Documentário equivocado sobre Joel Silveira. * Legislativo contra Judiciário. * Federação do Comércio contra Confederação. * Angela Merkel acusa povo alemão, apoiou Hitler. * Suprema humilhação: tropas são revistas pelo corrupto Renan Calheiros.

Helio Fernandes

Antes da eleição e depois já sentado na cadeira presidencial, Henrique Eduardo Alves exagerou na bravata: “Na questão dos mandatos dos deputados cassados, a última palavra será da Câmara, sobre isso nenhuma dúvida”. Fazia parte da campanha eleitoral.

 A nova imagem da Câmara

Tomando um susto ao ganhar com diferença mínima e miserável, o novo presidente da Câmara sentiu que precisava reafirmar a posição. Repetiu que essa era uma decisão irrevogável. E recheou o discurso: “Não me acusaram de nada, foram apenas labaredas que não destruíram a vida que construí para mim nos últimos 42 anos”. Não destruíram mesmo. Pelo menos a sonegação e a evasão de dinheiro, intactas.

Poucas horas mais tarde, o Congresso se reuniu para a tradicional sessão anual da leitura da Mensagem presidencial. Joaquim Barbosa, presente, foi perguntado sobre a cassação dos mandatos dos deputados. Declarou: “Isso cabe ao Supremo. É a minha última palavra”.

DONA DILMA EM BAIXA, SILENCIADA
PELOS CORRUPTOS DO PMDB

É o pior momento na presidência. Até agora não fez nada em 2 anos de governo. O primeiro foi a fase de demissão de 8 ministros, nenhum punido. Jogou tudo para debaixo do tapete. Ah!, conseguiu salvar seu Ministro Pimentel, mesmo demitindo a Comissão de Ética do Planalto. Quem foi mesmo que afirmou que “a ética é um meio e não o fim”?

Está cercada pelo que existe de mais corrupto, condenável e indefensável, apoiou publicamente Renan e Henrique Eduardo Alves. Mergulho profundo na insanidade, irresponsabilidade e falta de respeito com ela mesma: o líder do governo no Senado foi escolhido por Renan, que manda em tudo.

Não falaram publicamente, mas é o grande assunto nos bastidores militares: Renan passando em revista as tropas. A palavra mais citada e referendada: H-U-M-I-L-H-AÇ-Ã-O.

A FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO
SILENCIOU SOBRE A CONFEDERAÇÃO?

O mago e mágico Oliveira Santos está há 33 anos gozando as delícias e mordomias (só isso?) da poderosa Confederação do Comércio. Durante esse tempo todo, nenhuma acusação, mandando e desmandando sem restrição.

Inesperadamente a Federação do Comércio (Fecomércio) vem a público e denuncia “os 33 anos de Oliveira Santos na presidência da CNC (Confederação Nacional do Comércio) precisam acabar, é um retrocesso”. Pânico, susto e confusão, reuniões em cima de reuniões. A tranqüilidade voltou para Oliveira Santos e seus economistas apaniguados que serviram à ditadura.

A Fecomércio silenciou? Também recuou? Pelo menos não se fala mais no assunto. 33 anos são insondáveis, impenetráveis, indestrutíveis. Que República.

ANGELA MERKEL: O POVO
ALEMÃO APOIOU HITLER

Desde que a Segunda Guerra Mundial acabou, a questão foi levantada: Hitler poderia ter acumulado tanto Poder, sem o apoio ou a “compreensão” da patuléia vil e ignara? A resposta sempre foi conclusiva: muitos resistiram, mas a maioria adorava Hitler, se arrojava a seus pés, era considerado ídolo e mito.

Agora, surpreendentemente, Dona Ângela Merkel levanta a questão, e de forma nitidamente condenatória. Dona Merkel não vai mais disputar eleição? Ou detectou que a vontade do cidadão é denunciar aqueles tempos amaldiçoados?

Em 1º de março de 1939, Hitler e Stalin assinaram um “Pacto de não-agressão”. Em 1º de setembro desse mesmo 1939, os dois carrascos assaltaram a Polônia. Hitler partiu da Alemanha, Stalin da Ucrânia (fronteira com a Polônia), o massacre foi total. No gueto estavam mais ou menos 300 mil habitantes, não resistiram. Quando sobraram apenas 38 ou 40 mil, tentaram alguma coisa, era muito tarde.

Terminada a guerra, criada a Alemanha Oriental, Dona Merkel, comunista mas desconhecida, ficou lá. Um dos seus prazeres era visitar o “Muro de Berlim”. Quando surgiu a unificação das duas Alemanhas, começou a carreira política, chegando a alturas jamais imaginadas. Agora essa declaração verdadeira, mas surpreendente e estapafúrdia.

COMISSÃO DA VERDADE “DESCOBRE A PÓLVORA”
NO ASSASSINATO DE RUBENS PAIVA

Claudio Fonteles foi um dos melhores, mais competentes, corajosos e independentes Procuradores da República. Só ficou 2 anos, não quis mais 2, respeitou a tradição. Indicado para a Comissão da Verdade, é o mais assíduo, compenetrado e responsável. Só que agora cometeu equívoco.

Anunciou estrepitosamente, que palavra, o assassinato de Rubens Paiva, Já se escreveu fartamente que foi assassinado no Doi-Codi (Exército), depois de torturado na Aeronáutica (Cisa). O que todos querem: o nome dos assassinos, embora não deve estar ninguém vivo, já se passaram 42 anos.

O DOCUMENTÁRIO DA GLOBONEWS
DESFIGUROU JOEL SILVEIRA

Por ter sido amigo do grande jornalista e pela massificação das chamadas, me preparei para assistir o programa do início ao fim. E acrescentando: pelo fato de ser dirigido por Geneton Moraes Neto, um das pessoas mais íntimas de Joel. Íntimo e parceiro num livro excelente, sobre o qual o próprio Joel escreveu: “Sem o Geneton o livro não existiria”.

Por tudo isso, minha decepção foi completa, decepção e perplexidade. Não se salvou nada do documentário, nem merece esse nome. Os narradores, desnecessários, confusos, inúteis e inaudíveis. O Joel que aparece, ou melhor, desaparece, não merecia esse descaso e displicência. Vá lá, visão equivocada.

Não sobrou uma frase, uma reportagem, qualquer coisa que lembre o extraordinário repórter. Para o cidadão que viu o programa, sobrou um homem gordíssimo, com mais de 150 quilos, sem que fosse explicado que Joel foi vítima de uma doença, que acabou por matá-lo.

Geneton, que tem descoberto entrevistados desconhecidos que produziram excelente material, foi íntimo de Joel, e dessa intimidade tirou um programa que compromete no título. Joel nunca foi uma VÍBORA, era cordialíssimo, repórter que não escondia ou omitia fatos e opiniões.

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PS – Curiosidade: no antigo Distrito Federal, um prefeito (nomeado) recebeu um acervo com muito passivo. Incluindo um antigo jornal, chamado “Vanguarda”. Pediu a um jornalista amigo que indicasse alguém para dirigir o jornal. O jornalista indicou Joel, que dirigia o semanário Mundo Ilustrado, do Diário de Notícias.

PS2 – Tinha tempo disponível, aceitou. Em um mês a Vanguarda estava nas bancas, belíssimo jornal. Primeira página excelente, com o branco predominando, as outras 15 páginas também. Mas os amigos reclamavam: “Está muito bonito, Joel, mas não tem notícia”. E o Joel, como sempre fulminante: “Isso não tem importância, quem quer notícia compra o Globo”.

PS3 – A primeira coluna social de Ibrahim Sued saiu nessa “Vanguarda”, que, lógico, não durou muito. Mas as conversas à tarde eram divertidíssimas. Esse Joel Silveira, bastante distante do Joel do documentário.

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