Dívida pública – a bomba-relógio – aumenta 170% em apenas oito anos e meio

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

O grande diferencial da “Tribuna da Internet” são os seus comentaristas. A troca de opiniões entre eles é altamente esclarecedora, ajuda a entender o passado, refletir o presente e antever o futuro. No último dia 19, o comentarista Armando Gama postou um texto da jornalista Regina Alvarez sobre a dívida pública, publicado em 2010 em O Globo, sob o título “Lula deixará para seu sucessor dívida bruta que é a maior dos últimos dez anos”.

A análise da excelente jornalista mostrava que a dívida bruta, importante indicador da situação econômica de qualquer país, chegara a R$ 2,011 trilhões em dezembro de 2010, ou 55% do PIB. E a “herança” do governo Lula tinha sido turbinada por operações batizadas de “empréstimos” que o Tesouro vinha fazendo com o BNDES desde 2009, por meio da emissão de títulos públicos.

PREOCUPAÇÃO – Portanto, há quase de anos, o crescimento da dívida bruta já era visto com preocupação por muitos analistas, entre eles o economista Felipe Salto, da Consultoria Tendências.

“A crise global de 2009 abriu espaço para uma mudança radical de postura do governo do PT em relação às contas públicas. O acúmulo de superávits, que serviam para reduzir a dívida em relação ao PIB, foi substituído por uma combinação de aumento dos gastos com expansão do crédito por meio do crescimento da dívida pública”, assinalou Regina Alvarez, mostrando como a equipe econômica petista conseguiu alavancar artificialmente a subida do PIB em 4,7% naquele ano (2010).

“O próximo governo terá a tarefa adicional de sinalizar que a dívida bruta vai cair em relação ao PIB. Não é um cenário caótico, tem ainda uma gordura, mas a gordura acaba” — destacou o economista Felipe Salto, que acertou em cheio sua previsão.

MAQUIAGEM – No importante artigo, Regina Alvarez assinalou que a preocupação dos analistas cresceu depois que foram revelados alguns truques que o governo utiliza para reforçar o caixa do Tesouro e abrir espaço para acomodar mais despesas.

“O BNDES tem servido de instrumento para essas manobras. Revitalizado pelos empréstimos do Tesouro, o banco passou a repassar à União valores muito maiores em dividendos. Em 2009, foram R$ 10,9 bilhões, quase o dobro de 2008 (R$ 6 bilhões). Outros R$ 3,5 bilhões foram “comprados” da Eletrobrás e também transferidos para o caixa da União, ajudando a fechar as contas”.

“A dívida bruta é um indicador que precisa cada vez mais ser observado pelo uso desses mecanismos de expansão de crédito. O caminho que está sendo adotado é errado” — advertiu Felipe Salto.

MANIPULAÇÃO – O governo petista jamais demonstrou preocupação com o aumento da dívida bruta. A equipe do ministro Guido Mantega manipulava os dados e destacava em suas avaliações a trajetória da dívida líquida. Por esse falso conceito, o mesmo valor dos títulos emitidos para os empréstimos ao BNDES entrava nas contas como créditos do governo federal, neutralizando essas operações.

Passados apenas oito anos e meio, em março de 2019 a dívida bruta chega a R$ 5,431 trilhões, o que representa 78,4% do PIB. Ou seja, em apenas 9 anos, subiu cerca de 170%, um total absurdo e assustador.

Portanto, quando se pede uma auditoria, não se visa a um calote ou moratória. O que se pretende é justamente evitar o calote. Mas o ministro Paulo Guedes nem toca no assunto. Para ele, a reforma da Previdência resolverá tudo, mas sabe-se que isso é “ilusão à toa”, como diria o genial cantor Johnny Alf.

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P.S.
Paulo Guedes pode fazer cara de paisagem e fingir que a dívida pública não prejudica o país. Pode imitar Manuel Bandeira, ir embora para Pasárgada ou cantar um tango argentino, mas não vai adiantar nada. A dívida é uma bomba-relógio no colo dos brasileiros, como ocorreu no atentado do Riocentro, e precisamos discuti-la em profundidade. Mas quem se interessa? (C.N.)

13 thoughts on “Dívida pública – a bomba-relógio – aumenta 170% em apenas oito anos e meio

  1. Newton, só uma perguntinha: O que deveríamos fazer com quem levou o país a esta dívida astronômica?

    1. Pena máxima
    2. Prisão perpétua
    3. Pena de morte
    4. Esquecer e deixar por isso mesmo

    Fala-se muito de Bolsonaro e Guedes. Mas, e quem causou todo este DESASTRE? Sarney, Collor, FHC, Lula, Dilma?

    Estamos falando de 5 TRILHÕES de dívida !!!

    • Principalmente lula e dilma foram os governantes que detonaram o incremento da dívida.
      Só há um jeito:
      emitir “bonds” de 30 anos, com juros internacionais para todos os bancos detentores dos créditos.
      Se qq banco necessitar de fundos, poderá vender referidos “bonds” com deságio no mercado internacional.
      Aí teremos + R$500 milhões/ano para infraestruturas e arrumação do País.
      O banco que não quiser entrar fecha as portas e vá cobrar na justiça.
      Os juros irão cair para a taxa Libor ou Prime Rate.

      Fed manteve taxa de juros no intervalo de 2,25% a 2,50%; decisão já era esperada pelo mercado.

  2. A Dívida Pública Federal e seu aumento , é causada pelo Governo Federal gastar bem mais que Arrecada anualmente.
    A Dívida Pública que é medida em relação ao PIB, não necessita ser paga, mas “girada”.
    Para termos “um bom giro” é necessário que ela fique estável em relação ao PIB, e o melhor mesmo é que ela decrescesse em relação ao PIB, dando confiança aos Emprestadores.

    As Agências de rating internacional é que dão essa classificação de risco. Desde 2015 perdemos o Grau de Investimento e estamos atualmente em B-.
    Necessitamos zerar nosso Deficit Fiscal e começar a criar Superavit Primário. Desde de 2013 que não fazemos mais Superavit Primário e pelas previsões do FMI, só vamos começar a fazê-lo em 2022, se as Reformas Dialogadas forem aprovadas pelo Congresso.

    A nossa situação não é desesperadora, mas requer CUIDADOS, e a nosso juízo, o pior já está passando.

    Tudo o que está acontecendo é mais ou menos normal em uma grande Recessão de – 8% do PIB como tivemos em 2015 e 2016, mas o pior já está passando.

      • Prezado Sr. LIONÇO RAMOS FERREIRA,

        Embora sem ser Especialista, pelo que li na info postada:

        O Texas cobrava até 2015 um Imposto de Renda Estadual. Esse Imposto de Renda Estadual foi ZERADO. O Imposto de Renda Federal continua.
        É bom não falar muito disso, se não nossos Estados poderão querer cobrar Imposto de Renda também nos Estados como acontece em quase todos os Estados dos EUA.

        Os EUA com 6 X mais Renda perCapita que o Brasil, tem:

        EUA
        Carga Tributária de 27% do PIB
        sendo;
        82%
        Renda, Lucro, ganho de Capital, Folha Salarial. Propriedades, etc.
        18%
        sobre Bens e Serviços: Comunicações, Transportes,Educação, Comidas, Remédios, etc.

        BRASIL
        Carga Tributária 34% do PIB,
        Sendo:
        49%
        Renda, Lucro, ganho de Capital, Folha Salarial, Propriedades, etc.
        51%
        Sobre Bens e Serviços: Comunicações, Transportes, Educação, Comidas, Remédios, etc.

        Vemos que além da Carga Tributaria EUA ( 27% PIB) ser menor que a do BRASIL ( 34% PIB) ela é mais Justa.
        Abração.

          • Prezado Sr. LIONÇO,
            O Texas com 29 Milhões de Habitantes tem um PIB de US$ 1.650 Bi. Só por comparação o Brasil com 220 Milhões de Habitantes tem um PIB de US$ 2.100 Bi.
            É como se 37 Milhões de Texanos produzissem o que produzem 220 Milhões de Brasileiros.
            O Texas só não cobra Imposto de Renda ESTADUAL e de HERANÇA. O resto é +- como aqui só que com alíquotas baixas. 6,5% Imposto de Vendas (Tudo), etc, mas sobre um baita PIB produzido por só 29 Milhões de Habitantes, RENDE MUITO.

            Eles tem uma PRODUTIVIDADE +- 6 X a do Brasileiro.
            E por que nossa PRODUTIVIDADE é tão Baixa?

            Isso sim deve nos preocupar.

            Abração.

  3. A redução da dívida pública somente se dará com a redução dos juros, que trará o aquecimento da economia. Mas o Guedes alardeia que a reforma da previdência vai resolver todos os problemas do país. Me engana que eu gosto.

  4. O que me causa estranheza é a preocupação excessiva com a dívida em si e não com os fatores que criaram a dívida. Uma dívida surge do desequilíbrio receita e despesa. Portanto, voltemos as atenções para as despesas, visto que do lado da receita, ninguém mais aguenta ser roubado você via impostos. Um abraço.

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