Esta realidade sintetiza bem uma face da comunicação brasileira. Aliás uma parcela de incomunicação humana, parecida com aquela que deu atmosfera à filmografia italiana da década de 60, especialmente a produzida por Fellini e Antonioni. Mas isto é outro assunto.

Deixando a magia da arte e retornando a realidade do voto, verificamos que o maior conhecimento de que Dilma é a candidata de Lula coincide com sua ascensão nas pesquisas. Como o patamar de 72 degraus de certeza, sem dúvida é um bom índice, mas estará longe do teto, a impressão que dá é a de que no próximo levantamento quanto maior for a informação a respeito do tema, melhor será para Roussef. Isso de um lado.

De outro, a simulação para um eventual segundo turno ao apontar 38 para Serra repete o percentual que ele alcançou ao perder para Lula em 2002. Há pouco falei em teto. Falo novamente. A impressão que tenho é que 38 pontos é o teto de Serra. Não passa calor humano, tampouco emoção. Faz tudo certo, a exemplo de Hillary Clinton na convenção do Partido Democrata. Só que não empolga e com isso não agrega, muito menos arrebata. Serra reflete a imagem do candidato distante e difícil. Sobretudo para si próprio.

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