Dilma submetida a testes

Carlos Chagas
                                                
São de teste as primeiras semanas de quem ocupa o palácio do Planalto. Todo mundo quer testar o cidadão ou agora cidadã, uns com  boas intenções, outros com péssimos propósitos. Todos querem saber como Dilma Rousseff se comportará em situações de crise, diante de inusitados ou de  questões não resolvidas. Em especial quando a presidente da República assumiu precedida da fama de ser irascível, áspera e intolerante com o erro dos outros.
                                                      
O general chefe do Gabinete de Segurança Institucional, consciente ou por acaso, foi o primeiro a submetê-la a uma prova,  referindo-se de público  aos  anos de chumbo,  em defesa da corporação castrense. Levou uma reprimenda, ainda que se imaginasse coisa pior, dado o passado da presidente.

O PMDB foi para a geladeira, depois de exigir mais cargos na administração federal. O ministro da Fazenda engoliu a previsão de que ela vetaria aumento no salário mínimo superior à proposta do Lula.
                                                      
Agora, quem submete a chefe do governo a novo teste é o MST. Foram antecipadas para janeiro a invasões de terra programadas  para abril. João Pedro Stédile e sua orquestra iniciaram a temporada no Nordeste e prometem ampliá-la para outras regiões. Fará o quê,  Dilma Rousseff?
                                                      
Poderá repetir o antecessor, fechando os olhos e afirmando que o problema da preservação da ordem nos estados é dos governadores. Como não possui propriedades rurais não  deverá imitar Fernando Henrique, que mandou o Exército desocupar sua fazenda invadida pelos sem-terra.        
                                                      
Trata-se de mais um teste, aguardando-se o resultado.

VAMOS COBRAR PELOS PUNHAIS?

Em 1938, às vésperas do malogrado golpe integralista contra  Getúlio Vargas, a Itália de Mussolini havia enviado milhares  de punhais aos seguidores de Plínio Salgado, que os distribuíram a simpatizantes no Sul do país. Era para serem usados contra os comunistas e outros adversários, caso tivesse dado certo a deposição e morte do presidente, no assalto ao palácio Guanabara. Tratou-se de intromissão solerte e indevida do governo italiano na política interna brasileira, que ficou  sem reação de nossa parte.
                                                      
Vamos agora cobrar satisfações desse Mussolini redivivo que   exerce  o poder em Roma? Levar o governo italiano à Corte Internacional de Haia, exigindo desculpas e indenizações?
                                                      
Mais ou menos assim ficará o caso Battisti, diante dos protestos do primeiro-ministro  Berlusconi. Pode queixar-se até ao Papa, mas não será por aí que conseguirá a extradição do suposto assassino.

A VOZ DOS GROTÕES

Dos 523 deputados, 295 foram reeleitos. Os novos somam 218. A maioria, de 257, continua  dominada pelos mais experientes, aqueles que,  fora as exceções  de sempre,  pensam primeiro antes de manifestar-se. Tudo leva a crer que Marco Maia será eleito presidente da Câmara, tendo em vista o acordo entre PT e PMDB.

Só que tem um problema, acima e além das seqüelas partidárias: os novos estão como potrinhos pela primeira  vez soltos no campo. Na ponta dos cascos para aparecer, mostrar-se e exercer a parcela de poder que lhes cabe. Formam os grotões de que falava Ulysses Guimarães, geralmente sentados do meio para o fim do plenário, sem repercussão na imprensa mas tentados a votar em bloco. É para eles que se voltam Aldo Rebelo e Sandro  Mabel, candidatos não declarados mas já contestando a escolha feita pelas  cúpulas dos dois maiores partidos nacionais. Seria bom Marco Maia tomar cuidado.

NÃO AGUENTA MAIS

Não se trata de informação, mas apenas da previsão de amigos mais chegados ao ex-presidente Lula: ele não aguenta mais ficar tomando sol na praia do Forte dos Andradas, no Guarujá. Deve estar dando nos nervos dele a rotina de dez dias de ócio ao lado da família, mais a presença de seguranças e pessoal de apoio, sem ter o que fazer. Como nunca foi dado a livros, a leitura não estará sendo seu passa-tempo. Pescar não dá, naquele mar  permanentemente cortado por lanchas. Comer bem e tomar suas cervejinhas tem limite. Estaria próxima a antecipação do fim das férias.

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