Dilma Rousseff, à beira de um ataque de nervos

Dilma já está recorrendo aos palavrões…

Natuza Nery e Marina Dias
Folha

Agitada, andando em círculos e gesticulando muito, a presidente Dilma Rousseff olhou para os auxiliares e bradou, indignada: “Não sou eu quem vai pagar por isso. Quem fez que pague”. Ela estava furiosa. “Não devo nada para esse cara, sei da minha campanha”, afirmou, referindo-se às suspeitas lançadas pelo empresário Ricardo Pessoa sobre as doações à sua campanha à reeleição.

Batendo com força a palma de uma mão na outra, Dilma insistiu: “Eu não vou pagar pela merda dos outros”. Ela não disse a quem se referia, e ninguém achou que era conveniente perguntar.

A explosão de fúria da presidente ocorreu na noite da última sexta-feira de junho, dia 26, na biblioteca do Palácio da Alvorada, durante uma reunião convocada às pressas por Dilma para discutir as revelações de Ricardo Pessoa.

Dono da empreiteira UTC, ele aceitou colaborar com as investigações da Operação Lava Jato em troca de uma pena menor. O empresário diz que pagou propina e fez doações eleitorais para facilitar seus negócios com a Petrobras.

DIRETO COM EDINHO

Pessoa deu R$ 7,5 milhões para a campanha de Dilma no ano passado. Foi tudo declarado à Justiça Eleitoral, mas ele disse que só fez a contribuição porque tinha medo de perder seus contratos na estatal se não ajudasse o PT.

O empreiteiro afirmou que tratou da doação com o então tesoureiro da campanha de Dilma, o petista Edinho Silva, hoje ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto.

Pessoa também lançou suspeitas sobre uma doação eleitoral feita em 2010 a outro ministro de Dilma, Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, que naquele ano concorreu pelo PT ao governo do Estado de São Paulo.

Edinho confirma que se encontrou com Pessoa para tratar de doações na campanha, mas nega ter feito qualquer ameaça ao empreiteiro. Mercadante diz que todas as doações que recebeu de Pessoa foram declaradas à Justiça.

CULPA

Na noite de 26 de junho, a presidente reuniu-se no Alvorada com Mercadante, Edinho, o assessor especial Giles Azevedo e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o auxiliar sobre quem recaiu quase toda a culpa na reunião.

As revelações de Pessoa contribuíram para aprofundar a crise política enfrentada por Dilma. Nesta semana, ele deve depor ao Tribunal Superior Eleitoral, que conduz uma investigação sobre a campanha da reeleição.

Os relatos da conversa que a presidente teve com seus auxiliares em 26 de junho foram colhidos pela reportagem com testemunhas do encontro e petistas que souberam depois o que aconteceu.

Dilma cobrou Cardozo por não ter impedido que as revelações de Pessoa viessem a público dias antes de sua visita oficial aos Estados Unidos, num momento em que a presidente buscava notícias positivas para reagir à crise.

EM BAIXO CALÃO

“Você não poderia ter pedido ao Teori [Zavascki] para aguardar quatro ou cinco dias para homologar a delação?”, perguntou, referindo-se ao ministro que conduz os processos da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal).

“Isso é uma agenda nacional, Cardozo, e você fodeu a minha viagem”, acrescentou a presidente. Dilma embarcou no dia seguinte para os Estados Unidos, onde passou cinco dias e se encontrou com o presidente Barack Obama.

Cardozo tem sido cobrado por petistas por não controlar a Polícia Federal, que atua na Lava Jato e é subordinada ao Ministério da Justiça, mas tem autonomia operacional.

‘VAZAMENTO SELETIVO’

Na reunião com Dilma no Alvorada, um dos ministros reclamou que ninguém, nem a PF, nem o Ministério Público, parecia ter questionado Ricardo Pessoa sobre suas doações eleitorais ao PSDB.

Surgiu daí uma orientação para levantar nos registros da Justiça Eleitoral os valores das doações recebidas pelos tucanos, além da palavra de ordem adotada pelos petistas nos dias seguintes: “Vazamento seletivo”.

A presidente voltou a exibir irritação em outros momentos desde então. Nos Estados Unidos, ela comparou os delatores da Lava Jato a presos políticos que traíram os companheiros após sofrer tortura na ditadura militar.

9 thoughts on “Dilma Rousseff, à beira de um ataque de nervos

  1. Quanta invenção cenográfica em um texto tão curto. Poderia dar mais dramaticidade como por exemplo pegando o ministro Cardozo pelo colarinho, já que ele deveria censurar a PF, e não o fez.
    Ou então reclamar como é que PT, que está com a faca e o queijo na mão foi ganhar um milhão a menos do que o PSDB. Edinho seu incompetente!!!
    Já que é para avacalhar. . . .

  2. Muito interessante. “Eu não vou pagar pela merda dos outros”. “Não sei de nada, não devo nada”. Dillma acha que com palavras jogadas ao vento irá se fazer acreditar.
    Até pode ser que não tenha feito a “merda”, mas que se beneficiou, se sujou toda e ainda não conseguiu se limpar e tirar o cheiro, lá isto, também é verdade, sim!
    Santa mulher, ingênua, pura, quase virgem na política. Não sabia de onde viriam os milhões, MILHÕES para suas duas campanhas: eleição e reeleição.
    Deixa disso Dillma! Que os abobados petistas, amantes das mentiras e das vigarices continuem acreditando, é possível. Mas para aqueles que tem cabeça ou um pedaço dela, não existem mais desculpas aceitáveis.
    Na perda de peso que a presidente teve, também foram-se os restinhos de bom senso, da credibilidade e do ineditismo das desculpas esfarrapadas.
    Não importa se tomou parte ou não na arrecadação da “merda”. O que importa é que a usou, todinha! E o fedor continua forte, cada vez mais forte.

  3. Pois é! O caráter grosseiro e violento de uma terrorista guerrilheira, assaltante de bancos e torturadora assassina não muda nunca!!

  4. As empresas doam o maior volume de dinheiro a quem tem a caneta mão,
    no caso o governo, para não pegar mal doam também valores menores
    de acordo com tamanho do partido. Todos os grandes partidos recebem doações de campanha espontâneas, mas só o partido do governo tem poder de persuasão.
    Dá ou desce. .

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