Dora Kramer e Cony esquecem a reeleio

Pedro do Coutto

Nas edies de 6 de abril, os grandes estilistas Dora Kramer, no Estado de So Paulo, e Cony, na Folha de So Paulo, cada qual sob um ngulo, condenaram a campanha eleitoral do presidente Lula na campanha da ministra Dilma Roussef. O famoso escritor chegou a defender a tese de que o presidente Lula deveria inclusive renunciar ao final de seu mandato para poder livremente participar da campanha de sua ex-chefe da Casa Civil.

Dora Kramer considerou uma interveno no processo eleitoral. Claro, que uma interveno. S que, em ambos os casos, legitimada pelo instituto da reeleio implantada no pas pela emenda constitucional 16, de junho de 97, que proporcionou a Fernando Henrique ser o primeiro presidente reeleito da histria do Brasil.

O que diz a emenda 16? Simplesmente que o presidente pode disputar a reeleio mantendo-se no cargo. Aconteceu com FHC em 98, ocorreu com Lula em 2006. A mesma norma se aplica aos governadores e prefeitos. Ora se o prprio presidente pode fazer sua campanha permanecendo frente do governo, porque no poder ele apoiar um candidato? Basta seguir a norma fundamental de Direito: quem pode o mais, pode o menos.

Alm desta contradio, Dora Kramer, que escreve com a beleza e leveza de um cisne, condena Dilma. que antecipou a abertura da campanha eleitoral. Dora Kramer esqueceu o dispositivo da lei 9504, lei eleitoral, que determine a realizao de todas as convenes partidrias para escolha dos candidatos, at o final do ms de junho. Portanto nada mais natural que a luta dos candidatos nas pr-convenes.

O incio da propaganda nas ruas determinado a partir de julho pela lei. Mas neste momento com a participao dos nomes j aprovados pelas convenes. No tem muito a ver com a campanha prvia ou nos bastidores na busca pelo voto dos convencionais de todas as legendas. Vejam os leitores, por exemplo, a situao de Ciro Gomes. Transferindo seu domiclio eleitoral para So Paulo, certamente foi o que mais se antecipou a todas as etapas. E agora, por So Paulo, ser candidato a qu? O PT j antecipou seu apoio a Dilma.

O PT, de outro lado, j anunciou a candidatura de Marta Suplicy ao Senado e do Senador Alosio Mercadante a governador do Estado. Alis, Dora Kramer. em sua coluna que acompanho diariamente, considerou antecipao aos limites da lei o pr-lanamento de Dilma Roussef.

Mas no atribuiu a mesma viso crtica a Jos Serra, a Geraldo Alckmin e divulgao do nome de Michel Temer, na chapa de Dilma, e ao companheiro de campanha do governador Acio Neves. Marina Silva tambm se pr-lanou. E agora, nos ltimos dias, Anthony Garotinho para o governo do Rio de Janeiro com o apoio de Dilma. Esta manifestao, publicada pelo O Globo tambm no dia 6, obriga inclusive Sergio Cabral a cumprir a afirmao que fez de que no apoiaria Roussef se ela subisse no palanque de garotinho. E agora Jos? Como no poema do imortal Carlos Drumond.

A campanha, de todos, j est nas ruas. Vai at outubro.

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