Dona Dilma governa sem oposição, os raros que discordam são chamados de pessimistas. Esquece que, sem projeto ou programa, pratica o terrorismo administrativo.

Helio Fernandes

Todos os países são comandados pelo governo propriamente dito e pela oposição. Quanto mais vigorosa e fiscalizadora a oposição, melhor para quem foi eleito presidente. Até nas ditaduras existem os que combatem. Como as ditaduras são violentas e torturadoras, os que se opõem precisam de mais coragem e determinação. No primeiro mandato e agora no segundo, Obama depende do Congresso para “fazer”.

Na França, Mitterrand se elegeu em 1981 derrotando o presidente no cargo, Giscard d’Estaing. Em 1988 se reelegeu, e outra vez fez maioria na Câmara, que precisa aprovar os ministros. Em 1990, eleições gerais, perdeu a maioria, teve que nomear primeiro-ministro o oposicionista Chirac.

Criou-se então uma situação singularíssima, um presidente socialista e um primeiro-ministro conservador, o que foi chamado de “coabitação”. Dois anos depois Mitterrand recuperou a maioria da Câmara, no mesmo dia demitiu Chirac, que dois meses depois se elegia prefeito de Paris, a primeira vez que a grande cidade tinha um prefeito eleito.

Há muitos anos defendo que as eleições presidenciais sejam separadas. Ou junto com senadores. Governadores com deputados federais e estaduais, prefeitos com vereadores. Sempre me contestavam com um único argumento: “será muito caro fazer várias eleições”. Não há preço ou custo condenável para uma representatividade mais autêntica.

O MALABARISMO DA PRESIDENTE
COM APENAS 88 DEPUTADOS EM 513

Dona Dilma se elegeu, foi ao segundo turno sem o menor risco, questão de detalhes. Com essa minoria espantosa, Dona Dilma teve que se compor de qualquer maneira, nesse ineficiente e atrasadíssimo presidencialismo-pluripartidário. Com 29 partidos, alguns sem eleger ninguém, assim mesmo é preciso o popular “toma lá dá cá”.

Geralmente “tomam” logo, e não “dão” nunca, não têm o poder de troca. Lula enfrentou o mesmo problema nos dois mandatos. É urgente-urgentíssima (tipo de voto que está na Constituição) uma reforma partidária séria, profunda, que permita a um presidente governar sem precisar de 39 ministros, que já serão 40 no mês que vem.

Essa bagunça partidária é de tal ordem que o senador Crivella se licenciou para assumir o Ministério da Pesca. Ridículo e absurdo, desapareceu. Esse setor é importante, mas deveria fazer parte de um ministério, digamos o da Agricultura.

DONA DILMA PERDEU O SEGUNDO ANO
DE GOVERNO, GARANTIU: “2013 SERÁ TODO
ADMINISTRATIVO, POLÍTICA SÓ EM 2014”.

Nada vale nada ou representa alguma coisa, nos compromissos de Dona Dilma e do Planalto. No primeiro ano teve que demitir oito ministros, quase todos por irregularidades, prática ou tolerância com a corrupção. Não puniu ninguém, falou em “faxina”, o pluripartidarismo não permitiu mais do que o afastamento do cargo, o mesmo partido indicando outro titular.

Assim gastou o primeiro ano, mais ou menos efêmero em matéria de realização. O segundo, totalmente vazio, escuro, perdido. Inflação alta, não investimento, infraestrutura desaparecida, o PIB inexistente, dispersão de todas as previsões e esperanças.

Mas a oposição não apareceu, vir de onde? Dona Dilma está absoluta, em plena campanha para a reeleição. A chamada oposição não tira seu sono, a preocupação é interna e não externa.

O “PIBÃO GRANDÃO” DE 2013

Diante do fracasso ostensivo de 2012, Dona Dilma “passou recibo”, fez essa afirmação, garantindo: “2013 será todo administrativo, política só em 2014”. Mas logo, logo quebrou o pacto com ela mesma, “confidenciou” ao governador de Pernambuco: “Serei candidata à reeleição em 2014”. Dentro do combinado, ele divulgou amplamente a “confidência”. Nada contra ele, presidente não faz confidência.

Agora, administrativamente 2013 já acabou. Dona Dilma está em plena campanha eleitoral, no Planalto ou fora dele. Com isso, todos os partidos também se jogaram nas ruas ou na televisão, fazem a mesma coisa, só que não têm a responsabilidade de comandar um país.

PSDB: NEM CAMPANHA NEM OPOSIÇÃO

Deveria ser o grande aglutinador de oposição, quase tão importante quanto o governo. Só que o PSDB não consegue se aglutinar nem internamente. Os mesmos personagens que integraram o retrocesso dos 80 anos em 8 de FHC (frase que estabeleci com FHC no Poder, numa oposição diária e intransferível da Tribuna imprensa e deste repórter) vivem acordados ou desacordados sem saber o que fazer. Pensam (?) em 2018, que parece ser o objetivo geral, excluídos Lula e Dilma, presentes em 2013 para a conquista de 2014.

O governo Dilma vai desmoronando, nem precisa de oposição para isso. O PSDB, sem nenhuma convicção ou identidade, ameaça (?) novamente com Serra, Alckmin ou Aecio Neves, que corre o risco de se transformar em “jovem Mathusalem”. FHC já confidenciou a amigos: “Se eu tivesse menos 6 ou 7 anos”.

CHÁVEZ SE COMUNICANDO

Gostaria que fosse verdadeira essa carta assinada por Chávez. Mas a cúpula chavista é tão desmoralizada, que fica difícil acreditar. E por que não aparecem comunicados médicos sobre seu estado, como era feito com Tancredo Neves?

Por outro lado, como já se passou mais de um mês da cirurgia, pode estar havendo uma resistência fora do comum. Por que não informar à comunidade da Venezuela e do mundo? E a tal carta, foi escrita e ditada por ele? Em qualquer das duas versões, positivas, por que esconder?

GENOINO ESTRÉIA HOJE

Reunião da bancada do PT, liderada pelo seu irmão. Ele vai pela primeira vez, apesar de não estar muito satisfeito. Motivo: queria fazer um discurso, na primeira quarta-feira depois do recesso. Foi aconselhado ou desaconselhado a esperar.

Perguntou irritado: “Esperar até quando? Seria então o discurso de despedida, quando deixar a Câmara. É isso que vocês querem?”. Ninguém respondeu, dizer o quê a um camarada como ele?

TUMULTO, PÂNICO E CONFUSÃO NA CNC

Oliveira Santos, depois de 33 anos de poder e mordomias, apavorado, “sentindo” que seu mundo desmoronava. Reuniões e mais reuniões, nenhuma solução. O “grande presidente”, que quase não falava com ninguém, só a cúpula, agora quebra o silêncio.

Duas afirmações dele, em tom de “heroísmo” e não de fim da ditadura. “Não podemos ser derrotados por um órgão hierarquicamente inferior”. E a seguir: “Temos que resistir e responder a esse pessoal que sempre nos bajulou”. Nenhum comentário.

AS CONSULTAS DE RENAN

O ex e quase futuro presidente do Senado tem conversado muito com advogados e até juristas. A pergunta única: “Se o Supremo examinar e aprovar a denúncia do Procurador-Geral, depois de eu já ter sido eleito presidente, podem me tirar?”. Nenhuma resposta, motivos óbvios.

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