Duas ou três coisas que eu sei a respeito de Carlos Lupi, presidente do PDT

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Antonio Santos Aquino

Conheci o Carlos Lupi no dia seguinte à volta de Leonel Brizola do exílio em 1979. Brizola hospedou-se no Hotel Everest, na Rua Prudente de Moraes, perto da Praça Nossa Senhora da Paz em Ipanema, no Rio de Janeiro. No dia seguinte, às 8hs, Brizola, cercado de muita gente, desce procurando o jornal “Zero Hora”, de Porto Alegre. Sai naquele empurra-empurra e encontra uma banca de jornal próxima, onde o jovem Lupi está trabalhando. Lupi diz que não tem o jornal, mas vai procurar na cidade. Brizola diz que, se encontrar que vá ao quarto andar do Everest, e dá o número do quarto.

Lupi encontrou o jornal e levou. Encontrou Brizola só com dona Neusa, que lhe mandou entrar e ofereceu um chimarrão. Ali começou a relação de Lupi com Brizola.

ESTUDANTE – Lupi tomava conta de duas bancas de jornal em que sua família tinha sociedade. Era estudante e ficava nas bancas até as 9 horas, depois ia para faculdade, estudava Administração.

Lupi acompanhou Brizola por 25 anos, até sua morte. Nunca foi o herdeiro político de Brizola. Era, como dizia Brizola, o executivo do partido. Nunca se soube de nada que desabonasse sua conduta moral. Na última reunião da Executiva do partido, Brizola o elegeu primeiro vice-presidente. Com a morte de Brizola, assumiu a presidência do partido; não é um impostor.

Conheço bem Lupi, sempre ajudei o partido, desde o momento em que Brizola pleiteava a sigla do PTB. Lupi fez de suas bancas de jornal um entreposto de material de propaganda. Eu, que morava no Leblon, todo domingo, com meu cunhado, enchíamos uma Brasília de material e ficávamos a semana toda distribuindo panfletos.

NUNCA PEDI NADA – O certo é que nunca pedi um centavo ao partido. Nunca exerci cargo. Se quisesse, Brizola me daria uma legenda para disputar qualquer eleição. Sei que Lupi tem defeitos como todo ser humano tem. Mas uma coisa digo: “Não existe ninguém que seja tão ruim quanto se pensa e nem tão bom quanto se deseja”. Tenho Lupi como meu amigo.

Mas isso não impede de dar-lhe duras, que se fosse outro, até romperia relações comigo. Porém, só falo em questões ideológicas e administrativas. Nunca lhe pedi um alfinete.

8 thoughts on “Duas ou três coisas que eu sei a respeito de Carlos Lupi, presidente do PDT

  1. Obrigado por compartilhar, Santos Aquino. Ainda quando morava no Rio, eu não entendia o PDT insistir com Lupi. Achava sem carisma, e ainda acho. Não me convencia. Acho que não convencia ninguém. Salvo engano, nunca venceu uma eleição.

  2. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, foi deputado federal Constituinte eleito em 1986. É dirigente honrado, já vinha indicado por Leonel Brizola na sua linha de sucessão (como conta Antonio Santos Aquino) e conquistou legitimidade ao longo de sete Convenções, sendo reconduzido à função de presidente por Diretório de trezentos membros também reeleitos pelos Convencionais, diga-se de passagem em boa parte ainda indicados pelo grande líder (como no meu caso e de dezenas de outros, senão centenas).

  3. Joca, Lupi é brasileiro e paulista filho de italiano e de mãe brasileira nascida em Alagoas. “Joca teu problema não é Lupi ser ou não presidente do PDT. Tua bronca é porque Lupi é feio. Se ele fosse bonitão você o adoraria.

  4. É compreensível a postura de lealdade na defesa de um companheiro, mas não é convincente, na minha opinião.

    Nada contra o gesto de gentileza do Lupi para com o Brizola, mas não pode servir como referência de bom caráter. O que se viu foi uma atitude de subserviência do ex-ministro para com a presidente num momento em que era colocado sob suspeição e ameaçado de demissão, dando a impressão de um recurso para se manter no cargo.

    Não sei o resultado dos processos sobre um esquema de cobrança de propinas de ONGs que tinham contratos com o Ministério do Trabalho, sob o seu comando, o que se sabe é que transferiu a responsabilidade para um assessor. O uso de um jatinho custeado por uma dessas ONGs ficou comprovado. A Comissão de Ética da presidência da república recomendava em seu relatório a sua exoneração por ter cometido “inquestionáveis e e graves” falhas como gestor. Esses são os fatos, resumidamente, mas cada um interpreta a sua maneira.

  5. A reunião dos trabalhistas após 1964 foi um trabalho hercúleo de Brizola e muitos outros que redundou na criação do PDT.
    Morre Brizola e aquele que lhe tinha até então sido fiel, Carlos Lupi, trata de degenerar o partido e provoca a diáspora e hoje de trabalhismo o PDT tem muito pouco, ou nada.
    O incompetente do Lupi é o responsável direto, o algoz, o coveiro do PDT.

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