Dinheiro aplicado em fundos vai migrar para a Bolsa, mercado futuro, derivativos e nova poupança

Carlos Newton

Agora que a poeira está baixando, os cálculos preliminares mostram que cerca de R$ 100 bilhões das economias dos brasileiros, aplicados em fundos de investimento conservadores, vão render menos do que a poupança a partir do próximo dia 30, quando o BC deve reduzir os juros para 8,5% e a caderneta começar a render 5,95% (70% da taxa Selic) ao ano.

A pedido da Folha, o economista Rafael Paschoarelli, professor da USP, fez um estudo revelando que 25,8% dos R$ 387 bilhões aplicados em fundos DI, de renda fixa e de curto prazo oferecidos pelos bancos renderiam mais se estivessem na poupança.

O levantamento trabalha com a TR a zero, cenário mais provável a partir de junho, e desconsidera os fundos fechados e os voltados a investidores profissionais.

Ao todo, são 205 fundos dos 531 dos mais populares que cobram a partir de 1,28% ao ano de taxa de administração – comissão cobrada pelos bancos para cuidar do dinheiro dos clientes.

Com essa taxa, os fundos terão rendimento líquido de 5,83% em um ano, considerando Imposto de Renda de 17,5% (alíquota para resgate em 361 dias). Ou seja, menos do que os 5,95% previstos para a nova poupança.

Segundo Paschoarelli declarou ao repórter Toni Sciarretta, a alíquota de 17,5% do IR é a mais indicada na comparação com a poupança em um ano por ser também usada pelos bancos para recolher o imposto devido.

“Esses fundos devem perder para a poupança. Devem, porque vários deles vão fazer algo para render um pouco mais. Possivelmente, deverão comprar títulos de empresas privadas, que rendem mais, porém também têm risco maior”, disse Paschoarelli.

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O QUE VAI ACONTECER?

Isso não significa que os bilhões vão migrar para a poupança. Parte desses investimentos já está até migrando, desde o mês passado, quando surgiu a informação sobre a alteração no rendimento da caderneta de poupança.

Mas grande parte do dinheiro dos fundos vai ser aplicada em outras alternativas, como mercado futuro, derivativos e sobretudo a Bolsa de Valores. O que se sabe é que os bancos estão sendo duramente atingidos.

Quanto à expansão do crédito, pretendida pelo governo, acabará acontecendo, porque o negócio dos bancos é justamente esse. O que falta hoje são clientes, porque a tal de nova classe média está bastante endividada.

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