Doria diz que Lula “solto impacta mais ainda” o cenário eleitoral

Doria evita ainda assumir pré-candidatura ao Palácio do Planalto

Camila Turtelli
Idiana Tomazelli
Estadão

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai impactar ainda mais o cenário eleitoral depois de ser colocado em liberdade, avalia o governador de São Paulo, João Doria. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Doria disse que para o petista é uma “questão de honra” lançar uma chapa competitiva para disputar a Prefeitura de São Paulo.

“Se preso já impactava, solto impacta mais ainda. E impacta em São Paulo, para o Lula é uma questão de honra lançar uma chapa competitiva lá. Foi lá em que ele sofreu sua pior derrota em 2016. A derrota acabou reverberando no segundo turno nas outras cidades. Então, vão fazer de tudo, com Lula liderando e o PT corroborando, para que as eleições nas capitais tenham candidatos competitivos e eles possam ter a esperança de vitória”, afirmou Doria.

FOCO NAS ELEIÇÕES – Ainda sem se assumir como pré-candidato ao Palácio do Planalto, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), defende o foco nas eleições municipais e na gestão eficiente de Estados e cidades como uma antecipação para as eleições gerais.

“Foco integral em gestão e eficiência: isso será determinante nas futuras eleições gerais. Porque experiência é importante. Não podemos ter em 2022 testes”, disse Doria, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast. Em 2016, Doria foi eleito prefeito de São Paulo com discurso de que era um gestor e não um político.

DISPUTA INTERNA – O tucano evitou falar sobre uma possível disputa interna com seu colega do Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite, para a corrida à Presidência da República, mas deixou claro que defende as prévias como uma ferramenta democrática.

“Temos de defender o princípio e não os nomes. O PSDB é um partido que lançou as prévias”, disse. Para o ano que vem, na capital paulista, ele vê uma forte atuação do PT, liderada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e afirma que um nome feminino seria “tecnicamente recomendável” para compor a chapa com o atual prefeito Bruno Covas. Ele já defendeu publicamente que a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) deveria ser candidato a vice de Covas.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

A soltura de Lula vai impactar nas eleições?
Sim, se preso já impactava, solto impacta mais ainda. E impacta em São Paulo, para o Lula é uma questão de honra lançar uma chapa competitiva lá. Foi lá em que ele sofreu sua pior derrota em 2016. A derrota acabou reverberando no segundo turno nas outras cidades.  Então, vão fazer de tudo, com Lula liderando e o PT corroborando, para que as eleições nas capitais tenham candidatos competitivos e eles possam ter a esperança de vitória.

O senhor diz que não é pré-candidato, mas todos os seus movimentos são nesse sentido. Qual será o principal ponto de sua plataforma em 2022?
Eu disse que não é o momento de estabelecer e nem promover candidaturas. Agora é o momento do PSDB formular propostas, contribuir com essas propostas para plataformas municipalistas com vistas nas eleições de 2020. 2022 é mais pra frente, um passo de cada vez. O passo agora é municipalista. A partir de 2021, pode se pensar concretamente em 2022. Atropelar as municipais com as gerais não é uma postura correta e nem recomendada.

Mas o senhor já teria alguma prévia do que poderia ser a base da sua plataforma?
As plataformas no plano federal tomarão como base as do plano municipal. Uma proposta municipalista, que é o que eu defendo e que estou percebendo ser a capilaridade dos grupos que vão apresentar suas propostas daqui a pouco, isso é um bom caminho para uma plataforma federal. Um governo descentralizado, municipalista, menos concentrador de recurso e cobrador de eficiência.

Como fica a posição do partido em relação à pauta de costumes, considerando que uma ala defende uma posição mais progressista e outra é mais conservadora?
Nesse caso, nós temos de buscar entendimento e o meio do caminho, com viés liberal de compreensão, de aceitação sobre a modernidade e aquilo que representa o interesse da maioria da população brasileira. Vamos buscar com moderação, mas respeitando a diversidade aos princípios que o mundo vem movendo nos últimos anos. O PSDB não pode viver do passado. Ele deve respeitar o passado, compreender o presente para projetar o futuro.

O senhor sinalizou mais cedo que aceita a realização de prévias. O senhor estaria disposto a disputar prévias com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite?
Não é esse o ponto discussão. Sou plenamente favorável às prévias, inclusive onde houver disputas municipais circunstancialmente. Sou filho das prévias, disputei duas deles.

Mas o senhor acha que Leite tem capacidade para ser candidato à Presidência da República?
Um passo de cada vez. Primeiro, a defesa das prévias. Temos de defender o princípio e não os nomes. O PSDB é um partido que lançou as prévias. São Paulo foi o único estado brasileiro que fez prévias, o único em que na capital tivemos prévias com cinco candidatos. Fizemos e não foi depreciativo. Ao contrário, havendo minha vitória, fortaleceu a minha candidatura. Disputei novamente as prévias na candidatura ao governo do Estado. Isso é democracia. Agora, em 2022, ainda é cedo para se tratar de nomes. O princípio, sim, é bom.

Como o senhor vê a ascensão do nome de Leite?
Eu não comento sobre ascensão e nem falta de ascensão. Não temos que discutir eleição de 2022 agora, temos de debater 2020. As municipais são importantes para o cidadão. As pessoas moram no município, elas não vivem na nuvem, no governo federal. Vivem na cidade ou no campo. Temos de priorizar, principalmente, boa gestão e eficiência dos governadores, prefeitos, nas assembleias legislativas.

Mas sem querer antecipar nomes, o senhor estaria disposto a disputar uma prévia, caso seja de fato o plano do senhor concorrer em 2022?
Não é hora de se discutir nomes. Nesse momento, cabe aos governadores fazerem gestão, eficiência, entregarem para os seus eleitores e não eleitores aquilo que os que votaram têm como expectativa e os que não votaram têm também, afinal de contas, são cidadãos. Foco integral em gestão e eficiência, e isso será determinante nas futuras eleições gerais. Porque experiência é importante. Não podemos ter em 2022 testes. Temos de ter eficiência em nomes que possam corresponder capacidade gerencial daquilo que já fizemos.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, disse ao Estado que uma chapa Bolsonaro-Moro venceria disparado no primeiro turno. O que o senhor acha disso?
Precipitado. Não é hora de falar de reeleição, nem hora de falar em eleição. 2022 está longe. Respeito muito o ministro Ramos e gosto também do ministro Sérgio Moro. Mas não é hora. No governo federal também o momento é de fazer gestão como no plano estadual.

O senhor apoia uma chapa Bruno Covas-Joice Hasselmann para prefeitura?
Bruno tem meu total apoio, mas ainda é cedo também para falar sobre a chapa. Ele tem de fazer a composição. Uma figura feminina ajuda muito nessa composição, temos 56% do eleitorado da capital de São Paulo composto por mulheres e mulheres atentas. Não só votam, como influenciam o voto. Um nome feminino seria tecnicamente recomendável, mas ainda é cedo para falar qual será esse nome.

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