Dilma também aprovou compra de refinaria japonesa com cláusulas idênticas ao escândalo de Pasadena. E agora?

Ricardo Brito
Agência Estado

Líderes de partidos de oposição afirmaram que a situação da presidente Dilma Rousseff se “agrava” com a revelação, publicada neste sábado, 22, pelo jornal O Estado de S. Paulo, de que a então presidente do Conselho de Administração da Petrobras tinha conhecimento de uma das cláusulas na compra de parte de uma refinaria no Japão em 2007.

Ao contrário do caso japonês, Dilma disse que desconhecia a existência da cláusula Put Option, que obriga uma das partes da sociedade a comprar a outra em caso de desentendimento, quando aprovou a aquisição de parte da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), um ano antes.

Em texto assinado pela Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto e encaminhado ao jornal, Dilma disse ter autorizado a compra da refinaria japonesa Nansei Sekiyu com base num “resumo” elaborado pela diretoria internacional da Petrobras, na época comandada por Nestor Cerveró, no qual “está referida a existência de cláusulas contratuais que materializaram o Put Option, bem como as informações técnicas correspondentes”.

No caso da refinaria de Pasadena, a presidente havia informado ao Estado que o resumo que recebeu do mesmo Cerveró, demitido ontem de um cargo de diretor na BR Distribuidora, era “falho” e omitia condições do contrato como as cláusulas de Put Option e Marlim (que garantia à sócia da Petrobras um lucro mínimo independentemente da situação do mercado). Ela informou que, se soubesse das cláusulas, não apoiaria o negócio.

Em 2012, a estatal pagou US$ 1,18 bilhão por toda a refinaria de Pasadena, que, sete anos antes, havia sido negociada por US$ 42,5 milhões à ex-sócia belga. A compra da unidade está sob investigação do Tribunal de Contas da União, Polícia Federal e Ministério Público Federal. A oposição vai se reunir na próxima semana para decidir se apoia a criação de uma CPI para investigar a transação.

DILMA COMPROMETIDA

“Eu acho que, diante do fato posto, qualquer tentativa de explicação só agrava a situação”, afirmou o vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR). “Falar que não sabia dos detalhes, compromete. Falar que sabia, compromete também. Não tem alternativa para o governo não ter tomado nenhuma providência para apurar os fatos desde o final de 2012 e demitir os responsáveis”, completou o tucano, referindo-se à falta de respostas ao pedido de explicações que apresentou sobre a operação de Pasadena.

Para o presidente e líder do DEM no Senado, Agripino Maia (RN), a revelação de que um ano depois, em uma operação semelhante, Dilma avalizou uma operação com a cláusula Put Option só reforça a necessidade de se apurar o caso da refinaria comprada pela estatal nos Estados Unidos.

“Em jogo, está a palavra da presidente da República. É um jogo gravíssimo”, afirmou Agripino. “É um assunto grave e impõe esclarecimentos sob pena de alguém estar mentindo. A coisa está a cada dia que passa mais enrolada, mais cheia de mistério”, completou.

12 thoughts on “Dilma também aprovou compra de refinaria japonesa com cláusulas idênticas ao escândalo de Pasadena. E agora?

  1. Vai começar o período dos escândalos. Cada qual maior que o anterior. Mas, MAS, o eleitor brasileiro já está vacinado. Sabe que é só e somente campanha eleitoral do PIG.

  2. Resumo da história da refinaria REFINARIA d pasadena: diretor da petrobras q efetuou o negocio esteve sempre amparado pela máquina do gov federal. em um país um pouco mais sério (EUA) estariam todos presos. em 1 país + rígido (china) seriam todos executados sumariamente sem mais

  3. Valho-me de Hélio Fernandes, que registra em seu blog, a seguinte e gravíssima informação:

    “… Os fatos se acumulam a respeito do escândalo da compra pela Petrobras, da refinaria de Pasadena, nos EUA. Diante do que o jornal Estado de São Paulo revelou SEM CONTESTAÇÃO e o que comentei aqui na quinta e na sexta, ontem, é impossível dizer, “a crise do escândalo se agravou”. Não pode mais se agravar, já começou no fundo do poço, como retirar a Petrobras lá do fundo onde a colocaram?

    Novos personagens, confirmação dos comentários

    O primeiro a vir a público, antes mesmo de Dona Dilma, foi o empresário Gerdau. Pertencia aquele Conselho da Petrobras, continua pertencendo, com um fator complicador, não para ele. Agora, além de continuar no Conselho, é conselheiro pessoal da presidente, requisitado sempre.

    “Todo o Conselho ficou contra”

    Sua declaração é simples, taxativa, ultrajante para Dona Dilma, que presidia o Conselho da Petrobras e chefiava a Casa Civil. Mais poderosa do que esses para vetar o contrato de compra da refinaria inútil, indispensável aqui, perdulária e extravagante, lá.

    Se como afirmou empenhando sua palavra, o empresário garantiu que assim que o projeto de compra da refinaria apareceu, TODOS os conselheiros ficaram CONTRA, por que Dona Dilma resolveu bancar sozinha essa compra aviltante e desmoralizadora?…”

    E agora?
    O que dirão os defensores da “gerentona”?
    O que vão fazer para “blindá-la”, como tem sido a maior ocupação ultimamente dos petistas com relação aos seus dois “lideres”:
    Esconder de qualquer maneira seus erros e equívocos, suas incompetências e incapacidades?
    Seus objetivos agora nítidos em destruir esta Nação e nos moldar às determinações de uma ideologia retrógrada, podre, funesta?

  4. Sr. Bendl, que Deus de muita saúde e vida ao Helio, e parabéns, pela tua informação a todos nós, que pensamos e agimos, dentro de nossas possibilidades, para termos um BRASIL SÉRIO E JUSTO.
    A cada um segundo suas “OBRAS” e “pagarás até o “último Ceitil”, alerta de 2 mil anos, e chegará o dia da separação do “Joio do Trigo”, este dia estamos vivendo, acreditemos ou não, e nossa consciência, nos julgará, além túmulo.
    Façamos nossa parte, de forma DIGNA, para isso estamos no MUNDO.

  5. Então, o Gerdau foi contra. Mas, continuou como conselheiro dela junto com outros pesos pesados da economia e agora quer se isentar. Por que não fez como o Lessa, que discordou do Lula e se mandou do BNDES? Esse Gerdau é manjado desde que adquiriu a COSINOR num leilão de privatização e a canibalizou. Joga na mesma seleção das grandes empreiteiras do país, como a Camargo Correa agora flagrada pela PF com doleiro. Podem anotar. O doleiro vai SIFU. Duvido que o mesmo ocorra com a empreiteira.

    • Independente de ter saído ou não do conselho da Petrobrás, Gerdau informa que TODOS os conselheiros vetaram a compra da refinaria, e que a presidente Dilma teimou em comprá-la.
      Mais a mais, Gerdau é um industrial, que não se percebe depender do governo para seus negócios como constatamos com as empreiteiras, que permanentemente são obrigadas a dar “comissões” para os parlamentares ou membros do Executivo quando vencem as licitações.
      Há uma diferença abissal neste caso com o exemplo que citaste, Laco, a meu ver.

  6. Não se percebe? Então pesquise sobre seu relacionamento com o Nelson Jobim no episódio da COSINOR e no CADE nos anos 90. Ele é um dos donos do poder. Os presidentes da República são GERENTES dos donos do poder. Ainda não percebeu?

  7. Nesse negócio macabro e danoso à Petrobrás também constou cláusula que a Ciência do Direito não aceita, no mundo todo. É a chamada “Cláusula Potestativa”, em que se deixa ao arbítrio de uma das partes o poder, comando, disposição e solução do contrato. Ninguém do jurídico da empresa e/ou do governo reparou isso?
    Jorge Béja

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