Disposição de Meirelles ser candidato vai contra o plano de Temer se reeleger

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Charge do Amarildo (amarildo.com)

Pedro do Coutto

O ministro Henrique Meirelles, numa entrevista a Vera Rosa, Irany Tereza e Igor Gadelha, O Estado de São Paulo desta sexta-feira, admitiu a possibilidade de ser candidato a presidência da República, até mesmo numa disputa contra o presidente Michel Temer, se este tentar a reeleição nas urnas de outubro. Com tal declaração Meirelles deixou claro sua saída do Ministério da Fazenda até 7 de abril, prazo máximo para desincompatibilização para os ocupantes de cargos de confiança. Curioso é que a legislação exige o afastamento de ministros dos postos que ocupam, porém o mesmo não é exigido dos presidentes que se candidatam a reeleição. Contradições não faltam à política eleitoral brasileira.

Mas a lógica também não pode ser reduzida a zero. Tanto assim que o mesmo Henrique Meirelles, falando aos repórteres Fábio Graner, Fábio Pupo, Fernando Gomes e Ribamar Oliveira do Valor, sustentou que sua etapa como titular da Fazenda está cumprida. Não disse, entretanto, por qual legenda pretende se lançar no caminho das urnas, mas é filiado ao PSD.

E A REELEIÇÃO? -Michel Temer se for candidato, como aliás está parecendo ser esta sua intenção, só poderá concorrer pelo MDB. Portanto, Meirelles não tem espaço na legenda governista. Não será fácil ter a candidatura confirmada pelo PSD ou encontrar outra sigla partidária, mas ele já deve ter feito os cálculos necessários.

Inclusive, é preciso não esquecer que Meirelles foi presidente do Banco Central nos dois mandatos do ex-presidente Lula e, assim, não seria surpresa total se viesse a receber o apoio daquele que o manteve durante oito anos à frente de um cargo chave da administração federal. Foi até Meirelles quem realizou o diálogo-ponte entre Lula e os setores mais expressivos do mercado financeiro, espécie de mão de tigre acariciando a economia e o desenvolvimento do país.

GANHANDO CONTORNOS – O quadro da pré-sucessão de outubro está ganhando contornos mais nítidos, sobretudo quando se aproxima o prazo máximo para registros partidários que incluem também articulação de candidaturas. Matéria de Cristiani Agostini, também no Valor, revela que Lula, já sentindo a inviabilidade de seu nome, autorizou Fernando Haddad a manter entendimentos com Ciro Gomes, virtual candidato do PDT,

ESPÓLIO DE LULA – O eleitorado lulista passa a ser um capital fixo a ser disputado por aquele ou aqueles que se dispuserem a vestir também a camisa rubra do PT. Afinal de contas,as pesquisas do Ibope e Datafolha apontaram vantagem para o ex-presidente na escala de 32% fosse qual fosse o cenário dos competidores. Lula venceria a todos num hipotético 2º turno. Mas antes do segundo, tem que se levar em conta a predominância do primeiro turno. E no primeiro turno é que será feita a seleção dos candidatos ao desfecho final.

A movimentação começou já acelerada e ganhará mais velocidade no decorrer dos meses que separam fevereiro das urnas de outubro. Inclusive, em fevereiro termina o prazo que Joaquim Barbosa deu a si mesmo para definir se aceita ou não concorrer pelo PSB.

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