Dívidas dos países precisam ser auditadas antes dos acordos

Deu na Carta Capital

A especialista brasileira Maria Lucia Fattorelli, ex- auditora da Receita Federal e fundadora do movimento “Auditoria Cidadã da Dívida” no Brasil, foi convidada pelo Syriza, partido grego de esquerda que venceu as últimas eleições, para auxiliar na questão da dívida da Grécia. Ela participou da comissão que investigou acordos, esquemas e fraudes na dívida pública que levaram a Grécia, segundo o Syriza, à crise econômica e social.

Esta não é a primeira vez que a auditora é acionada para esse tipo de missão. Em 2007, Fattorelli foi convidada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, para ajudar na identificação e comprovação de diversas ilegalidades na dívida do país. O trabalho reduziu em 70% o estoque da dívida pública equatoriana. Em entrevista a CartaCapital, direto da Grécia, Fattorelli falou sobre como o “esquema”, controlado por bancos e grandes empresas, também se repete no pagamento dos juros da dívida brasileira e provoca a necessidade de ajuste. Leia os principais trechos da entrevista:

Carta Capital: O que é a dívida pública?

Maria Lucia Fattorelli: A dívida pública, de forma técnica, como aprendemos nos livros de Economia, é uma forma de complementar o financiamento do Estado. Em princípio, não há nada errado no fato de um país, de um estado ou de um município se endividar, porque o que está acima de tudo é o atendimento do interesse público. Se o Estado não arrecada o suficiente, em princípio, ele poderia se endividar para o ingresso de recursos para financiar todo o conjunto de obrigações que o Estado tem. Teoricamente, a dívida é isso. É para complementar os recursos necessários para o Estado cumprir com as suas obrigações. Isso em principio.

CC: E onde começa o problema?

MLF: O problema começa quando nós começamos a auditar a dívida e não encontramos contrapartida real. Que dívida é essa que não para de crescer e que leva quase a metade do Orçamento? Qual é a contrapartida dessa dívida? Onde é aplicado esse dinheiro? E esse é o problema. Depois de várias investigações, no Brasil, tanto em âmbito federal, como estadual e municipal, em vários países latino-americanos e agora em países europeus, nós determinamos que existe um sistema da dívida. O que é isso? É a utilização desse instrumento, que deveria ser para complementar os recursos em benefício de todos, como o veículo para desviar recursos públicos em direção ao sistema financeiro. Esse é o esquema que identificamos onde quer que a gente investigue.

CC: E quem, normalmente, são os beneficiados por esse esquema? Em 2014, por exemplo, os juros da dívida subiram de 251,1 bilhões de reais para 334,6 bilhões de reais no Brasil. Para onde está indo esse dinheiro de fato?

MLF: Nós sabemos quem compra esses títulos da dívida porque essa compra direta é feita por meio dos leilões. O processo é o seguinte: o Tesouro Nacional lança os títulos da dívida pública e o Banco Central vende. Como o Banco Central vende? Ele anuncia um leilão e só podem participar desse leilão 12 instituições credenciadas. São os chamados dealers. A lista dos dealers nós temos. São os maiores bancos do mundo. De seis em seis meses, às vezes, essa lista muda. Mas sempre os maiores estão lá: Citibank, Itaú, HSBC…é por isso que a gente fala que, hoje em dia, falar em dívida externa e interna não faz nem mais sentido. Os bancos estrangeiros estão aí comprando diretamente da boca do caixa. Nós sabemos quem compra e, muito provavelmente, eles são os credores porque não tem nenhuma aplicação do mundo que pague mais do que os títulos da dívida brasileira. É a aplicação mais rentável do mundo. E só eles compram diretamente. Então, muito provavelmente, eles são os credores.

CC: Por quê provavelmente?

MLF: Por que nem mesmo na CPI da Dívida Pública, entre 2009 e 2010, e olha que a CPI tem poder de intimação judicial, o Banco Central informou quem são os detentores da dívida brasileira. Eles chegaram a responder que não sabiam porque esses títulos são vendidos nos leilões. O que a gente sabe que é mentira. Porque, se eles não sabem quem são os detentores dos títulos, para quem eles estão pagando os juros? Claro que eles sabem. Se você tem uma dívida e não sabe quem é o credor, para quem você vai pagar? Em outro momento chegaram a falar que essa informação era sigilosa. Seria uma questão de sigilo bancário. O que é uma mentira também. A dívida é pública, a sociedade é que está pagando. O salário do servidor público não está na internet? Por que os detentores da dívida não estão? Nós temos que criar uma campanha nacional para saber quem é que está levando vantagem em cima do Brasil e provocando tudo isso.

CC: Qual é a relação entre os juros da dívida pública e o ajuste fiscal, em curso hoje no Brasil?

MLF: Todo mundo fala no corte, no ajuste, na austeridade e tal. Desde o Plano Real, o Brasil produz superávit primário todo ano. Tem ano que produz mais alto, tem ano que produz mais baixo. Mas todo ano tem superávit primário. O que quer dizer isso, superávit primário? Que os gastos primários estão abaixo das receitas primárias. Gasto primários são todos os gastos, com exceção da dívida. É o que o Brasil gasta: saúde, educação…exceto juros. Tudo isso são gastos primários. Se você olhar a receita, o que alimenta o orçamento? Basicamente a receita de tributos. Então superávit primário significa que o que nós estamos arrecadando com tributos está acima do que estamos gastando, estão está sobrando uma parte.

CC: E esse dinheiro que sobra é para pagar os juros dívida pública?

MLF: Isso, e essa parte do superávit paga uma pequena parte dos juros porque, no Brasil, nós estamos emitindo nova dívida para pagar grande parte dos juros. Isso é escândalo, é inconstitucional. Nossa Constituição proíbe o que se chama de anatocismo. Quando você contrata dívida para pagar juros, o que você está fazendo? Você está transformando juros em uma nova divida sobre a qual vai incidir juros. É o tal de juros sobre juros. Isso cria uma bola de neve que gera uma despesa em uma escala exponencial, sem contrapartida, e o Estado não pode fazer isso. Quando nós investigamos qual é a contrapartida da dívida interna, percebemos que é uma dívida de juros sobre juros. A divida brasileira assumiu um ciclo automático. Ela tem vida própria e se retroalimenta. Quando isso acontece, aquele juros vai virar capital. E, sobre aquele capital, vai incidir novos juros. E os juros seguintes, de novo vão se transformados em capital. É, por isso, que quando você olha a curva da dívida pública, a reta resultante é exponencial. Está crescendo e está quase na vertical. O problema é que vai explodir a qualquer momento.

CC: Explodir por quê?

MLF: Por que o mercado – quando eu falo em mercado, estou me referindo aos dealers – está aceitando novos títulos da dívida como pagamento em vez de receber dinheiro moeda? Eles não querem receber dinheiro moeda, eles querem novos títulos, por dois motivos. Por um lado, o mercado sabe que o juros vão virar novo título e ele vai ter um volume cada vez maior de dívidas para receber. Segundo: dívida elevada tem justificado um continuo processo de privatização. Como tem sido esse processo? Entrega de patrimônio cada vez mais estratégico, cada vez mais lucrativo. Nós vimos há pouco tempo a privatização de aeroportos. Não é pouca coisa os aeroportos de Brasília, de São Paulo e do Rio de Janeiro estarem em mãos privadas. O que no fundo esse poder econômico mundial deseja é patrimônio e controle. A estratégia do sistema da dívida é a seguinte: você cria uma dívida e essa dívida torna o pais submisso. O país vai entregar patrimônio atrás de patrimônio. Assim nós já perdemos as telefônicas, as empresas de energia elétrica, as hidrelétricas, as siderúrgicas. Tudo isso passou para propriedade desse grande poder econômico mundial. E como é que eles [dealers] conseguem esse poder todo? Aí entra o financiamento privado de campanha. É só você entrar no site do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] e dar uma olhada em quem financiou a campanha desses caras. Ou foi grande empresa ou foi banco. O nosso ataque em relação à dívida é porque a dívida é o ponto central, é a espinha dorsal do esquema. (entrevista enviada por Luiz Cordioli)

AMANHÃ:

Maria Lucia Fattorelli explica a importância de haver auditoria

29 thoughts on “Dívidas dos países precisam ser auditadas antes dos acordos

  1. É interessante como essa sistemática neocolonial que pesa tributariamente sobre os empreendedores e verdadeiros investidores e que tem forte repercussão econômica sobre o frágil contribuinte comum, com pequeno patrimonio e dependente da sua força de trabalho.

    Não há governo, mas quadrilhas que servem à mesma facção ganha-ganha (para si).

    Não há explicação, senão dolosa, para tamanha irresponsabilidade fiscal. A associação criminosa abrange desvios, superfaturamentos e um amplo processo de concentração criminosa e especulativa de renda.

    O grande otário na questão é o eleitor, que não enxerga que essa mecanismo desloca riquezas das quais ele deveria usufruir, mas paga preços extremamente altos do atraso, da falta dolosa de infraestrutura, do custo Brasil e da pesada e injustificável carga tributária.

    O atraso do Brasil é fruto de incompetência programada e bem remunerada.

  2. Excelente e elucidativo artigo de Maria Lucia Fattorelli, publicado aqui e na Carta Capital. Ela fala das entranhas, do significado mais bem acabado do Capitalismo mundial. O Capitalismo, e o capital estão na mão dos bancos e grandes corporações. Na vida comum de cada um de nós, já podemos ver a cruel agiotagem que os bancos praticam, seja nos empréstimos consignados (os mais baratos) sejam nos empréstimos do cartão de crédito ou do cheque especial. É isso que Maria Lucia fala, quem adquire empréstimo e o parcela, digamos, no cartão de crédito, vai pagar juros sobre juros e a dívida vira uma bola de neve. Até aqui não abordei propriamente o tema do artigo de Maria Lucia, mas achei importante fazer uma correlação do que acontece com o tomador de empréstimo dos bancos que atuam no Brasil, com os governos de países, como o Brasil que emitem títulos da Dívida Pública, uma forma de empréstimo tomado aos dealers, que são um conjunto pequeno de banqueiros.

    Todavia, os dealers são os donos do Capitalismo. Toda a fortuna que os países arrecadam do suado trabalho de seus cidadãos, vão para a mão dos dealers, como forma de pagamento dos juros (sobre juros) da dívida – que é portanto impagável. Ficamos nas mãos e no poder dos agiotas internacionais e apátridas. Nada mais elucidativo do que as palavras de Maria Lucia sobre o tão querido “mercado” capitalista, defendido a ferro e fogo pela Direita nacional e que já foi defendido com armas pagas pelo povo no golpe militar de 1964. O “mercado” se confunde com os dealers. Podemos dizer que quem defende o Capitalismo, na verdade está defendendo os dealers. E o que o “Mercado” quer ? Maria Lucia explica de forma cristalina : “quando eu falo em mercado, estou me referindo aos dealers – está aceitando novos títulos da dívida como pagamento em vez de receber dinheiro moeda? Eles não querem receber dinheiro moeda, eles querem novos títulos, por dois motivos. Por um lado, o mercado sabe que o juros vão virar novo título e ele vai ter um volume cada vez maior de dívidas para receber. Segundo: dívida elevada tem justificado um continuo processo de privatização. Como tem sido esse processo? Entrega de patrimônio cada vez mais estratégico, cada vez mais lucrativo. Nós vimos há pouco tempo a privatização de aeroportos. Não é pouca coisa os aeroportos de Brasília, de São Paulo e do Rio de Janeiro estarem em mãos privadas. O que no fundo esse poder econômico mundial deseja é patrimônio e controle. A estratégia do sistema da dívida é a seguinte: você cria uma dívida e essa dívida torna o pais submisso”

    Assim sendo, o que os dealers (“Mercado” faz com a economia dos diversos países capitalistas é ainda mais perverso do que os bancos fazem com os tomadores de empréstimo. O tomador de empréstimo, cidadão comum, tem a opção de juntar dinheiro e quitar o cartão de crédito, o cheque especial e outras formas de agiotagem a que são submetidos pelos bancos. Os países não têm esta opção. Os dealers não se interessam que a “dívida” seja paga em dinheiro, mas sim em títulos públicos que vão produzindo juros sobre juros, se tornam impagáveis, colocam as economias dos países em recessão -como agora no Brasil- e obrigam o Estado a vender seu patrimônio para eles, que pouco a pouco, ou mesmo depressa, vão se tornando donos do Mundo, de todas as empresas de porte e de toda a riqueza que é produzida num determinado país.

    Estamos estes anos todos nas mãos do “poder econômico mundial” , assim batizado por Maria Lucia, que nada mais é do que um seleto grupo de banqueiros. Só mesmo os tolos podem defender incondicionalmente o Capitalismo !

    • Não possuo competência e nível para entrar no debate. Mas sempre fico curioso para descobrir o que ou quem é a “Direita nacional”. Eu, modestamente, creio que se refiram a Maluf, Collor e outros remanescentes de outros tempos. Antigamente, estes eram inimigos dos atuais detentores do poder, que se diziam de Esquerda. Estas denominações “Direita” e “esquerda” ainda fazem sentido nos dias de hoje ?

      • Sr. LRoberto, a direita nacional é representada por vários partidos políticos no Brasil, como o DEM, o PP, o PTB, o PSC, o PR, grande parcela do PMDB, afinal ela é numerosa e tem poder de fogo. O pensamento de Direita é este aí abaixo manifesto pelo senhor Wagner Pires. Dilma tem de ser afastada do cargo, já ninguém aguenta mais, mas pode ter certeza que no lugar dela vai entrar alguém da Direita nacional. Aliás, a imensa maioria dos Congressistas que temos são de Direita. Embora o debate Direita/Esquerda pareça desgastado, ele ainda é útil para delimitar o campo político nacional.

        • Sr. LRoberto, não só quem substituirá Dilma na Presidência da República vai ser alguém da Direita, como a Direita NUNCA vai pedir auditoria da dívida do Brasil. O sonho da auditora A especialista brasileira Maria Lucia Fattorelli, ex- auditora da Receita Federal e fundadora do movimento “Auditoria Cidadã da Dívida” no Brasil, foi convidada pelo Syriza, partido grego de esquerda que venceu as últimas eleições, nem tão cedo vai acontecer no Brasil. Provavelmente a auditora Maria Lucia e eu mesmo já estaremos mortos quando um dia o Governo Brasileiro irá mandar fazer uma auditoria da dívida. Quem paga as campanhas políticas dos deputados, senadores e até de presidente da República são os bancos e o grande Capital que se beneficia por manter este ciclo vicioso da Dívida. Note que Maria Lucia só foi convocada para auditar a dívida na Grécia, onde a esquerda tomou o poder.

          A Direita nacional cuida dos interesses dos dealers, explicado o que é isso no trabalho de Maria Lucia, e por estratégia, os dealers não se interessam que a “dívida” seja paga em dinheiro, mas sim em títulos públicos que vão produzindo juros sobre juros, se tornam impagáveis, colocam as economias dos países em recessão -como agora no Brasil- e obrigam o Estado a vender seu patrimônio para eles, que pouco a pouco, ou mesmo depressa, vão se tornando donos do Mundo, de todas as empresas de porte e de toda a riqueza que é produzida num determinado país.

          Quem votar na Direita saiba de antemão que estão votando no poder dos dealers e tudo vai continuar como está. Nem os governos do PT, que se diziam de “esquerda” – mas não são ! tiveram coragem de pedir uma auditoria da Dívida e desafiar os dealers. Os dealers, como Maria Lucia explicou são exatamente o que se chama de “Mercado”. No caso, a meu ver, Mercado de Capitais. Este jogo de interesses é infernal, e os dealers são Vampiros que sugam o sangue dos cidadãos de bem, no Capitalismo dos países periféricos, como o Brasil.

          • Obrigado, Ednei. Eleitoralmente, então, não vejo qualquer chance de alguém que não seja da Direita assumir o poder, pois na “esquerda” estão apenas PCO, PSol e alguns outros nano partidos (pelo menos, por enquanto).

  3. Olha eu concordo com a Sra. Fattorelli e penso que as dívidas dos países, especialmente a do Brasil devem ser auditadas; desde que recaia a responsabilidade e a consequente penalização sobre o administrador público (agente político eleito) que teve a irresponsabilidade de promover o descontrole do gasto público.

    Se assim for eu apoio a auditora aposentada.

    Entretanto, fazer uma auditoria com vistas a satanizar a iniciativa privada e angariar simpatia da população para determinado grupo político passando por cima da irresponsabilidade, inconsequência e venalidade desses mesmos grupos políticos é pura cretinice. É ser calhorda, mendaz e ordinário no último grau de espírito!

    Desta forma a dívida deve ser auditada sobejamente em relação à necessidade de se desfazer os efeitos da acumulação dada pela capitalização dos juros sobre juros, isto é, em montantes crescentes resultantes da capitalização não só do principal, mas, também dos juros dos períodos anteriores, de maneira a expurgar da dívida os montantes resultantes do ANATOCISMO, proibido em relação ao setor público.

    Se o intuito da auditoria fosse apenas o de sanear as contas do Tesouro por meio do corte de uma dívida irregular seria bastante inteligível.

    Mas, o que se sabe é que por trás de um interesse legítimo, verdadeiro, guarda-se uma jogada de grupos políticos de esquerda de tentar ampliar espaço nas contas públicas para estender no tempo políticas populistas economicamente insustentáveis para angariar dividendos políticos junto às populações.

    Não é um sentimento nobre de desejo e busca do bem-estar e crescimento dos povos o que move esta gente; mas, tão somente a busca de meios de aumentar seu proselitismo político.

    O que tem de ficar claro para a população é que o Estado não é e nunca foi gerador de riqueza, isto é um papel desempenhado pela iniciativa privada (famílias + empresas), sempre foi e será, esta é a verdade; e que há um limite para a atuação do Estado a fim de não prejudicar a manutenção do equilíbrio do mercado na geração de riquezas. Neste sentido, mantendo o Estado o seu limite em que permita sua ação nos campos da educação, segurança, infraestrutura e até saúde pública, o que se deseja é um Estado enxuto de modo a não drenar os recursos produtivos da iniciativa privada e tornar inviável o crescimento econômico e, por consequência, social.

    Essa gente não consegue entender que a maior justiça social que pode haver é a garantia de emprego e de salário para o indivíduo. Não consegue ver que cabe ao Estado ampliar esta justiça oferecendo serviços e infraestrutura no sentido complementar à garantia do trabalho e do salário criados pela iniciativa privada.

    Para países como o nosso, que não tem a máquina de imprimir dólar, e que não usa o endividamento público para vertê-lo em infraestrutura que dê sustentação ao crescimento do mercado, do setor privado, o endividamento é criminoso porque insustentável, mesmo o Estado ampliando a carga tributária! Situação atual do Brasil nas mãos dessa gente que tem interesses ilegítimos em relação à população.

    E esta é a realidade que a Sra. Fattolrelli nem tangenciou até o presente momento.

    • Wagner. Muito bem colocado. Olhemos a Argentina. Na hora que ela bater na porta dos bancos novamente, e não demora pois tem um governo irresponsável, a coisa vai ficar feia para os hermanos. Para o povo, obviamente. Para os políticos, enriquecidos tanto quanto os banqueiros, tanto faz como tanto fez.

    • “Só mesmo os tolos podem defender incondicionalmente o Capitalismo!” Ednei Freitas.

      Você é um tolo, Wagner! E eu também…

      “Até o século XIX o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os ‘melhores’ pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.” Nelson Rodrigues

  4. O Sr. Wagner Pires perde a razão como livre debatedor de idéias nesta Tribuna quando, em vez de argumentos, passa a vociferar ódio por quem pensa diferente. Tirando a agressividade que ele emite, vou replicar umas frases sem sentido no contexto, que não têm nada a ver com o que a Maria Lucia escreveu ou se propõe a fazer, nem com o que escrevi sobre o texto de Maria Lúcia, a saber :”Entretanto, fazer uma auditoria com vistas a satanizar a iniciativa privada e angariar simpatia da população para determinado grupo político passando por cima da irresponsabilidade, inconsequência e venalidade desses mesmos grupos políticos é pura cretinice. É ser calhorda, mendaz e ordinário no último grau de espírito!

    Ora, ninguém ( a Maria Lucia ) está fazendo auditoria com vistas a satanizar a iniciativa privada. Maria Lucia faz auditorias das “dívidas” de países periféricos como o Brasil para com os banqueiros internacionais. Isto nada tem a ver com política. As agressões, entretanto, que o Sr. Wagner Pires faz, além de não serem argumentativas, são profundamente desrespeitosas e merecem todo o meu repúdio, a saber; “Entretanto, fazer uma auditoria com vistas a satanizar a iniciativa privada e angariar simpatia da população para determinado grupo político passando por cima da irresponsabilidade, inconsequência e venalidade desses mesmos grupos políticos é pura cretinice. É ser calhorda, mendaz e ordinário no último grau de espírito!” Além de mal escritas, por exemplo, “…determinado grupo político passando por cima da irresponsabilidade, inconsequência e venalidade …” chega a ser cômico, porque ele quis ofender um grupo político e afirma que o grupo passa por cima da irresponsabilidade, da inconsequência e da venalidade – logo é um grupo responsável ! Quem não quer ser membro de um grupo que passa por cima de obstáculos tão ruins que são a irresponsabilidade, a inconsequência e venalidade ? Isso é gente que o Brasil precisa,exatamente quando a crise de governabilidade em que está o país mostra políticos no Executivo (a Presidente, por exemplo), ministros, parlamentares arrolados na Operação Lava Jato, que podem, sim, sem ofensa, serem chamados de irresponsáveis, inconsequentes e venais. Mas isto é outra história.

    Eu não estive nem estou aqui fazendo proselitismo político, mas apenas comentei um artigo muito bem escrito. Agora, repudio os termos usados pelo Sr, Wagner Pires quando adjetiva um comentário como “venalidade”, “cretinice”, “calhorda”, “mendaz” e “ordinário no último grau de espírito” Não vou responder agressivamente este mal traçado texto do Sr. Wagner Pires, por respeito aos leitores da Tribuna da Internet bem como por uma questão de educação pessoal. Não tenho como rebater baixarias, mas sim argumentos. Como dizia Freud, em seus ensinamentos psicanalíticos, se um indivíduo critica com agressividade a outro indivíduo, ele está fazendo o mecanismo psicológico da Projeção – O indivíduo que vê o outro, agressivamente, com vários predicativos negativos, está projetando no indivíduo criticado o que ele só e ele mesmo, o agressor, é quem possui.

  5. “… políticas populistas economicamente insustentáveis para angariar dividendos políticos junto às populações.”

    Entendi, medidas populistas só para os de cima, para A PATULÉIA só ferro exponencial.

    “O que tem de ficar claro para a população é que o Estado não é e nunca foi gerador de riqueza…”

    Nunca gerou riqueza para a PATULÉIA, já para os de cima não é bom nem pensar.

    “…um papel desempenhado pela iniciativa privada (famílias + empresas), sempre foi e será, esta é a verdade;”

    Isso é somho, em se tratando de Brasil, pois, nunca tivemos empresários, que nesse país nada mais são do que mecantilistas da pior espécie. Gatos, sempre chiando e mamando, cultuadores do capitalismo sem risco.

    “…e que há um limite para a atuação do Estado…”

    Não fosse a atuação do Estado, estariamos ainda hoje vivendo no tempo das carroças e dos carroções.

    Crescimento econômico já tivemos, na decada de 70, foi o país que mais cresceu, e um certo gordinho disse: “vamos fazer o bolo crescer para depois distribuir”. O que aconteceu? O bolo sumiu, ou o gato comeu. Se perguntarem ao povo, eles dirão, ninguem sabe, ninguem viu.

    Fui!!!!

    • Mas que confusão mental dos demônios!!!

      Um pensamento simples para aclarar: se é o Estado que gera a riqueza de uma nação, por que ele tem, então de tributar a iniciativa privada (as famílias e as empresas)????

      Ficou claro agora, ou não?

      • Quem criou um clima clientelista entre o governo e determinados setores da economia foram os péssimos governantes que tivemos. Não deveria ser assim e é por isso que se critica a forma do governo de conduzir suas políticas econômicas.

        Veio o governo de esquerda e multiplicou o fenômeno do clientelismo em que o governo drena os recursos da iniciativa privada (e as iniciativas privadas nacionais – de capital nacional – não suportaram tal dreno e faliram) e faz proselitismo político via BNDES e outros bancos oficiais.

        Não fosse esta forma do governo de gerir as políticas econômicas (FISCAL, DE RENDAS, MONETÁRIA e CAMBIAL), interferindo no equilíbrio dinâmico da iniciativa privada, a economia brasileira teria se desenvolvido muito.

        Acrescente-se aí a necessária atuação estatal no campo da educação e infraestrutura.

        Não é um contra-senso? Se o governo não dá conta nem de fornecer educação e infraestrutura básica para o desenvolvimento do país – verdadeiramente -, foi ele o responsável pelo “desenvolvimento” atual?

        Ora, pense!

        O que ocorreu foi justamente o contrário: foi a falta de atuação do Estado em questões básicas que lhe dizem respeito e a intromissão dele no equilíbrio dinâmico das estruturas do mercado que empurrou o país para este inferno econômico em que desembocamos.

        Simples assim.

        • Aqui no Brasil o empresário não tem segurança jurídica, é espremido por um conjunto de legislações (tributária, trabalhista, previdenciária) e por uma parafernália burocrática que tornam a vida das empresas, das livres inciativa e concorrência um verdadeiro inferno!

          O governo, neste sentido força as empresas a fazer um jogo clientelista sim, na tentativa de compensar o sufocamento que o próprio Estado provoca na livre iniciativa com a finalidade de garantir sobrevivência.

          Cria assim um ambiente esquizofrênico em que o Estado toma recursos da inciativa privada via uma alta carga tributária e empresta a determinados setores recursos a juros subsidiados.

          As empresas, então, se veem obrigadas a fazer o jogo do governo para garantirem sua sobrevivência. Quando conseguem, é claro.

          Quanto aos carrões, agradeça a abertura de mercado que houve para aumentar a concorrência e às multinacionais que são responsáveis por 38% do nosso Produto Interno Bruto.

  6. Esta senhora, Maria Lucia Fattorelli, é muito cara de pau. Vá tentar tapar sol com peneira assim, lá na caixa-prego. Não cabe nem discutir as colocações calculadamente distorcidas que ela faz.
    Pede para a Corte – funcionalismo público criado por D.João VI e que continua mamando; empresários amigos do rei que só empreendem com dinheiro público, que se dá lucro é privatizado, se dá prejuízo e socializado; sindicalistas pelegos (os últimos à entrarem na farra com o dinheiro público) – pararem de ROUBAR que logo logo sobra dinheiro para atender as obrigações constitucionais.

    A mercadoria de banqueiro é dinheiro. Rothschild enriqueceu financiando as cortes corruptas da Europa. Eles continuam enriquecendo porque os governos continuam CORRUPTOS. Eles sabem que estão emprestando para LADRÕES. Enquanto esses LADRÕES tiverem garantias, eles emprestam.

    Agora vem essa senhora defender os ladrões do lado de cá, culpando os ladrões do lado de lá.
    Antes e depois da Revolução Francesa, SEMPRE quem pagou o pato foi o povo. Isso continua até hoje, mas continua porque os governos, TODOS, tem algo em comum: pela glória, pelo poder, pelo dinheiro, ou por ideologias retrogadas, eles fazem qualquer negócio. Mas qualquer mesmo. Até matam os adversários ou quem lhes tenta barrar os passos.
    O que menos os preocupa é ASSALTAR os cofres públicos, e, para posar de bonzinhos, colocam nas folhas de pagamento do setor público todos seus cabos eleitorais, parentes, amantes e amigos.
    À conferir:
    – Downing Street 10, Londres, Primeiro-Ministro inglês: 170 funcionários.
    – Palácio do Planalto, Brasília, Presidência da República: 4.600 “funcionários”.

    Quem me dera ser banqueiro, tendo uns cretinos desses, com sobra de garantias, como clientes.
    “Ladrão que rouba de ladrão tem 100 anos de perdão.”
    Alguém já dizia isso há mais de 100 anos.

  7. Nobre Dr. Ednei Freitas, médico psiquiatra e psicanalista dos mais conceituados, li os comentários, seu, do leitor Wagner Pires e de todos mais. O tema em debate é de alta indagação e do interesse da coletividade, de todos os povos e Nações. Pena que a respeito do seu comentário sobreveio comentário agressivo. O leitor Wagner Pires desta vez emitiu conceitos que nem o senhor e nem o seu comentário merecem. Nem é próprio do leitor Wagner Pires, pessoa altiva e que desta vez me surpreendeu.

    Nada, absolutamente nada justifica aquelas adjetivações que Wagner Pires lançou contra seu comentário, mais diretamente contra a sua pessoa. Aqui se debate, não se xinga. Aqui se argumenta, não se ataca, não se injuria, não se calunia, nem se difama. Aqui é lugar onde cada leitor tem toda a liberdade de dizer o que pensa sobre os fatos sociais da História do nosso país e do mundo, remotos, atuais e futuros, com o máximo respeito e lhaneza. Sempre lhaneza.

    No Código de Processo Civil existe um artigo ( o artigo 15 ) que diz: “É defeso às partes e seus advogados empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao juiz, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las”. Se as adjetivações que o leitor Wagner Pires empregou contra o senhor, Dr. Ednei Freitas, fossem nos autos de processo judicial, é certíssimo que o juiz mandaria riscá-las. Dr. Ednei Freitas, tenha aquelas qualificações ofensivas como se tivessem sido riscadas.

    A todos abraço pelo dia de hoje, Dia do Amigo.

    Jorge Béja

    • Pelo amor de Deus, Dr. Béja!

      Em nenhum momento eu adjetivei este senhor!!!

      Que fique claro que o meu comentário se referiu à entrevistada, ao articulista e aos grupos que mantém interesse escusos no assunto.

      E só.

      Grande abraço!

  8. A Maria Lúcia, como todos os auditores está apenas vendendo o serviço dela, independentemente de quem seja o comprador do serviço. Ela deveria vender o serviço de auditar os governos corruptos, e este serviço sim, traria benefício à população.

  9. “A burrice é diferente da ignorância. A ignorância é o desconhecimento dos fatos e das possibilidades. A burrice é uma força da natureza”
    Nelson Rodrigues, jornalista e escritor brasileiro, é tido como o mais influente dramaturgo do Brasil, 1912 – 1980

    “O Brasil não é um país sério”
    Carlos Alves de Souza Filho, embaixador do Brasil na França entre 1956 e 1964.

    “Onde Pasadena, passa boiada e eu acho que nunca se vendeu tanto Lexotan para político.”
    Magno Malta, senador (PR-ES), sobre a delação premiada de Paulo Roberto Costa, ex-Petrobras.

    “A prosperidade de alguns homens públicos do Brasil é uma prova evidente de que eles vêm lutando pelo progresso do nosso subdesenvolvimento.”
    Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Marcus Rangel Porto (11 de janeiro de 1923 – 30 de setembro de 1968, Rio de Janeiro); foi um cronista, escritor, radialista e compositor brasileiro.

    “Não aguento mais pagar imposto e ir para o bolso dos outros. O Bolsa Família? Tudo bem tirar as pessoas da miséria, mas é compra de votos.”
    Bruno Barreto, cineasta, desencantado com o Brasil.

    “Cada povo tem o governo que merece!”
    Conde Joseph-Marie de Maistre (Savoia, 1 de Abril de 1753 — 26 de Fevereiro de 1821) escritor, filósofo, diplomata e advogado.

    • Quem constrói a relação promíscua com o setor financeiro, fique claro isso, é o governo!

      Afinal, o atual governo tem ou não vontade de fazer uma auditoria da dívida pública que ele mesmo criou (majorou) junto ao setor financeiro?

  10. Caro Dr. Beja, solidarizo-me ao sr. Ednei Freitas, achando difícil encontrar a “altivez” do sr. Wagner Pires. Ao contrário, penso que são por essas e outras que debatedores sérios estão jogando a toalha. Há anos tento entender e já fiz vários posts aqui mesmo sobre como se deu a rápida multiplicação da dívida pública, alertando também que agora não há mais diferença entre o que antes considerávamos dívida púlica interna ou externa, já que os rentistas agora atuam no mundo todo, e os títulos estão na mão de banqueiros multinacionais, o que dificulta um calote ou mesmo uma auditoria. Já intuia que só juros sobre juros poderiam explicar tal disparate, acrescentando que diante do vulto da questão, todas as outras são questiúnculas, de somenos importância, sendo muito bem cunhada a expressão bolsa banqueiro. A sra. Maria Lúcia Fattorelli conseguiu explicar com uma clareza tão ímpar a anomalia financeira que se nos impôem, que lhe deveria ser estendido um tapete vermelho pela deferência. Peço aos ilustrados senhores de bem, que certamente são a maioria, que ignorem os ignaros e a descortesia de uns poucos, em nome da maioria que frequentam este nobre espaço em busca de alguma luz, de que nos falava, clamando, Goethe em seu leito de morte. Grato

    • Parabéns pelo comentário, Sílvio.
      Pertinente, correto e demonstrando que entendeu o recado dado pela Fattorelli, que promove um trabalho ímpar pela Cidadania, quiçá único por estas plagas.

      De forma pessoal, sei que estou certo naquilo que tento transmitir, pela intensidade dos comentários agressivos, ou meramente evasivos, que recebo de volta.
      Quanto maior o número deles, sua desmedida violência verbal ou sugestões irônicas, mais tenho certeza que falei o correto.

  11. Em nenhum momento o Sr. Wagner Pires ofendeu a quem quer que seja. Não tenho mais nenhum conhecimento sobre o mesmo, apenas que gosta de pescar. Deve ser um grande economista e é muito educado.

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