Duas canções maravilhosas, que fazem lembrar nossos tempos de criança

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René Bittencourt e o parceiro Chico Alves, o Rei da Voz

Paulo Peres
Poemas & Canções

O empresário artístico, jornalista e compositor carioca René Bittencourt Costa (1917-1979), na letra de ”Canção da Criança”, homenageia a garotada brasileira no seu dia. Essa valsa foi gravada por seu parceiro Francisco Alves, apelidado de “O Rei da Voz”, em 1952, pela Odeon.

CANÇÃO DA CRIANÇA
Francisco Alves e René Bittencourt

Criança feliz
Feliz a cantar
Alegre a embalar
Teu sonho infantil
Oh Meu Bom Jesus
Que a todos conduz
Olhai as crianças do nosso Brasil!

Crianças com alegria
Qual um bando de andorinhas
Viram Jesus que dizia:
Vinde a mim as criancinhas
Hoje dos céus, num aceno
Os anjos dizem: ”Amém”,
Porque Jesus, nazareno,
Foi criancinha também

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O cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves de Souza (1909-1969) utilizou grande beleza poética para compor o nostálgico samba “Meus tempos de criança” (conhecido também como “Meu pequeno Miraí”), gravado por ele próprio, em 1956, pela Sinter, cuja letra traz lembranças de sua infância feliz em Miraí, Minas Gerais.

MEUS TEMPOS DE CRIANÇA
Ataulfo Alves

Eu daria tudo que tivesse
Pra voltar aos tempos de criança
Eu não sei pra que que a gente cresce
Se não sai da gente essa lembrança

Aos domingos missa na matriz
Da cidadezinha onde eu nasci
Ai, meu Deus, eu era tão feliz
No meu pequenino Miraí

Que saudade da professorinha
Que me ensinou o beabá
Onde andará Mariazinha
Meu primeiro amor onde andará?

Eu igual a toda meninada
Quanta travessura que eu fazia
Jogo de botões sobre a calçada
Eu era feliz e não sabia

9 thoughts on “Duas canções maravilhosas, que fazem lembrar nossos tempos de criança

    • De criança (sou de São Paulo), lá nos inícios dos longínquos anos sessenta, tínhamos outra letra para essa canção: “Criança feliz/sentada no chão/comendo pepino e chupando limão/se eu fosse o Getúlio/eu dava um mergulho/e fazia as crianças/comer pedregulho”.

  1. Essas letras foram compostas antes da instituição do ECA. Eca! Eca! Eca!
    Além de ser aquela coisa inútil de sempre, hoje, muitas crianças destilam mais uma desgraça agregada: conquistaram salvo-conduto para matarem, roubarem e atentarem contra seus pais.

  2. Querido Paulo Peres,muito obrigado .
    Me fez lembrar da minha criança..

    Reservamos um tempo para ouvir a nossa criança interior e jamais deixar morrer ps nossos sonhos ,e ser capaz de motivar positivamente todas as pessoas, especialmente as nossas crianças tão abandonadas nos tempos “modernos”de hoje.

    Parabéns Paulo,pela sensibilidade…
    Abraço…

  3. Paulo Peres,

    Francisco Alves, amigo de meus pais, era mantenedor de um asilo de crianças localizado na rua São João Batista, em Botafogo, Rio de Janeiro.

    Como sabemos, Franscisco Alves morreu num acidente de carro na Rodovia Presidente Dutra, no dia 27 de setembro de 1952, aos 54 anos.

    Eu tinha apenas 11 anos de idade e acompanhei o cortejo fúnebre, a pé, pela rua Voluntários da Pátria e São João Batista, juntamente com meus pais,

    Quando o seu corpo carbonizado ajustado em um caixão chegou na porta desse asilo que ele ajudava a manter, as crianças estavam todas formadas .

    O velório parou e as crianças em conjunto e a uma só voz, como homenagem e sinal de agradecimento, cantaram a CANÇÃO DA CRIANÇA.

    A emoção contagiou todos os presentes e as lágrimas correram sem parar de homens, mulheres e crianças.

    Agora, decorridos quase 70 anos, ao me lembrar e relatar este fato, fiquei emocionado.

    • Contava minha mãe, grande admiradora do Chico Viola, que ele morreu na Via Dutra (tinha “pé pesado”), justamente ao voltar de São Paulo, onde viera gravar essa música com crianças do que à época se dizia orfanato. Não sei se foi isso mesmo.

  4. Não sabia que a música, que conheço desde sempre, era do Renê Bitencourt, figura para mim pouco conhecida, mas que sei autora de canções belíssimas, como “Sertaneja”, gravada por Orlando Silva.

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