Dona Dilma, palanqueira, patrulheira, pelanqueira, vai apoiar Garotinho-Cabral, Roseana Sarney-Jackson Lago. E a grande vocação de Cristiano Machado, 60 anos depois, não irá para o Vaticano

Chegamos aos 6 meses finais da melancólica sucessão de Lula. Bem que este não queria sucessão. Modesto, humilde, reverenciado dia e noite por ele mesmo, considerava: “Com 80 por cento de aprovação, é evidente que o povo quer que eu fique”. Como a apreciação podia até ser verdadeira, mas de um lado só, Lula não conseguiu continuar.

E a única que não ameaçava seu futuro, era Dona Dilma. Então começou a desobstruir todos os caminhos para ela. E a melhor maneira de conseguir isso e criar a impressão (pelo menos a impressão) de que era invencível, só uma forma de obter sucesso: destruir os adversários dentro do PT. Ela não era do PT e o PT não queria ela, mais do que redundância, uma coincidência que unia 2010 a 2014.

Lula veio trabalhando de longe, impressionante que dentro do PT, ninguém percebeu. Agia em duas frentes. EU, sempre em primeiro lugar. Na impossibilidade de consolidar o terceiro mandato, evoluía ou involuía (em se tratando de Dilma, nenhuma contradição) na alternativa que considerava, proclamava e moldava como a única aceitável.

Quando assumiu para o primeiro mandato, já pensava (?) no terceiro. Por isso Mercadante não foi nada, embora acreditasse que seria tudo. Cumpriu os 8 anos no Senado, tão desgastado, que agora sua carreira é IRREVOGÁVEL. (Palavra que o próprio Mercadante popularizou).

Palocci ficou muito tempo no Ministério da Fazenda, porque Lula não acreditava nele. Quando Palocci deu sinal de força, foi demitido imediatamente. Meirelles jamais preocupou, a Constituição exige que o presidente seja brasileiro nato. (E não apenas geograficamente). Lula começou a “empinar o papagaio Dilma”, ao transferi-la para a Casa Civil. Era uma candidata como nunca se viu.

Não abandonou o projeto do terceiro mandato, tentou até PRORROGAR todos os mandatos, do Executivo, Legislativo e Judiciário. Não conseguiu, mergulhou então na profundidade de Dona Dilma, mais invisível do que o polêmico pré-sal. Ela custou a crescer. Mas como todo o PT havia sido marginalizado, sobrou, a única que não soçobrou.

Agora, chegou a hora da incerteza. Vieram as pesquisas, tão falsas e desfiguradas quanto as candidaturas que surgem nos porões, mesmo palacianos, e se dissolvem com a luz do dia. A sorte, pelo menos circunstancial de Dona Dilma, é que enfrentará a mistificação tão grande quanto ela, que se chama José Serra.

Não dá nem para enganar, já sabe que pode muito bem ser enganada. Pelo próprio PT. Não é candidata do partido, nunca pertenceu ao partido, é desconhecida do partido inteiro. Seu sustentáculo se chama Luiz Inácio Lula da Silva, mas ele não controla tudo. Os que acreditavam na vitória dela no primeiro turno, não acreditam mais.

Dona Dilma é um portento, não é admirada, respeitada, prestigiada. A cúpula do PT, planejadamente dizimada pelo próprio Lula, sem que nada aconteça a ele, não percebeu que desde de antes ou de sempre, Lula tinha duas opções: “Eu ou Dilma”. A cúpula do PT não irá derramar uma lágrima pela possível ou pelo menos não impossível derrota de Dona Dilma.

A preparação levou anos. O tempo e o espaço foram diminuindo para o próprio Lula, crescendo para Dona Dilma. À medida que foi percebendo que não dava para MIM, foi destroçando os adversários-correligionários, aplainando o caminho para ELA. Por que Dona Dilma? Muito são subservientes, mas não como ela.

O PT não percebeu coisa alguma. Mas a técnica ou a tática de derrubar companheiros que podiam crescer demais, foi ensinada por Dirceu ao próprio Lula, em 1988. (Antes de chegarem ao Poder, quando Dirceu chamava Lula de VOCÊ, e Lula chamava Dirceu de SENHOR. E a relação era precisamente essa).

Em 1988, Wladimir Palmeira era a grande liderança do partido. Tendo combatido duramente a ditadura, foi também vitima dela. Não fugiu (como quase todos, “escondidos” atrás da palavra EXÍLIO), preservado pelos bravos padres da São Vicente, nas Laranjeiras.

O veto a Wladimir tem tudo a ver com o episódio de agora. Candidato unânime a governador, não tinha concorrentes, a não ser os ambiciosos de Brasília. A “solução”, para estes, era tirar Wladimir do jogo. Imaginem um líder como Wladimir, governador de estado? Imitaram a ditadura, foi cassado. Só que para sempre.

Dona Dilma fez de tudo para dinamitar a festa de aniversário do ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Quando soube das atividades da candidata, a cúpula do PT “engrossou” a comemoração, sabendo que Dona Dilma tinha duas opções desgastantes. 1 – Ir à festa e ficar a descoberto, “apanhando” de todos os lados. 2 – Não ir, e ficar “ao sol e ao relento”, como ficou realmente.

Mas se queixou com Lula: “O que é que o PT queria? Que eu fosse ou que não fosse. Na verdade, presidente, queriam apenas me derrubar”. Lula riu.

Agora não haverá nenhuma mudança, a não ser para vice. Mas nem Dilma nem Serra parecem acertar nos objetivos. Serra já sabe que seu maior vice é Aécio, por causa de Minas. Se não der, recorre ao PMDB.

Dona Dilma não tem vice predileto, foge do PMDB que quer lhe empurrar um Michel Temer sem voto e sem prestígio. E tão politiqueiro, que se ela for eleita com ele, o Planalto-Alvorada funcionará no Jaburu.

***

PS – A eleição de 2010, ameaça lembrar a de 1950. O PSD, maior partido do país, presidido pelo genro de Vargas, lançou Cristiano Machado, que numericamente não podia perder, mesmo tendo Vargas como adversário.

PS2 – Mas perdeu. Foi um escândalo. Criou dois fatos, um vernacular e outro político. O primeiro: criou o verbo “cristianizar”. O segundo: levou Cristiano para o cargo de embaixador no Vaticano.

PS3 – Ganhando ou perdendo, o Planalto-Alvorada não repete 1950. Não é confiável ou aceitável o verbo “dilmar”. E embaixadora, só em Honduras ou no Haiti, e assim mesmo, com ressalvas de parte a parte.

PS4 – Em relação à eleição, tanto faz, para este repórter, para o país e acredito que para o cidadão-contribuinte-eleitor. Nenhuma diferença. Se me perguntassem qual é o pior, responderia: “Entre os homens, Serra, entre as mulheres, Dilma”.

PS5 – Igualmente antipáticos, ególatras, mentirosos, arbitrários, diversionistas, autoritários e atrabiliários, se não levarem o país a nova ditadura, serão 4 anos perdidos, mas o que fazer? A RENOVOLUÇÂO que eu tanto prego, não pode se transformar em revolução, assim, em minúsculas.

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