Dirceu aparece na novela de Silvio Santos sobre a luta armada, mas não consegue elevar a audiência. Se tivesse contado como se deu a salvação do Banco PanAmericano, bateria recordes no Ibope.

Carlos Newton

Já foi ao ar, no encerramento de um dos capítulo da sensacional novela “Amor e Revolução”, do SBT, o depoimento gravado pelo ex-ministro José Dirceu sobre sua prisão pela ditadura, em 1969, e os períodos em que viveu exilado em Cuba e, depois, clandestino no Brasil.

Como se sabe, essa novela exaltando a luta armada contra a ditadura militar de 1964 a 1985 não foi feita visando a ter audiência, e certamente é por isso mesmo que ninguém assiste. O objetivo de Silvio Santos foi apenas  retribuir a gentileza do então presidente Lula, que prontamente atendeu ao simpático apresentador e empresário da comunicação, quando ele esteve no Planalto, em setembro de 2009, e lhe pediu que socorresse o Banco PanAmericano, que estava tecnicamente falido.

Por coincidência, mera coincidência, é claro, apenas dois meses depois da visita de Silvio a Lula no Planalto, a Caixa Econômica Federal anunciou a compra de 35,54% do capital social do banco PanAmericano. O valor da operação foi de R$ 739,2 milhões e envolveu a aquisição da participação acionária representativa de 49% do capital social votante e de 20,69% das ações preferenciais do PanAmericano.

Recapitulando: os R$ 739,2 milhões da Caixa foram a primeira ajuda. Não adiantou nada. Depois, já em 2010, o Fundo Garantidor de Crédito (órgão criado por bancos privados e estatais, incluindo a própria Caixa, para evitar quebradeiras) entrou com mais R$ 2,5 bilhões. Também não adiantou. O Fundo então aumentou sua operação de socorro para cerca de R$ 4 bilhões. E não adiantou nada, mais uma vez.

Até que, no dia 11 de fevereiro deste ano, veio a então prestimosa presidente da Caixa, Maria Fernanda Gomes Coelho e anuncioua que o banco estatal vai injetar mais R$ 10 bilhões no PanAmericano, que já tem como controlador o BTG Pactual. Portanto, lembrando outro famoso apresentador de TV, Jota Silvestre, poderemos dizer que, no buraco negro do PanAmericano, só “o céu é o limite”.

Por coincidência, depois que esse escândalo foi noticiado (e logo abafado), Maria Fernanda Gomes Coelho perdeu a presidência da Caixa, mas “caiu para cima”. O governo imediatamente lhe arranjou uma bela mordomia. E a incansável executiva vai representar o Brasil no Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), em Washington, ganhando em dólar.  

Mas não foi por mera coincidência que Silvio Santos teve a idéia de fazer uma novela exaltando a luta armada dos guerrilheiros contra o regime militar. É que agora Silvio Santos é da esquerda e por isso coloca no ar o samba-exaltação da luta armada, a novela “Amor e Revolução”. Por coincidência, mera coincidência, já gravou depoimento a militante Rose Nogueira, que dividiu a cela no Dops com a presidente Dilma Rousseff. E na semana passada foi a vez de José Dirceu.

Fica faltando agora o depoimento do próprio Silvio Santos, um dos maiores capachos da ditadura militar, que mantinha os telejornais de sua televisão sob implacável censura interna, que nada tinha vez com a censura exercida pela Polícia Federal em outros órgãos de comunicação. Na TV de Silvio Santos, a censura era exercida pessoalmente por ele ou pelos diretores da emissora.

Aliás, ele nem  parece mais com aquele simpático apresentador que todo domingo exibia em seu programa o longo e chatíssimo quadro “A Semana do Presidente”, para enaltecer os feitos do então inquilino do Planalto, o general João Figueiredo. Agora, Silvio Santos é petista desde criancinha. De semelhante com o apresentador-exaltador dos tempos da ditadura, só restou aquele sorriso falso e bolorento.

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