Disputa de poder entre Moreira Franco e Padilha agita os bastidores do Planalto

Imagem relacionada

Moreira Franco e Padilha ainda fingem serem amigos

Carlos Newton

Num de seus discursos mais importantes, o então presidente Barack Obama perguntou: “Nós fazemos uma política do cinismo ou uma política da esperança?”. Nem é preciso responder, porque não existe política sem cinismo. É justamente o que está acontecendo no Planalto, onde os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha trocam cumprimentos e sorrisos, embora estejam travando uma guerra de extermínio pelo poder. Na verdade, Moreira Franco é apenas instrumento do presidente Michel Temer nessa disputa contra o ainda chefe da Casa Civil, num embate que agita os bastidores do palácio.

Do lado de Temer, estão os novos ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e o porta-voz Alexandre Parola; do lado de Padilha, se posicionam o chefe da Assessoria de Imprensa, Márcio de Freitas Gomes, e o subchefe da Assessoria Jurídica da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, que eram assessores da cúpula do PMDB e foram nomeados para o governo com apoio dos caciques do partido.

ESVAZIAMENTO – O primeiro round (ou assalto, na expressão da palavra) foi vencido por Temer nesta quinta-feira, devido à nomeação de Imbassahy e Moreira Franco, com o esvaziamento da Casa Civil, que perdeu a atribuição de gerir a Secretaria de Comunicação, o Cerimonial e a Administração da Presidência da República, agora sob gestão direta na nova Secretaria-Geral.

Antes de assinar as nomeações, é claro, na quarta-feira Temer chamou Padilha para lhe comunicar a decisão e a conversa transcorreu num clima sinistro. O presidente justificou o esvaziamento da Casa Civil com a alegação de que era preciso garantir foro privilegiado a Moreira e não poderia simplesmente dar status de ministro a ele, iria pegar muito mal. Então, estava sendo obrigado a passar para a pasta de Moreira algumas atribuições da Casa Civil, para evitar maiores contestações. Temer então pediu “compreensão e apoio” a Padilha, assegurando-lhe que as atribuições políticas da Casa Civil seriam mantidas, tudo conversa fiada.

ASSESSORIA DE IMPRENSA – Padilha não passou recibo, engoliu em seco a  “capitis deminutio” (redução de competência), e resolveu contra-atacar. Reuniu-se com os assessores Márcio Gomes (Imprensa) e Gustavo Rocha (Jurídico) e combinou que continuariam atuando como antes, porque a Casa Civil opina em todas as questões jurídicas e Moreira Franco somente assumiu na teoria o comando da Secretaria de Comunicação, porque ainda não substituiu o assessor-chefe. Portanto, na prática Padilha mantém o controle do setor de Imprensa.

O resultado da reunião foi imediato. Ainda na quarta-feira, o assessor de Imprensa arranjou uma entrevista de Padilha à Agência Brasil, para dar visibilidade ao ministro, e ele apareceu repetindo declarações anteriores sobre reforma da Previdência e combate ao desemprego.

E não foi por mera coincidência que, na manhã de sexta-feira, Padilha deu longa entrevista à Rádio CBN, que tem efeito multiplicador, porque o texto é disponibilizado no site da rádio e no G1, além de ser distribuído pelas agências de notícias (Globo, Estado, Folha e Diários Associados Press).

AULA DE CINISMO – Na entrevista à CBN, Padilha tentou esvaziar a nomeação de Moreira para a Secretaria-Geral, dizendo que o objetivo foi “oferecer a ele, que comanda o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), um trânsito melhor no exterior nas iniciativas do governo de buscar recursos para o País”. E argumentou que” o governo precisava de alguém que se apresentasse em nome de ministro de Estado para essas visitas”, vejam a que ponto de desfaçatez chegamos.

Padilha reconheceu que a medida conferiu foro privilegiado a Moreira, mas bancou o bonzinho e negou que o caso se assemelhasse ao da indicação do ex-presidente Lula para a Casa Civil da então presidente Dilma Rousseff, no ano passado, e que acabou suspensa no dia seguinte pelo Supremo.

UMA BRIGA BOA – Além das atribuições da Casa Civil, Padilha perdeu a influência na articulação política, que assumira após a demissão de Geddel Vieira Lima. Agora quem vai distribuir os cargos e fazer os contatos é o ministro Antonio Imbassahy, um tucano que nunca teve maior relacionamento com ele.

A briga no Planalto vai continuar, pois Padilha é experiente e tinhoso. Está fingindo que tudo continua como antes, porque ainda controla a Assessoria de Imprensa, que só passou no papel para a área de Moreira Franco, e o presidente Temer não pretende se meter em mais essa disputa.

Diante de tudo isso, se ainda estivesse vivo, o genial pensador Michel Foucault agora teria material para fazer mais uma tese sobre Cinismo, que foi o tema de seu último Curso no Collège de France, publicado sob o título “A coragem de verdade: o governo de si e dos outros – Parte II”.  O estudo de Foucault adapta-se perfeitamente à situação de Brasília e seria a “Parte III” de sua obra, que ficou inconclusa.

16 thoughts on “Disputa de poder entre Moreira Franco e Padilha agita os bastidores do Planalto

  1. No fim e ao cabo o que importa para estes poderosos é: a) governar a “seu modo”; c) se livrar da Lava jato.
    Não tenho dúvidas de que na hora “H” todos os partidos se unem contra a Lava Jato.
    Esse é o caminho natural da política que se corrompe.
    Se a política é uma arte de alianças pelo bem público, a corrupção é a arte coletiva do conluio pelo bem privado (leia-se: micro grupos ).
    Ainda espero que Fachin seja isento de sua história política. Que tenha um surto de consciência à “La Barbosa” e que a ética fale mais alto.

  2. Os últimos meses de governo da Dilma envolvidos no julgamento do impeachment, que a retirou do poder, somados ao tempo que Temer a substituiu até os dias de hoje, lá se vai um ano ou pouco mais.

    Pois nestes meses que se passaram, Planalto e Congresso apenas se preocuparam com a política de bastidores, as eleições dos presidentes da Câmara e Senado, em flagrante atentado contra à retomada do desenvolvimento, término da recessão econômica, a volta de ofertas de trabalho, diminuição da inadimplência, taxas de juros menores … enfim, que voltasse pelo menos a esperança de dias melhores.

    Nada!

    A Casa do Ladrão (Congresso) e o Palácio da Preservação de Criminosos (Planalto), comportam-se como se o povo não existisse e a situação brasileira não poderia estar melhor!

    Corrobora com esta conduta contrária à reconstrução do País, porém enfática na proteção dos ladrões, o STF, que proibiu que os nomes dos envolvidos na Lava-Jato sequer fossem dados ao conhecimento do público, e quais seriam as razões pelas quais a presidente do Supremo levou em conta para decidir desta forma.

    Ao vermos a foto de dois bandidos pertencentes à equipe de criminosos que compõem o staff de Temer, abraçando-se e rindo para uma população fictícia, indiscutivelmente estão debochando do cidadão e cuspindo no Brasil, pois estão no poder, portanto, IMPUNES E IMUNES às leis que descumprem e à crise que ocasionaram, respectivamente.

    Resultado:
    Continuaremos nos debatendo em grandes dificuldades este ano, enquanto os ladrões vivem impunemente as delícias dos extremos!

    • Prezado Bendl:

      A política econômica de Temer é cópia borrada da implementada por Dilma. Trata-se de continuidade, a política de privatizações dos ativos nacionais na forma de consórcios. Uma empreiteira, alguns Fundos de Pensão de empresas estatais e uma empresa internacional, esta para impor a tecnologia de seus países e trazer algum dinheiro para investir no negócio. Neste particular, estão articulando com empresas chinesas, coreanas e indianas. A Europa e os EUA não participam, pois não têm no momento fluxo de caixa para investir. talvez a Alemanha pudesse investir no Brasil, mais enfrenta problemas no seu quintal.

      Os últimos consórcios de empresas privatizadas enfrentam problemas de toda ordem. A Odebrechet por exemplo, já manifestou o desejo de devolver sua participação no aeroporto do Galeão, que está dando prejuízo. O consórcio já deve mais de 1 bilhão do valor de outorga. O governo tentará negociar jogando os prazos para pagamento para frente, com o objetivo claro de evitar a exposição na opinião pública do fracasso da privatização. O terminal 1 do Galeão foi fechado por falta de passageiros. A crise é grave e descrevo os casos do Rio de Janeiro somente.

      O Maracanã, que a dupla Cabral/Pezão entregou para a Odebrecht depois de botar lá mais de 1 bilhão, está entregue as baratas e o gramado impraticável. A Odebrecht queria entregar, mais ninguém quer receber o mico preto.

      As obras do COMPERJ em Itaboraí estão paradas e lá têm empreendimentos da Odebrecht, que não enfrenta um bom momento empresarial.

      Só queria entender, porque não se manifesta o Senhor Moreira Franco, o responsável pelas parcerias público-privadas, desde que era Ministro de Dilma e depois demitido pela presidente e voltou ao mesmo cargo pela caneta de Temer. São tantos fracassos em tão pouco tempo, que custa acreditar, que ainda colocam fichas nessas aventuras com o dinheiro público colocado nessas parcerias via BNDES. O povo está pagando esses empréstimos, que não estão voltando para os cofres públicos.

      Eike Batista levou bilhões de empréstimos dos bancos públicos, BNDES principalmente, e as ações de suas empresas viraram pó. O BNDES será ressarcido? E o empréstimo para reconstruir o Hotel Glória, que está em ruínas?

      Pobre Brasil, que tem que aturar seus homens “públicos” incompetentes e sem espírito público

      • Meu amigo Roberto Nascimento,

        Grato pelo comentário a mim dirigido.

        Teus questionamentos são procedentes e adequados ao momento pela falta acintosa de escrúpulos demonstrado pelo temerário governo de Temer.

        Em consequência, o País esta virado do avesso porque, como bem escreveste, o atual presidente apenas dá seguimento ao governo anterior, e não poderia ser diferente, pois foram muito íntimos enquanto o PT elaborava no Planalto o modo como roubaria o povo e o Brasil, com o PMDB sendo o seu vice!

        Temer, portanto, não saberia agir diferente, até para poder proteger seus amigos, então os escândalos sobre manter criminosos na condição de “ministros”.

        A verdade, Roberto, é que estamos em um beco sem saída, sem norte, estagnados, sem futuro, sem qualquer esboço sequer de um plano para nos tirar deste caos político, social e econômico que nos encontramos.

        Um grande abraço.
        Saúde e Paz!

  3. Caro Bendl,
    Além de toda verdade, que você disse, há o crime das privatizações desenfreadas desse governo contra o Brasil e o povo. Agora mesmo, o governo Temer, através do Henrique Meireles está pressionando o governador Pesão do Rio de Janeiro a privatizar a CEDAE, que é um monopólio do governo e lucrativa. É tudo que a iniciativa privada quer: ter o controle desse monopólio. É evidente que o preço do M3, vai aumentar e muito, haja vista que o particular não tem compromisso com o social, seu compromisso é o lucro.
    Água é de suma importância é um bem essencial, para a vida de tudo e de todos
    PS.: A CEDAE, pode até ser entregue a alguém ligado a político importante.

    • A pressão que o ministro Henrique Meirelles, americanófilo e ex-presidente do Banco de Boston fez contra o Estado do Rio de Janeiro, humilhou o governador Pezão, humilhando em contrapartida também, todos os cidadãos do Estado e principalmente os cariocas.

      O Ministro da Fazenda agiu como agia o FMI contra o Brasil. Portanto, estamos com um representante “nacional” tomando as mesmas atitudes que os alienígenas do Banco das superpotências.

      No fundo, o Rio de Janeiro é credor da União, pois tramaram no passado, com ajuda de deputados cariocas, a seguinte decisão:

      A cobrança de ICMS deve ser feita na origem do produto ou das commodities extraídas do solo (petróleo), menos o ouro negro, o petróleo, cujo Estado do Rio de Janeiro é o maior produtor nacional. Lógico, o maior consumidor de destino do petróleo é o Estado de São Paulo, que foi beneficiado.

      Precisa falar mais alguma coisa. Lamentável, sobre todos os ângulos da questão, essa humilhação contra o Rio de janeiro.

      • Caro Roberto Nascimento … saudações!!!

        Tenho comentado sobre isto há milênios, inclusive aqui no blog!!!

        É só fazerem uma pesquisa com meu nome que meu primeiro comentário aparece lá … há séculos kkk KKK kkk

        Inclusive … já postei que a crise é decorrente de não se respeitar os direitos federativos de cada Estado … pois há os que acham que o Brasil só tem cacife para ter um só Estado desenvolvido – achavam que a AL também – o foram tirando tudo da Argentina até que eles acordaram … lembra onde Cavallo se reunia – em NY??? kkk KKK kkk

    • Caro Jacob,

      Podemos imaginar os mais variados e diversos crimes e termos a certeza que existirá algum membro do governo e, indiscutivelmente, gente da Casa do Ladrão (congresso)!

      Não existem áreas administrativas em níveis municipais, estaduais e federal, que não apresentam irregularidades, ilicitudes, corrupção, desonestidade e incompetência.

      Desgraçadamente hoje somos caracterizados desta forma, de uma Nação que implodiu, que faliu ética e moralmente!

      Um abraço, Jacob.
      Saúde e Paz!

    • 1) Concordo Nélio.

      2) Comenta-se que o Aquífero Guarani no sul do país, um dos maiores do planeta, está sendo alvo do interesse das multis…

      3) E o Brasil que era “a maior bacia hidrográfica do mundo” não protege sua preciosa riqueza …

  4. From Paris with love:

    Imaginem se os políticos fossem honestos,
    Se tivéssemos mais trabalho e menos protestos;
    Imaginem se eles todos fossem decentes
    E educados para servir bem sua gente;
    Imaginem se nossa justiça existisse de fato,
    E nosso povo não fosse burro e tão pato.
    Ah, se em nossa terra não houvesse tantas mazelas…
    Até deixaria a bela Paris e voltaria pra ela!

  5. From Paris with love:

    Imaginem se os políticos fossem honestos,
    Se tivéssemos mais trabalho e menos protestos;
    Imaginem se todos eles fossem decentes
    E educados para servir bem sua gente;
    Imaginem se nossa justiça existisse de fato,
    E nosso povo não fosse tão bobo e pacato.
    Ah, se em nossa terra não houvesse tantas mazelas…
    Deixaria até a bela Paris e voltaria pra ela!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *