Discurso na ONU: Bolsonaro defenderá atuação na pandemia e rebaterá críticas sobre inércia em questões ambientais

Charge do Iotti (gauchazh.clicrbs.com.br)

Jussara Soares
Estadão

Pressionado por organizações internacionais pelas queimadas recordes na Amazônia e no Pantanal, o presidente Jair Bolsonaro usará o discurso de abertura nos debates da 75ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), amanhã, dia 22, para rebater críticas de que o governo brasileiro segue inerte na questão ambiental. Bolsonaro, mais uma vez, deve afirmar que há uma perseguição contra o Brasil.

Em seu pronunciamento, o presidente também argumentará a favor da atuação de seu governo no enfrentamento à covid-19, que adotou diretrizes contrárias às recomendações de autoridades sanitárias. Bolsonaro tem repetido que o País, que registra mais de 136 mil mortes pelas doença, foi um dos que melhor enfrentou a crise.

PARTICIPAÇÃO REMOTA – A segunda participação de Bolsonaro na convenção ocorrerá de modo virtual por causa da pandemia do novo coronavírus. A fala é cercada de expectativa após uma estreia, no ano passado, considerada agressiva. Depois de ajustes pedidos pelo presidente, o discurso foi gravado na última quarta-feira, e enviado no dia seguinte para a organização da Assembleia-Geral. O Estadão teve acesso a um texto preliminar com diretrizes para o pronunciamento de Bolsonaro.

Na tentativa de demonstrar que não está indiferente à questão ambiental, o líder brasileiro deve mencionar que ele mesmo designou o vice-presidente Hamilton Mourão para estar à frente do Conselho Nacional da Amazônia, citando “mobilização de recursos para controlar o desmatamento, combater atividades ilegais e o crime organizado na Amazônia”.

Bolsonaro deve alegar ainda que o Brasil tem avançado na implementação da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável da ONU. No discurso, deve destacar que a preservação ambiental tem que seguir junto com o desenvolvimento econômico.

PROJETOS – A expectativa é que o presidente cite que o governo tem trabalhado para atrair financiamento para projetos na floresta para benefício das 20 milhões de pessoas que vivem na região. Bolsonaro deve enfatizar ainda a agricultura brasileira, que exporta para mais de 180 países, e pedir o fim de barreiras comerciais. No texto-base, o presidente argumenta que a eliminação de barreiras é necessária para alimentar bilhões de pessoas sem alimentos adequados.

O recorde de desmatamento na Amazônia tem afetado diretamente o agronegócio. Como revelou o Estadão, na semana passada, uma coalizão inédita formada por 230 organizações e empresas ligadas às áreas do meio ambiente e do agronegócio enviou ao governo federal um conjunto de seis propostas para deter o desmatamento que destrói a Amazônia.

CONDOLÊNCIAS – No discurso da ONU, Bolsonaro deverá afirmar que fez esforços para salvar vidas sem ignorar os custos sociais e econômico. No texto preparado para orientar o discurso de Bolsonaro, há uma sugestão de que o presidente brasileiro expresse suas condolências às famílias afetadas pela doença e agradeça esforços dos profissionais de saúde. Desde o início da pandemia, Bolsonaro fez raras menções às vítimas do coronavírus. O tema, por exemplo, foi ignorado em seu pronunciamento de 7 de Setembro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBolsonaro poderá dizer que atuou no combate à pandemia, mesmo após considerá-la uma “gripezinha” e em nenhum momento ter demonstrado solidariedade com as milhares de vítimas da pandemia. Além disso, caso não encontre alguma justificativa para comprovar a sua preocupação com a questão ambiental, poderá apelar para comparativos com outros países que não cuidam dos seus “quadrados” e deixam a “boiada” passar, tal e qual ocorre em terras tupiniquins. Em tradução simultânea, o discurso é previsível e será recheado apenas de “mais do mesmo”, com ataques e fantasia. Nada mais. (Marcelo Copelli)

3 thoughts on “Discurso na ONU: Bolsonaro defenderá atuação na pandemia e rebaterá críticas sobre inércia em questões ambientais

  1. O nosso Idiota deve ter aprendido a mentir como o seu ídolo americano Trump. Este chegou a afirmar, repetindo Geroge Orwell: “Just remember: What you’re seeing and what you’re reading is not what’s happening.”
    Cada louco cria e acredita na realidade que lhe apraz.

  2. Será que o Bozo covardão vai ter coragem de dizer na ONU que a Covid-19 é só uma “gripezinha”?

    Bem, sabendo-se que o Bozo só é machinho aqui no Brasil para agradar os gados pingados dele, acredito que ele nem vai caracterizar a Covid-19 como “gripezinha”

  3. Ninguém vai prestar atenção ao discurso do Avestruz. É preciso entender que o Brasil é percebido nos USA como um entre muitos paises latinos. Recentemente o meio-ambiente deu foco ao nosso país, mas no mau sentido. Se perguntarem que é Bolsonaro a um transeunte em New York, aposto que vai confundir com comida italiana.

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