Dilma Rousseff, depois da nova queda no Datafolha…

Pedro do Coutto

O título, os leitores e leitoras devem ter percebido, é inspirado na peça famosa de Arthur Miller exibida no Rio na década de 60 com Paulo Autran e Maria Dela Costa nos papeis principais. Mas se ajusta à posição em que se encontra a presidente Dilma Rousseff, revelada pela pesquisa do Datafolha na edição deste domingo da Folha de São Paulo, cujo conteúdo é traduzido na reportagem de Ricardo Mendonça. E não só no texto de Mendonça, mas também no artigo produzido por Mauro Paulino e Alessandro Janone na mesma edição do jornal. O primeiro revela descida da popularidade. O segundo acentua a subida do temor pela perda de emprego e recuo de salário. Vamos por etapas.

Ricardo Mendonça destaca que a desaprovação do governo Dilma, que em abril era de 60%, elevou-se agora em junho para 65%, enquanto sua popularidade positiva, que era de 13%, caiu para 10% no mesmo período de dois meses. Agora 24% consideram o governo regular. Mas achar regular, para este tipo de pesquisa, representa praticamente uma neutralidade, porque as afirmações importantes são sempre de ponta, delas podendo se extrair um coeficiente dividindo-se o maior pelo menor número. Este coeficiente é muito ruim para a presidente da República.

Mauro Paulino e Alessandro Janone, por seu turno, invocam o ângulo principal que levou ao resultado da pesquisa, pois para 73% do eleitorado o desemprego deverá aumentar. Na opinião de 63%, o pacote fiscal elaborado pelo ministro Joaquim Levy afeta mais intensamente as pessoas mais pobres. O temor do desemprego, na minha e na opinião geral é um fator que mais atinge o mercado de consumo que passou a abranger inclusive os supermercados com seus produtos de alimentação.

CRÍTICAS DE LULA

Vale acentuar um aspecto ainda mais preocupante sob o prisma político: a pesquisa do Datafolha foi concluída antes da publicação das críticas do ex-presidente Lula à presidente Dilma Rousseff, divulgadas na edição de O Globo de sábado. Claro que as restrições de Lula só podem ter contribuído para aumentar a velocidade do declínio do atual governo junto à opinião pública. Que poderá fazer Dilma Rousseff a partir desse momento? Não se sabe, ela própria também não deve saber

Porém, o fato é que se impõe uma imediata mudança de rumo, porque mantendo o rumo atual ela só poderá regredir, uma vez que a regressão está sendo configurada passo a passo pelos números do Datafolha. O dilema, contudo, é muito grande em face de que uma mudança de rumo colidiria com as posições da equipe chefiada por Joaquim Levy, que assim seria tragado e superado pelos acontecimentos. Porém quem o poderia substituir?

O abalo seria muito grande, refletindo-se até na posição brasileira diante do mercado internacional de capitais.

LEVY É UM PESO

Mas prosseguir com Joaquim Levy também representará um peso para as ações do Palácio do Planalto. É preciso levar em conta que a metade de 2015 está sendo alcançada e, com ela surgem as reivindicações salariais legítimas abrangendo os funcionários públicos e os trabalhadores da iniciativa privada, de modo geral, além dos servidores das empresas estatais.

É evidente que tais reivindicações, absolutamente justas implicam, como é natural em aumento da despesa, no momento em que a receita do governo não está conseguindo acompanhar os índices inflacionários oficiais. Tanto não está acompanhando que o Banco Central elevou os juros da Selic justamente para captar mais recursos financeiros no mercado. Com a inflação de 8,2% nos últimos 12 meses, os juros produzidos pela Selic atingem um nível real de 5,5 pontos.

AUMENTOS SALARIAIS

Como serão resolvidos os problemas salariais decorrentes do aumento do custo de vida? São enigmas colocados na mesa do Palácio do Planalto, mesa esta dividida agora pelas correntes pré e pós o pronunciamento de Lula criticando a atuação do governo.

Que poderá fazer Dilma Rousseff diante da encruzilhada? Por qual caminho conduzirá a sua administração a partir de agora? São perguntas para as quais a população brasileira aguarda respostas urgentes. O governo encontra-se fortemente abalado. Necessita restabelecer seu equilíbrio e adotar um rumo positivo. E isso de forma bastante rápida. Inclusive o país espera um pronunciamento efetivo da presidente da República em relação as palavras que refletiram o pensamento de seu antecessor.

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