Documentário sobre Caetano Veloso expõe a face, muitas vezes oculta, da ditadura militar

Documentário sobre prisão de Caetano Veloso é exibido no Festival de Veneza  | Jornal Nacional | G1

No filme, Caetano relata sua prisão no regime militar

Pedro do Coutto

O documentário sobre Caetano Veloso, exibido nesta segunda-feira no Festival de Veneza, representa uma exposição e ao mesmo tempo uma revelação sobre o processo da ditadura militar brasileira, que passou por várias fases, e portanto, tendo terminado em 1985, não foi acompanhada pelas gerações que nasceram depois do arbítrio e da tortura.

Produzido por sua mulher Paula Lavigne, o filme baseia-se no relato de Caetano nos meses em que esteve preso no governo Costa e Silva.

NA SOLITÁRIA – Sua prisão, sem qualquer fato que desse margem à medida, estendeu-se por dois meses dos quais alguns dias na solitária. Seu companheiro de cárcere foi Gilberto Gil, preso nas mesmas condições.

Caetano Veloso forneceu um documento que vai se incorporar à história do Brasil, destacando um dos períodos mais sombrios da memória nacional. O movimento político militar que derrubou o presidente João Goulart dividiu-se em três períodos sombrios: a ditadura do general Castelo Branco, a do general Costa e Silva e a ditadura Garrastazu MedicI. Houve duas fases de relativo afrouxamento. A do general Geisel e a do general João Figueiredo.

Os períodos estão muito bem focalizados nos livros de Elio Gaspari “A Ditadura Envergonhada” e a “Ditadura Escancarada”.

DITADURA DE VARGAS – Para mim a Ditadura Escancarada é a que mais se assemelha à ditadura de Getúlio Vargas no período novembro de 37 a fevereiro de 45, quando presos políticos eram torturados no prédio da chefatura da polícia e no quartel da Polícia Especial, no Morro de Santo Antonio, já demolido.

Assinalo que a deposição de Vargas ocorreu a 29 de outubro de 1945. Mas a censura foi derrubada antes, em fevereiro, por uma entrevista de José Américo de Almeida ao repórter Carlos Lacerda, publicada no Correio da Manhã.

HISTÓRIA DOS PORÕES – Esclarecido o episódio, creio que a importância histórica do documentário focalizando Caetano Veloso é a de que o filme ficará para sempre funcionando para informar às gerações que vierem depois de nós.

O documentário registra o arbítrio, os interrogatórios imbecis sem qualquer conteúdo lógico, as acusações sem quaisquer provas, os gritos dos torturados e os risos dos torturadores. Está na história política dos porões, tanto os que ficam em prédios, e também os que ficam na consciência dos carrascos e nas pessoas civilizadas que manifestam sua repugnância.

LULA NO ATAQUE – Lula, agora, muda de tom e ataca Bolsonaro. O ex-presidente desferiu fortes ataques nas redes sociais contra o presidente Bolsonaro, episódio que deu margem a reportagem de Carolina Linhares, Folha de São Paulo de hoje.

Seguramente pressionado pelas bases do PT, Luis Inácio da Silva culpou Bolsonaro pelas mortes causadas pela Covid-19 e também por seus ataques à democracia que jogaram o Brasil num pesadelo que parece não ter fim. Lula acrescentou que, com a ascensão de Bolsonaro, milicianos atravessadores de negócios e matadores de aluguel saíram das páginas policiais e apareceram nas colunas políticas. Atacou também a política ambiental e as medidas que retiram direitos dos trabalhadores, reduzindo seus salários.

DIZ MERVAL –  Na sua coluna de O Globo de hoje, Merval Pereira focaliza a nova postura do ex-presidente, frisando ter ele recuado da insinuação que lançou no ar na semana passada de que poderia ser candidato a vice presidente de alguém com possibilidades reais de vitória.

Merval lembra que ele citou o exemplo de Cristina Kirchner, porém a partir de ontem passou a reassumir a posição que ocupou no passado recente que marcou a vitória de Bolsonaro nas urnas. Lula pareceu confiante e sua reabilitação quando seu recurso chegar à segunda turma do STF.

Não tenho essa certeza. Com a reportagem de Cristina Linhares e o artigo de Merval Pereira, o panorama político do país passou a ser outro.

16 thoughts on “Documentário sobre Caetano Veloso expõe a face, muitas vezes oculta, da ditadura militar

  1. “Generalizar é burrice”, diz o chavão secular. Mas os nossos irmãos baianos têm uma tendência compulsiva a depravações, vícios, desregramentos….. Não me vou aprofundar mais, porque sou neto de baiano, e tenho diversos parentes no Pará: tios, irmão, muitos primos e sobrinhos. Até parece que os desvios desses dois povos têm a ver com urologista, ou com o conteúdo líquido dos nomes de ambos os Estados: Bahia e Pará (rio, em tupi-guarani). Coincidentemente, têm as capitais onde as pessoas mais urinam em plena rua, e que apresentam “regras de costumes” muito diversas daquelas, que a maioria decente dos brasileiros espera encontrar. Só isso!
    Falso ou verdadeiro, os militares, dentre outros propósitos, restaurar a ética pública também era uma meta! Um exemplo contemporâneo, da praga que significa o esgarçamento dos valores morais de uma nação, é a Holanda babilônica.

  2. “Em janeiro de 1972, Caetano Veloso retornou definitivamente ao Brasil, após haver visitado o país em agosto de 1971, onde participou de um encontro histórico, ao lado de João Gilberto e Gal Costa, realizado pela extinta TV Tupi”.

    Oh, coitados, sofreram muito. Igual a Chico.
    Quem sofreu foi aqui morreu, como Herzog, Angel e muitos outros. Mas Chico merece o desconto pelas inigualáveis canções de protesto, onde punha todo o seu talento em metáforas inesquecíveis. Já os baianos …

  3. Quem sofreu foi quem aqui morreu, como Herzog, Angel e muitos outros. Mas Chico merece o desconto pelas inigualáveis canções de protesto, onde punha todo o seu talento em metáforas inesquecíveis. Já os baianos …

  4. Caetano Veloso é um cretino, fica chorando a ditadura brasileira enquanto puxa o saco de ditaduras de esquerda. Os torturados de ontem, hoje e amanhã das ditaduras defendidas por esse boçal não são dignas de “empatia”.

  5. O relato no livro “A verdade tropical” esgotou a experiência da prisão do Caetano. Esse filme deve omitir certos detalhes lá revelados. Chamar uma cela individual, num quartel, de solitária é um típico exagero tropicalista. A prisão de Caetano e Gil foi uma grande besteira, injustificável.

  6. Linda
    E sabe viver
    “Você me faz feliz
    Esta canção é só pra dizer
    E diz
    Você é linda
    Mais que demais
    Você é linda sim
    Onda do mar do amor
    Que bateu em mim,”
    (Você é Linda – Caetano Veloso).

  7. Documentário parcial(dirigido pela esposa), mentiroso, manipulado de acordo com os interesses da esquerda derrotada, resumindo, mais uma tentativa de reescrever a História, pelos coitadinhos de sempre, os heróis, os guerreiros, defensores da democracia.

  8. La vem novamente o lula, trabalhando para reeleger o Bolsonaro.
    Para ele, o lula, se não pode estar no poder, melhor então um adversário declarado. “Cumpanhero”, nem pensar.
    É o verdadeiro “pinus eliot”, a sua sombra,nada se cria.

  9. Digam o que quiserem mas a verdade é que o boçal é tão ruim que chega a fazer grande parte da população preferir o Lula. Digo isso sem remorso,porque não votei em nenhum dos dois. Não sei quem escreveu mas o discurso de ontem foi muito bom e lido corretamente. Meu temor é que, com o PT ou com o boçal, o Brasil está completamente sem futuro. É uma pena que gente tão boa tenha que passar por tantas agruras.

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