Dois a zero para os conservadores

Carlos Chagas 
                                              
Nos primeiros minutos da partida, os conservadores  já chegaram perigosamente à área dos progressistas, marcando dois gols:  conseguiram da presidente Dilma Rousseff a decisão de privatizar os novos terminais dos aeroportos e arrancaram a declaração de que a folha de pagamento das empresas será desafogada, imaginando-se de onde virá a compensação para os cofres públicos,  senão de toda a população.

Bolas na trave também  acertaram  uma, com a informação de que os funcionários públicos não terão qualquer reajuste de vencimentos, este ano.  Continuam no ataque, exigindo cortes nos gastos públicos, no setor dos investimentos e do custeio da máquina estatal, bem como ameaçam com  a regulamentação da reforma da Previdência Social, nivelando os aposentados por baixo e estimulando o crescimento  da Previdência Privada. Chutam de qualquer distância e dominam o jogo.
                                              
Do  lado dos progressistas, pouca movimentação: o anúncio pelo ministro da Educação do tempo integral para o casamento do ensino médio com o ensino técnico e, pelo ministro da Previdência, a promessa do  reajuste um pouquinho maior para os aposentados que recebem acima do salário mínimo. Não chegaram ao fundo da  rede dos conservadores porque essas duas propostas ficarão para o ano que vem, se mantidas.
                                              
Assim estamos no embate iniciado a partir da instalação do  governo  Dilma Rousseff.  As elites dão o ritmo,  com suas exigências e cobranças, iludindo as arquibancadas a respeito de já terem assegurado a vitória. Evidência disso são os rasgados elogios à nova presidente da República e sua equipe econômica, através dos editoriais, comentários e até reportagens dos principais jornalões. Virar o jogo em favor dos interesses das massas será sempre possível, na dependência de seus craques por enquanto  indolentes. Será bom aguardar. 
 
MÃO E CONTRA-MÃO 
 
Prevê-se uma avenida de duas mãos, na primeira reunião ministerial do novo governo, dia 14.  Dilma Rousseff deverá expor sua estratégia de ação, exigindo de seus ministros um discurso unificado  e um comportamento comum em função de seus objetivos. 

Mas também apelará para que cada integrante de sua equipe apresente em curto prazo um elenco de realizações para o  respectivo setor. Importante será saber a extensão dos prazos de cumprimento  dos dois objetivos.  A impaciência, no caso da nova presidente da República, pode constituir-se numa virtude.
 
INFANTILIDADE
 
Foi infantil o boicote do PMDB às posses de Luiz Sérgio, nas Relações Institucionais, e de Alexandre Padilha, na Saúde. Julgando-se dono  desses dois ministérios, assim como proprietário de montes de gordos cargos   no segundo escalão,  o outrora partido do dr. Ulysses demonstrou estar mais para o fisiologismo do que para o sucesso do novo governo.
                                                       
Restava saber, ontem, da validade das ameaças de líderes peemedebistas,  de que Dilma Rousseff não perde por esperar, quando o Congresso  for debater o salário mínimo e outros projetos de interesse do palácio do Planalto. O PMDB tem  muito mais a perder se levar essa briga adiante.
 
DURO, MAS COM TERNURA
 
O novo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, pretende reunir-se o mais breve possível  com os governadores estaduais para equacionar propostas objetivas visando uma ação comum no combate ao crime organizado.  Não dá para aceitar que de dentro das penitenciárias os chefões continuem comandando todo o tipo de ações espúrias. Se for o caso, novas prisões federais de segurança máxima serão implantadas.

O poder público precisa agir com dureza diante dessas aberrações, sob pena de o  poder paralelo do crime voltar a dominar as comunidades agora libertadas de sua influência, como em muitas favelas do Rio.  O novo ministro é amplamente favorável à presença das forças armadas no enfrentamento ao crime organizado e na defesa da ordem pública.

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