Dividir a sociedade por renda é a forma eficaz de realizar (e avaliar) pesquisas eleitorais

Pedro do Coutto
O princípio contido no título é essencial para tanto o Datafolha quanto o Ibope realizarem as pesquisas a respeito da intenção de voto do eleitorado e também para que, todos nós, observadores, possamos avaliar a correção dos trabalhos realizados. Aliás a regra não vale só para o Ibope e o Datafolha, que se encontram mais em evidência, mas para todos os institutos que se envolvem em traduzir os comportamentos humanos em relação às urnas.
Os comportamentos variam de acordo com os níveis de renda dos eleitores, conforme O Globo publicou na edição de quinta-feira, antes, portanto, do debate à noite levado ao ar pela Rede Globo. Vamos ver o que disseram os números.
Na faixa entre até 2 salários mínimos mensais, Dilma alcança 50 pontos contra 23 de Marina e apenas 14 para Aécio. No segmento de 2 a 5 salários mínimos, Rousseff tem 35%, Marina 29 e Aécio 22. No grupo dos que ganham de 5 a 10 SM, Dilma desce para 30, Marina atinge 29 e Aécio 28%. Finalmente na categoria sócio econômica que agrupa aqueles cujos vencimentos passam de 10 salários mínimos, Dilma alcança 22 pontos, ultrapassada por Marina Silva e Aécio Neves, ambos com 29%.
Verifica-se, portanto, que Dilma cresce à medida em que a renda se reduz, e recua na proporção em que as faixas de renda são mais altas. Esse fenômeno explica as diferenças que as pessoas encontram ao comparar as tendências percebidas em sua classe social e as tendências gerais registradas pelas pesquisas. As pessoas de classe média melhor situadas, por exemplo, surpreendem-se quando as estatísticas expostas pelos levantamentos chocam-se com as reveladas por suas famílias e círculos de amizade.
Mas é preciso levar em conta que praticamente 60% da população brasileira, e portanto do eleitorado, situam-se nas duas divisões cujo rendimento mensal não ultrapassa cinco pisos legais. O comportamento em relação ao voto difere de classe para classe, segmento social para segmento social, de nível de escolaridade para nível de formação.
PELO PAÍS
De região geográfica para região geográfica. Os repórteres Renato Onofre, Tiago Dantas e Letícia Fernandes, na edição de quinta-feira 2, de O Globo, destacaram os índices encontrados tanto pelo Ibope, quanto pelo Datafolha, nas várias divisões regionais do país.
Vamos começar pelo Ibope. Nordeste: Dilma 49, Marina 25, Aécio 10. Norte e Centro Oeste: Dilma 44, Marina 27, Aécio 15 pontos. Sudeste, onde se encontram mais da metade do eleitorado: Dilma 30, Marina 27, Aécio 23%. Região Sul: Dilma 42, Marina 16, Aécio 25 pontos.
Os números do Datafolha divergem das estatísticas do Ibope quanto ao Nordeste: em vez de 49, 56 pontos para Dilma e relativamente ao Sudeste quando aponta os mesmos 30 para Dilma, porém queda de Marina de 31 para 29 e subida de Aécio de 22 para 25%. A queda de Marina Silva é assinalada pelos dois institutos. Val acentuar, entretanto, que há divergências entre eles. O Ibope, por exemplo, aponta 10 para Aécio na região nordestina, enquanto para o Datafolha ele alcança apenas 5% das intenções de voto. Somente em São Paulo, sem abranger o resto do Sudeste, o Datafolha (FSP de quinta-feira)registrou Marina descendo de 34 para 31, mas mantendo a frente de Dilma e Aécio, ambos alcançando 26%. Dilma praticamente estabilizou nesse patamar, pois recuou 1 ponto. Aécio, sim, avançou quatro degraus.
Vamos ver o que Datafolha e Ibope vão dizer depois do debate da Globo. E, finalmente, conferir as suas estatísticas com a realidade das urnas de domingo.

2 thoughts on “Dividir a sociedade por renda é a forma eficaz de realizar (e avaliar) pesquisas eleitorais

  1. Não concordo plenamente com o autor, estas mesmas diferenças são visíveis conforme aumenta o nível educacional do autores. No mínimo este fator deve ser considerado junto, até porque renda e nível educacional costumam se correlacionar positivamente.

  2. BEM a grosso modo, no tocante as pesquisas de intenção de voto no Brasil, concordo plenamente com este artista primoroso que é o Sponholz… e sua charge, que ilustra o bem intencionado artigo do jornalista Pedro do Coutto.
    A meu ver, a charge traduz com competência o ditado antigo que, em cada cabeça uma sentença, uma escolha… volúvel…como o voto.
    É a natureza humana…

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