Disfarçada de imposto digital, CPMF atinge salários, poupança e até ações na Bovespa

Se criada, CPMF afetará mais as classes de baixa renda; entenda ...

Charge do Diemer (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Marcelo Correa e Manoel Ventura, O Globo de hoje, destaca muito bem a afirmação do ministro Paulo Guedes de que a reforma que pretende não aumentará a carga tributária, apenas vai reduzir a burocracia no campo dos impostos. Ninguém, digo eu, acredita nisso, simplesmente porque se não fosse para arrecadar mais para que serve a criação do novo tributo.

É fantástica a vocação de ficcionista do ministro da Economia, que no governo Bolsonaro encampa as antigas pastas da Fazenda, da Previdência Social e do Trabalho, como definiu a jornalista Cristiana Lobo, da GloboNews.

SÃO TRÊS TEXTOS – Num artigo também em O Globo de hoje, Carlos Alberto Sardenberg focaliza à luz da lógica a proposta tributária de Paulo Guedes e conclui que ela ainda não existe. O ministério da Economia ainda não definiu e redigiu o texto integral que o governo pretende enviar ao Congresso. No Legislativo já existem dois projetos tramitando, um na Câmara outro no Senado. Assim, a ideia do governo terá de ser discutida após uma comparação entre os três textos.

É claro que o projeto Paulo Guedes aumenta os impostos, como definiu Adriana Fernandes na edição de ontem em O Estado de São Paulo. Além de atingir os salários, os depósitos e saques da poupança e as ações em jogo na Bolsa de Valores de São Paulo, a proposta de Paulo Guedes atinge inclusive os profissionais liberais na medida em que eles recolhem tributos e tais recolhimentos, cada um deles, serão taxados em 0,2%.

CRÉDITO E SAQUES – Relativamente aos salários – acentuo –, a taxação ocorrerá no momento do crédito e também nos saques que os trabalhadores e funcionários públicos fazem todos os meses. Portanto, observa-se por aí a incidência múltipla e cumulativa que surge junto com o novo imposto. Como sempre Paulo Guedes, voa na fantasia.

AUXÍLIO EMERGENCIAL – O presidente Bolsonaro – matéria de Gustavo Maia, Manoel Ventura e Marcílio Correia, O Globo – afirmou ontem que não vai dar para continuar o auxílio emergencial de 600 reais por mês. Essa despesa poderá ir só até dezembro, uma vez que segundo o presidente da República, com base nos cálculos do Ministério da Economia custa 50 bilhões de reais por mês, para mim tal montante poderá ser reduzido se, afinal de contas, o ministério da Economia identificar as fraudes e os pagamentos a quem os 600 reais não se destinam. É o caso de militares, grupos da PM, e até pessoas cujos vencimentos chegam a 20 mil reais mensais.

O Conselho Monetário Nacional reduziu ontem a taxa Selic de 2,25 para 2%. A decisão refletirá nos juros para rolar a dívida interna que se eleva a 6 trilhões de reais, quase 5 trilhões na área federal e o restante nos estados.

JUROS NEGATIVOS – Com isso as notas do Tesouro Nacional que lastreiam a dívida interna, essa a qual me referi acima, perderão para o índice inflacionário, o que representa o que os economistas chamam de juros negativos. O reflexo, a meu ver, deve envolver a Bolsa de Valores.

Investimentos de risco são os únicos que podem superar a desvalorização da moeda a cada 12 meses.

7 thoughts on “Disfarçada de imposto digital, CPMF atinge salários, poupança e até ações na Bovespa

  1. KKK é mesmo para rir, juro negativo, soa como piada e só pode ser mesmo uma piada. Em um mundo real ninguém empresta para receber menos do que emprestou. Como sou vacinado contra especulação e jogatina, da B3 mantenho distância apesar dos apelos do meu filho mais velho, macaco velho não mete a mão em cumbuca. Sou como cachorro mordido por cobra, que tem medo de linguiça, só aposto na certeza, ou seja, não aposto.

  2. CPMF foi inspirado no Coronavírus; tem efeito cumulativo, porque se propaga exponencialmente!

    CPMF: Caixinha para Patrocinar Milícias e Facções.

    CPMF: Contributo para Provimento de Messias e Filhotes.

  3. OS VELHOS CORONÉIS da velha política do café com leite, p.ex., custavam mais barato ao erário e ao lombo do contribuinte do que os novos coronéis da direita, da esquerda e do centro. E a conta não é difícil de fazer, é aritmética simples. Antigamente, os coronéis no período das eleições, como eles mesmos diziam, colocavam um pouco de sal nos coxos para os seus gados, davam a cada um deles antes das eleições um pé de botina, o pé direito, e só depois, se vencedores, entregavam o outro pé, o esquerdo, e assim ficava mais fácil e mais barato para cada coronel marcar e controlar o seu gado, inclusive durante a ditadura militar. E assim a cooptação assistencialista eleitoral ficava mais em conta para o erário e, sobretudo, para o contribuinte. Fato esse, indecoroso, que indignava profundamente as alas oposicionistas, ditas progressistas, cujo entendimento era o de ensinar a pescar ao invés de dar o peixe pronto para o potencial eleitor comer. Todavia, com a chegada das alas ditas progressistas ao poder descobriu-se que na verdade só ideias, discursos e promessas não enchiam barrigas e que não seguram por muito tempo a fidelidade eleitoral. Foi ai que Sarney, Collor, Itamar e CIA, começaram a abrir a regulagem do assistencialismo eleitoral, até que FHC, finalmente, chegou ao topo do poder central da república e começou a liberar geral, fazer uma festa de arromba, virou mito, e de quebra, já na condição de dono da república, inventou até a reeleição para presidente, na cara dura, em benefício próprio. E dai veio o Lula, pisou fundo no acelerador do legado de FHC e tb virou mito, mais bem amado do que o próprio FHC, tornando a conta eleitoral muito mais salgada e até insuportável para o contribuinte, e só não instituiu a tri, tetra ou penta eleição, à moda Evo Morales na Bolívia, porque não quis. E agora veio o Bolsonaro, tb totalmente entregue ao centrão, e de quebra ao militarismo, ao crentismo, ao milicianismo e afin$, e, sobretudo, ao assistencialismo eleitoral às custas do erário, disposto a tudo pela sua reeleição, e que se dane as finanças públicas, a república e o fiofó do contribuinte. E viva a bandidocracia do militarismo, do partidarismo, politiqueiro$, e dos seus tentáculos, velhaco$. https://www.brasil247.com/blog/bolsonaro-vai-encurralar-a-oposicao

  4. “se, afinal de contas, o ministério da Economia identificar as fraudes e os pagamentos a quem os 600 reais não se destinam. É o caso de militares, grupos da PM, e até pessoas cujos vencimentos chegam a 20 mil reais mensais”

    Felipe Neto, o mais novo aliado dos “progressistas” recebeu duas parcelas do auxílio. Depois do flagra, parece que devolveu.

  5. Chega a ser irritante essa postura do ministro Guedes! Já existem 2 propostas no Congresso uma na Camara do deputado Baleia Rossi e brilhantemente exposta por Bernardo Appy. Outra do ex deputado Luis Carlos Hauly também muito bem defendida pelo próprio.
    Ambas propostas bem elaboradas, com começo, meio e fim. Claramente as propostas de reforma tributaria são antes de mais nada um processo que pode levar até mais de 15 anos para ser totalmente implantada. Bernardo Appy explica que dado o elevado numero de beneficios e renuncias fiscais vigentes, uma proposta de mudança nos tributos não pode simplesmente cancelar acordos juridicamente estabelecidos, logo será necessária uma convivencia dos 2 sistemas tributários , o novo e o antigo durante um bom tempo.
    É um assunto evidentemente complexo para ser exposto, e aí vem o Guedes com propostas estapafurdias, proposta de remendinhos e pior de tudo, com aumento da carga tributária, principalmente para a União, com interesses clarmente elitoreiros visando a reeleição do Mandrião(créditos pro Villa) em 2022.
    E irritante mesmo é ver a maior parte da midia dando eco para essas propostas ridiculas do Guedes, ao invés de procurar saber das propostas existentes tão bem defendidas e explicadas por Appy e Hauly. Bernardo Appy não deixa pergunta sem resposta, ele vem estudando e montando a proposta há vários anos, com apoio decisivo de Rodrigo Maia e de muitos deputados, governadores e muitos outros politicos qualificados.
    E a única coisa que o Guedes está fazendo é tumultuar a hiper necessária reforma tributária, na verdade ele não tem a minima idéia dela, só pensa em como aumentar a arrecadação e benesses de alguns privilegiados. Pegunte prá ele, por exemplo, se a tributação deve se dar na origem ou no destino e ele provavelmente não saberá responder. Óbvio que na esmagadora maioria das transações a tributação deve sempre se dar no destino, isso é um principio básico. Além disso, tem que estudar também de que modo se muda a lógica da tributação no país que se dá principalmente na regressiva tributação sobre mercadorias e muito menos sobre renda e patrimonio. As propostas de Appy e Hauly avançam bastante sobre o assunto e as pseudo propostas do Guedes só servem para tumultuar.

  6. E nada de imposto sobre fortunas(!)
    – previsto na Constituição, mas ignorado pelos economistas, por políticos e governos que atuam segundo interesse das elites.

    “Fortuna de bilionários brasileiros cresce US$ 34 bi na pandemia“

    https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/07/27/relatorio-oxfam-desigualdade-pandemia.htm

    Como diz o refrão de uma música:

    “Onde o rico fica cada vez mais rico
    E o pobre cada vez mais pobre
    E o motivo todo mundo já conhece
    É que o de cima sobe e o de baixo desce“

  7. Corrupção, Senhores! Corrupção, causa e efeito das crises política, econômica, fiscal, social e moral nacionais.
    Corrupção! Não aquela corrupção primária do Ademar de Barros, com seu popular bordão “Rouba, mas Faz”, mas a corrupção sistêmica, assassina. organizada e impune que promove a miséria e o atraso do país.
    Corrupção, que se incorporou sorrateira e gradualmente à realidade brasileira, talvez facilitado pela falsa imagem de inocente malandragem do “Rouba, mas Faz”

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