Disputa pela não aprovação do Orçamento, candidatura de Obama à reeleição, quase param os EUA. Fizeram acordo, Obama não depende dos republicanos.

Helio Fernandes

Muitos acreditavam que o Partido Republicano deixaria mesmo os EUA sem Orçamento. Tendo perdido a maioria do Congresso nas eleições gerais, os Democratas (Obama) dependiam dos adversários, sem eles não haveria número, o Orçamento não seria aprovado.

Toda sexta-feira foi esgotada em conversas e mais conversas, Democratas e Republicanos se dividiam, não se harmonizavam, mas não se hostilizavam de forma irreversível.

Só os lobistas, que são insuperáveis no país e dominam tudo, não se incomodavam, sabiam que haveria acordo. Razão da certeza: os Republicanos podiam deixar o país sem Orçamento, mas isso não seria vitória e sim derrota.

Como assumir perante a opinião pública, a decisão drástica de paralisar tudo, principalmente a Secretaria da Defesa, que mantém os gastos militares? E no momento em que o país tem esses gastos elevados a uma soma inacreditável?

Para agravar e complicar a situação dos Republicanos, um fato que já era esperado e se confirmou: o lançamento da candidatura Obama à reeleição. Esse fato seria explorado contra os Republicanos, diriam geralmente: “Por questão política e eleitoral, o Partido Republicano manteve o país sem Orçamento. Milhões e milhões de pessoas não receberão, as mais diversas secretarias não terão recursos, fecharão logo no domingo ou até no sábado”;

No final de sexta-feira, já quase surgindo o sábado, os Republicanos se acalmaram. Convocaram as próprias lideranças no Congresso (que incluem o presidente do partido, mesmo que ele seja senador), decidiram conversar.

Comunicaram o fato às lideranças do Democrata (a mesma coisa, participação do presidente, senador), afirmaram que estavam “convencidos de que era necessário conversar”.

Satisfação geral, os dois partidos se desgastariam, confessavam. Como faltava menos de 1 hora para a meia noite fatal dessa sexta-feira, concordaram: “Prorrogariam o prazo por uma semana”. O tempo que precisavam para colocar o Orçamento em vigor.

Quanto à reeleição de Obama, é mais do que certa e garantida. Em 1952, com a aprovação da Emenda número 24, ficou estabelecido: “Os presidentes têm mandato de quatro anos, podendo se reeleger por mais quatro. Depois, mais nada, nem vereador”. Era o efeito Roosevelt, que se elegeu em 1932, 1936, 1940 e 1944, morreu no início de 1945, com 61 anos, acreditavam que ficaria mais dois mandatos.

A partir daí, nas sucessões normais, só um presidente republicano não se reelegeu: Bush pai. Eisenhower ficou de 1953 a 1961, Kennedy foi assassinado, Lyndon Johnson não quis a reeleição. Nixon se reelegeu, mas no início do segundo mandato, renunciou. Para evitar o impeachment.

Então, de 1972 a 1974, pela primeira vez na História, os EUA tiveram um presidente e um vice NÃO ELEITOS. Gerald Ford assumiu como presidente da Câmara, pôde livremente indicar o vice, Nelson Rockfeller. Daí em diante, Reagan, Clinton, Bush filho ficaram 8 anos.

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PS – Obama, embora freado e praticamente paralisado pelos formidáveis interesses de grupos do país mais rico do mundo, não fez o que se esperava. Mas será reeleito contra qualquer Republicano. Apesar do Orçamento.

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