Donald Trump mentiu sobre o Afeganisto e volta a incrementar a guerra

Charge do Henrique (henricartoon.pt)

Tony Cartalucci
New Eastern Outlook

Para os que sabem de onde flui o poder real no establishment poltico dos EUA, absolutamente no foi surpresa a continuao da guerra de 16 anos, jamais interrompida pelos EUA contra o Afeganisto. Mas com certeza surpreendeu os eleitores que acreditaram que o presidente Donald Trump representaria o desejo dos norte-americanos de sair das mltiplas guerras distncia e envolvimentos escusos, e poria “EUA em Primeiro Lugar”, o anncio que Trump fez, de que nada disso acontecer, mas, isso sim, as guerras sero expandidas.

Seja como for, talvez seja a primeira de uma longa srie de lies muito duras que o povo dos EUA ter de aprender: no importa quem os cidados elejam em Washington, as agendas que o eleito ter de cumprir j lhe chegam prontas, vindas de outro lugar, e so impostas aos eleitos.

MAIS MARINES O siteThe Hill, no artigo intitulado “5 takeaways from Trumps Afghan speech” [Cinco inferncias a partir do discurso de Trump sobre o Afeganisto], tocou em vrios pontos do tal discurso sobre o Afeganisto, onde os EUA tm atualmente 8.400 soldados, e para onde se preparam, para mandar outros milhares de soldados.

The Hill escreveu: Trump fala de mandar cerca de 4.000 soldados a mais, mas nem divulgou um nmero nem disse como sero distribudas no pas as foras adicionais dos EUA. E acrescentou: “No falaremos sobre nmero de soldados ou nossos planos para futuras atividades militares”, disse Trump. “As condies em campo, no cronogramas arbitrrios, guiaro nossa estratgia a partir de agora. Os inimigos dos EUA no sabero dos nossos planos… No direi quando atacaremos, mas atacaremos.”

CONTRADIES A entrevista de Trump contrasta com as promessas de campanha, como o site The Hill lembrou: “Por que continuamos a treinar aqueles afegos que, em seguida, atiram nos nossos soldados pelas costas? Afeganisto total desperdcio. hora de voltar para casa!” Trump escreveu pelo Twitter em 2012.

The Hill tambm lembra que os EUA tm agora cerca de 8.400 soldados no Afeganisto. As foras tm misso dupla de treinamento e assessoramento, e de ajuda s foras afegs na luta contra os Talib e em misses de contraterrorismo contra grupos como al Qaeda e o Estado Islmico no Iraque e Sria.

E isso, precisamente, o que polticos e lderes militares no se cansam de repetir sobre o conflito afego j h uma dcada e meia perodo correspondente aos governos de George Bush, Barack Obama e, agora, de Trump.

FALTAM CONDIES? – O presidente Trump diz agora que o objetivo j no a retirada em prazo a ser anunciado, mas que os movimentos sero ditados pelas condies em campo: “Um dos pilares centrais de nossa nova estratgia uma mudana, de abordagem baseada no tempo, para abordagem baseada em condies. J disse vrias vezes o quanto contraproducente para os EUA anunciar datas em que planejamos comear ou encerrar opes militares.”

As chamadas “condies” exigem, ao que tudo indica, que o regime-vassalo dos EUA que est no poder em Kabul “assuma a propriedade do seu futuro”, apesar das muitas repeties de que os EUA no tm qualquer compromisso com “construir naes” “imagem dos EUA”. So condies mesmo que sem qualquer anlise contraditrias e repetitivas que reprisam promessas feitas e em seguida quebradas pelo antecessor do presidente Trump, o ex-presidente Obama.

E O PAQUISTO? – O presidente Trump como Bush e Obama antes dele tambm ameaou o vizinho Paquisto, acusando o pas de estar reduzindo a prpria presena militar no Afeganisto. O presidente Trump chegou a alertar: “Pagamos bilhes e bilhes de dlares ao Paquisto, ao mesmo tempo em que eles do abrigo aos terroristas contra os quais ns combatemos. Mas isso ter de mudar e mudar imediatamente” Trump prometeu. “ hora de o Paquisto demonstrar comprometimento com a civilizao, a ordem e a paz.”

Verdade que os EUA nem invadiram o Afeganisto nem permanecem l at hoje para combater algum terrorismo. As organizaes que os EUA estariam supostamente combatendo l no so financiadas nem comandadas pelo Afeganisto. Pelo contrrio, so financiadas e comandadas pelos mais prximos e mais ntimos aliados dos EUA no Oriente Mdio inclusive por Arbia Saudita e Qatar.

VELHOS MOTIVOS – Os EUA ocupam at hoje o Afeganisto pela mesma razo pela qual o pas foi invadido e ocupado muitas vezes pelo Imprio Britnico: como tentativa para expandir a prpria hegemonias para a sia Central e Sul da sia.

Muito convenientemente, o Afeganisto tem fronteiras com Ir, Paquisto, Turcomenisto, Uzbequisto, Tadjiquisto e at com China. Uma presena militar permanente dos EUA no Afeganisto, com total controle sobre o regime em Kabul, d aos EUA uma plataforma a partir da qual ampliar a prpria influncia geopoltica direta e indireta. Evidncias indicam tambm que explorar esse tipo de base estratgica processo que comeou h muito tempo.

IR E PAQUISTO – Durante dcadas os EUA tentaram pressionar Ir e Paquisto citando planos h muito tempo elaborados para os dois pases, mas a validade j bem outra.

Para o Paquisto, antes da invaso de 2001 ao Afeganisto, os EUA tinham bem poucas opes para coagir Islamabad. Mas com os militares dos EUA j na fronteira do Paquisto e com misses executadas regularmente com foras especiais e veculos comandados a distncia tambm em territrio paquistans, a capacidade de Washington para coagir e influenciar Islamabad foi dramaticamente ampliada.

Se acontecer de o presidente Trump anunciar ao militar direta contra o Paquisto, no importa por qual motivo, os EUA j tm l, convenientemente construdas na fronteira vrias bases militares das quais aquela ao pode ser lanada. Essas bases desenvolveram a prpria infraestrutura ao longo de 16 anos, e continuam. Se os EUA decidirem ampliar o apoio clandestino que os EUA j do a movimentos separatistas dentro do Paquisto, servio que pode ser feito muito confortavelmente a partir do Afeganisto.

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NOTA DA REDAO DO BLOGNo importa quem assuma o poder, seja democrata, republicano ou porra-louca tipo Trump, a poltica imperialista dos EUA sempre a mesma. No h nenhuma novidade. (C.N.)

One thought on “Donald Trump mentiu sobre o Afeganisto e volta a incrementar a guerra

  1. Essa “poltica” no muda nunca porque a indstria blica dos EUA fortssima e tem sempre interesse em que o pas se veja metido em conflito para faturar mais e mais, no se importando onde seja.

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