Dilmismo no maior que petismo: apenas, diferente

Dilmismo no maior que petismo: apenas, diferente

Carlos Chagas

Sem ser monumental, muito menos cercada de confetes e lantejoulas, parece de singular importncia a festa dos 31 anos de criao do PT, no prximo 10 de fevereiro, em Braslia. Menos porque Dilma Rousseff e o Lula se encontraro formalmente, j que de forma reservada elesvem conversando, mais porque a presidente da Repblica ter oportunidade de fazer denso pronunciamento, o primeiro em seguida a seu discurso de posse.

Dilma poder definir os limites do seu relacionamento com o partido, j que apesar da lua-de-mel vivida at hoje, so quantidades distintas. O PT tem conscincia de que, sendo governo, no o governo. Procura ampliar seus espaos, at obtendo sucesso, mas estar em plena temporada de preenchimento dos cargos de segundo escalo, se a presidente no a tiver prorrogado para mais tarde.

Espera-se dela, na ocasio, uma palavra de carinho para os companheiros, mas, no reverso da medalha, e com ternura, uma espcie de chega para l. Sabe que para o sucesso de seu mandato precisar evitar a impresso de que o PT tomou o poder, impresso que alguns lderes mais aodados procuram transmitir. Em especial a bancada de deputados federais, agora a maior na Cmara, e alguns senadores recm-eleitos, imaginam-se condminos do governo, coisa que no verdade.

Ciosa de sua obrigao de ser a presidente de todos os brasileiros, Dilma jamais ignorou a necessidade de evitar a impresso de estar sendo manipulada pelos companheiros. No h nem haver partido nico em sua gesto, mesmo enfrentando dificuldades muito superiores s que o Lula enfrentou, por conta da popularidade dele.

O lulismo sempre foi maior do que o petismo, e o dilmismo precisa, ao menos, ser diferente. Traduzindo: quem manda ela, ou assim pretende que seja. De olho nessa operao complicada esto o PMDB, o PSB e penduricalhos, para os quais tudo se resume no nmero de cargos postos disposio do conjunto.

ANJOS DA GUARDA?

De Belo Horizonte chegam informes referentes ao encontro de Antnio Anastasia com Dilma Rousseff, semana passada. Talvez nem precisassem ter falado, mas a verdade que vivem situao parecida. O governador mineiro deve seu passado, seu presente e at seu futuro ao hoje senador Acio Neves. Sua fidelidade infinita. Vale o mesmo para a presidente da Repblica com relao ao Lula.

No entanto… No entanto, so os atuais detentores do poder federal e estadual. Possuem viso clara do relacionamento umbelical com seus criadores, mas jamais dispostos a abrir mo de sua autoridade e de seu comando. Complicada a equao, tambm na dependncia da postura de Acio e do Lula. Eles no podem passar de, no mximo, mostrar as asas de anjos da guarda, mesmo assim deixando o livre arbtrio por conta de seus protegidos.

At agora, diga-se, ex-governador e ex-presidente tem-se comportado exemplarmente, sem exteriorizaes ou sequer comentrios a respeito da performance de seus sucessores.

ESTICANDO A CORDA

O ministro da Fazenda, o general chefe do Gabinete de Segurana Institucional, o ministro da Defesa, o ministro da Educao… At agora eles receberam reprimendas tornadas pblicas e foram contrariados em declaraes e diretrizes, pela presidente Dilma Rousseff, mas permaneceram em seus cargos. J o indigitado Pedro Abramovay viu-se catapultado do segundo escalo, da Secretaria Nacional de Polticas sobre Drogas.

A chefe do governo no hesita em esticar a corda, nesse cabo de guerra com seu prprio ministrio. Aguarda-se quando acabar dispensado o primeiro ministro da equipe, se dispuser de pavio curto ou se seu pecado tiver sido mortal, no venial.

MENTIRAS

Em poltica externa todos mentem, fora raras excees. O problema que uns mentem para esconder suas deficincias e seus defeitos, enquanto outros mentem para acobertar suas virtudes e qualidades.

O Brasil, desde a Nova Repblica, tem sido exemplar na salvaguarda dos direitos humanos, no respeito pela liberdade do indivduo, no culto s diversidades ideolgicas. J o Ir prima por exaltar a censura, a imposio do pensamento nico e a dominao das massas por uma s diretriz.

Por que precisamos, ento, ignorar as mazelas daquele regime e omitir, no relacionamento com Teer, as qualidades do nosso, aqui vigentes? O princpio da autodeterminao dos povos sagrado, mas o respeito verdade, mais ainda…

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