Divulgação imediata em Paris da prisão de Strauss-Khan reforça a possibilidade de um complô armado pela equipe do presidente Sarcozy.

Carlos Newton

Era só que faltava. A divulgação quase que em tempo real da notícia da prisão do diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, por um jovem francês ligado ao partido do governo do país, mostra que o escândalo pode ter sido parte de um complô contra Strauss-Kahn, favorito nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2012.

A verdade é que apenas 14 minutos depois de Strauss-Kahn ser detido (e antes mesmo de a imprensa americana divulgar o caso), o jovem Jonathan Pinet, estudante do Instituto de Ciências Políticas de Paris e militante do Partido UMP, do presidente francês Nicolas Sarkozy, alcançou a façanha de noticiar na capital francesa a prisão do diretor do FMI em Nova York.

Usando o Twitter, Pinet afirmou que “um amigo nos Estados Unidos acaba de me informar que DSK (como Strauss-Kahn é chamado na França) teria sido preso pela polícia há uma hora em um hotel em Nova York”. Depois, para não levantar mais suspeitas, Pinet alegou ter recebido a notícia “de um amigo que conhece alguém que trabalha no hotel Sofitel” em Nova York. Segundo o jornal Le Monde, que faz um esforço extraordinário para defender Pinet, essa terceira pessoa, que teria dado a notícia da prisão ao amigo de Pinet, trabalharia no restaurante do hotel, ora vejam só como as notícias correm rápido dentro desse hotel de 5 estrelas de Nova York.

Outra comprovação de que houve uma armação contra Strauss-Kahn foi o fato de que a primeira pessoa a responder à mensagem de Pinet no Twitter foi Arnaud Dassier, responsável pela campanha de Sarkozy na internet para as eleições presidenciais de 2007, embora oficialmente aleguem que realmente foi só uma “coincidência”.

“Estava assistindo à TV no sábado à noite (em Paris) e navegando no Twitter. Perguntei a Pinet se a informação (sobre a prisão) era confirmada. Ele respondeu que sim e passei a notícia adiante”, afirmou Dassier em uma entrevista ao jornal Le Parisien. “Isso só prova que eu utilizo o Twitter rapidamente e me interesso pela política, mais nada”, acrescentou Dassier, que deve pensar que o resto da humanidade é formado de idiotas.

Como se sabe, até o início do escândalo, o chefe do FMI liderava todas as pesquisas de opinião sobre as eleições presidenciais de 2012, embora ainda nem tivesse se declarado oficialmente candidato às primárias do Partido Socialista.

Strauss-Khan sabia que estavam investigando sua vida privada e seu relacionamento com prostitutas. Há alguns meses, já tinha até dado uma entrevista anunciando que logo surgiria uma denúncia desse tipo nos jornais franceses. Mas acabou sendo vítima da linda camareira, que contou à Polícia de Nova York uma história do arco-da-velha e acabou com a carreira do político francês. Tudo coincidência, é claro.

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