Dvida impagvel

Vittorio Medioli

No se passa um dia sem aparecer denncia de maus-tratos com a coisa pblica. Mais ainda impressiona o conformismo da maioria da populao que passou a aceitar o erro como normalidade ou situao inevitvel. Os administradores que pilham no so punidos; desfilam esbanjando luxo e acinte num pas castigado por severa pobreza que atinge 30% da populao.

A maioria da populao no consegue relacionar a baixa qualidade da sade pblica, da educao e da infraestrutura ao desperdcio, pssima aplicao dos recursos, pilhagem generalizada do patrimnio pblico, aos altos salrios, s mordomias de quem pelo menos o exemplo de austeridade deveria dar.

H anos desfilam nos jornais milhares de funcionrios que, apesar de a Constituio prever o teto salarial igual ao rendimento de ministro do STF, recebem muito alm. Num pas decente, isso no passaria em branco e, quando passasse, ao ser constatado, geraria a restituio de tudo recebido indevidamente. Aqui, no. Falta dinheiro para carteiras escolares, mas no para supersalrios. At da merenda escolar e dos remdios se rouba, e muito.

Levanta-se, nestes dias, uma campanha contra a violncia de grupos que reclamam saindo s ruas e quebrando tudo, indiscriminadamente, e, se baixam lei para identificar os vndalos, isso em pouco redundar. Esses so o tumor de um sistema doente.

Faltam hoje ao poder constitudo credibilidade, legitimidade, pulso, austeridade, moderao e sobram exemplos deplorveis: presidentes que fazem apologia de mensaleiros, com lenincia e cumplicidade estampadas na cara, em frases marotas, afagos queles que depredaram os cofres pblicos. E ainda o leitor aprova!!!

Passaram-se oito anos da descoberta de desvios colossais do Banco do Brasil para as contas do valerioduto, e nada. Que ao foi feita para recuperar esses valores?

E O CONTRIBUINTE?

Um contribuinte que deixa de recolher um tributo passa a ser cobrado com juros, correo e multas de 100%, j um mensaleiro recebe multa com valor abaixo de R$ 1 milho apesar de ser comprovada a sua participao em desvios centenas de vezes maiores.

As leis anticorrupo so risveis, estampadas no papel e inviabilizadas pelos governantes. Os prprios bancos pblicos e os privados so coniventes com os desvios de bilhes pela corrupo e tambm nada lhes acontece. O controle sobre movimentaes financeiras se restringe a uma arma eleitoral, ou de perseguio, nas mos de um partido que controla o Coaf.

O rgo capaz de denunciar uma movimentao de R$ 20 mil de um caseiro e de deixar centenas de milhes de reais passarem em contas de Marcos Valrio, de empresas e de pessoas que possuem patrimnio muitas vezes incompatvel com seus rendimentos oficiais.

No processo do mensalo, no consta pedido de informaes ao Coaf, no existe um extrato de conta bancria. Assim tambm em relao aos ministros demitidos pela presidente Dilma; nenhum deles foi incomodado com qualquer investigao mais sria.

ponto bsico de uma democracia slida ter governantes que prestem bons exemplos. O Brasil est na beira de um abismo, deixando para as prximas geraes uma dvida moral impagvel. (transcrito de O Tempo)

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3 thoughts on “Dvida impagvel

  1. As dificuldades que temos encontrado para acessar o site da “Tribuna da Imprensa” tm uma explicao: sabotagem! Quem viveu e viu as pginas da TI em branco, no perodo da ditadura, quem teve notcias das invases desse jornal sabe como isso. Agora a sabotagem tecnolgica, “evoluiu”. Pena para o pas!… E a indenizao da Tribuna no sai, apesar do governo de “esquerda” (“defensor do povo”) estar no poder h tanto tempo. S mudam as caras e uns nomes, tudo igual…

  2. Interssanre que nao exista extratos de Jose Dirceu, mas voce save porque? Por nao existe um unico centavo em suas contas. Mas extratos e dingeiro roubados existem nas cintas e cartorios de tucanos, alias essa semana foram aoreendidos dinheiri e orooriedades de tucanos frutis do Trensalao e nai fou pouco, o montante oassou de 69 milhoes. E ninguem nota isso pelo menos na grabde imorensa.

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