Dilma segue arrebatando votos que eram de Serra

Pedro do Coutto

Fazendo-se uma análise objetiva e não partidária das recentes pesquisas do Datafolha, Ibope, Vox Populi e agora também a do Sensus, verifica-se, não só a convergência de todas elas em apontar ampla dianteira de Dilma Rousseff sobre José Serra, mas especialmente uma tendência para  cima da ex-chefe da Casa Civil e uma baixa para o ex-governador paulista. Estes dois enfoques a meu ver já são suficientes para que se possa sustentar a vitória de Rousseff, no primeiro turno, atingindo portanto a maioria dos sufrágios válidos. Ou seja: as intenções nominais de votos, excluindo-se aqueles que anunciam hoje sua disposição de anular o voto ou votar em branco.

Mas há também os que se dizem indecisos. Estes, como assinalei no meu livro “O Voto e o Povo”, somente se decidem quando a campanha ganha nítido caráter de competição esportiva. Melhor dizendo, quando a disputa se desenha como um jogo de futebol, esporte eternamente inscrito na história das paixões. A política é também apaixonada, como aconteceu nas eleições de 60, entre Jânio e Lott, e nas de 89, colocando em confronto Fernando Collor e Lula. E como não está ocorrendo nesta campanha, como assinalou o historiador Marco Antonio Villa, em artigo publicado a 25 na Folha de São Paulo.

Confesso que não estava disposto a escrever por estes dias sobre pesquisas já que tenho abordado o tema que, sem trocadilho, temia cansar os leitores. Entretanto, a reportagem de Daniel Bramati sobre o levantamento do Instituto Sensus, O Estado de São Paulo também de quarta-feira, me fez mudar de ideia. Lendo o texto e confrontando os números do Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus, além das convergências a que me referi há pouco, identifiquei algo importante a acrescentar. Vamos lá. Todas as pesquisas focalizam movimentos ascendentes para Dilma e descendentes para Serra. Isso de um lado.

De outro – aí é que está a explicação –  a subida da ex-ministra não é resultante dos indecisos e dos que pretendem esterilizar o voto. Não resulta também de qualquer recuo expressivo de Marina Silva. Esta, para o Sensus, continuou com 8%. Como as parcelas na podem exceder a 100, os avanços mais significativos de Rousseff só podem vir de um lugar: do estoque antes com Serra. Analisar números é assim. De passo em passo, descobrem-se novos detalhes. Eis aí: para o Sensus, Dilma subiu de 41 para 46. Serra recuou de 31 para 28, Marina permaneceu com 8, Eymael e os demais ficaram com 1 ponto. Os que vão anular e indecisos somaram 17. Portanto a única tradução da transferência verificada situa-se na passagem de votos que eram de Serra e passaram para Dilma. Não pode haver outro caminho. Sem dúvida, dos 17 flutuantes, oito vão anular mesmo, é sempre assim. Mas a parcela de 9 vai se dividir entre os três mais votados de maneira proporcional ao quadro de hoje. Confirmado o processo, Dilma Rousseff estará eleita no primeiro turno.

Mas me referi ao artigo de Marco Antonio Villa na FSP. Para ele, não está havendo política nesta campanha. Não concordo. Política haverá sempre onde estiver o ser humano. O que não está havendo é o entusiasmo de 60 e 89. E principalmente por quê? Porque Serra gelificou o confronto, sobretudo quando exalta a figura de Lula a seu lado na mensagem que está veiculando  das oposições na televisão.

Assim não há calor que agüente.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *