Duas ou três coisas que se sabe sobre o acidente de Thor Batista com vítima fatal.

Carlos Newton

Aproveitando o título genial do filme inútil de Jean-Luc Godard (uma das piores coisas que o “gênio” do cinema francês realizou), é preciso dizer duas ou três coisas sobre o atropelamento do ciclista Wanderson pelo jovem Thor Batista, de apenas 20 anos.

Como Ancelmo Gois registrou em sua bem-informada coluna, não foi o primeiro atropelamento de Thor, e podemos acrescentar que a culpa não é dele, mas do pai, Eike Batista, que é um deslumbrado e não tem o juízo de uma franga, como se diz em Minas. Ora, ele dá ao filho adolescente (para a Previdência Social, por exemplo, só se é legalmente adulto aos 21 anos) um carro que anda a mais de 300 km por hora, e o que espera que aconteça?

Esta é primeira coisa importante sobre o caso. Alías, o único ponto transparente, sobre o qual não resta a menor dúvida. Eike deu ao filho uma arma poderosíssima, para ele portar nas ruas, ao invés de usá-la numa pista de autódromo. E depois Eike ainda tem a ousadia de vir a público para defender o filho, quer dizer, para defender a si mesmo.

Outra coisa a se destacar, conforme já assinalamos aqui no Blog, é que o jovem Thor não fez o exame do bafômetro na hora do acidente, o que possibilita que tenham sido tomadas algumas providências capazes de “purificar” seu sangue, digamos assim, para devolvê-lo apto a assoprar no bafômetro.

A terceira coisa, levantada desde o início por comentaristas aqui do Blog, como o sempre atento José Guilherme Schossland, é a tal lata vazia de cerveja que Thor disse que ficou “grudada” na carroçaria do bólido, a indicar que o ciclista estaria bebendo, uma hipótese que chega a ser de um ridículo atroz.

Como uma lata vazia de cerveja, que pesa apenas alguns gramas, pode ficar sobre a carroçaria de um  carro, num acidente em velocidade tal que um dos pés da vítima foi amputado?

E depois a quarta coisa aparece na autópsia indicando que o ciclista estaria bêbado. Elementar, meu caro, basta somar dois e dois. Mas acontece que Caetano Veloso (compositor) e Roberto Carlos (cantor) já nos ensinaram que dois e dois podem ser cinco. Especialmente num caso policial como este, envolvendo uma das famílias mais ricas do mundo e uma das polícias mais corruptas do mundo.

Por fim, a apressada liberação do carro de Thor pelo advogado de Eike, sob a justificativa de que a Mercedes ficaria à disposição da perícia. Por que essa liberalidade? Isso é um procedimento totalmente irregular, que fede à distância. O carro obrigatoriamente teria de ficar apreendido, não importa quem fosse o dono.

Tanto isso é verdade que a Polícia Civil do Rio de Janeiro já teve de realizar três perícias no carro de Thor Batista. A mais recente, para tentar descobrir a velocidade que o carro trafegava no momento do acidente. A velocidade permitida na via é de 110 km/h. Foram realizadas medições no lado interno e externo do veículo e no local em que houve o choque com o ciclista, onde ficou a marca da freada.

Traduzindo tudo isso: conforme já dissemos aqui no Blog, o filho de Eike não corre o menor perigo de ser processado, porque a autópsia revelou que a vítima tinha bebido acima da conta. Caso encerrado, com a melhor das soluções – colocar a culpa no morto, que não pode se defender.

Somente o próprio Thor e o amigo que o acompanhava sabem o que realmente aconteceu. E isso vai ficar na consciência dos dois, porque o verdadeiro causador do acidente, o pai, parece não ter consciência.

Na noite de sexta-feira, Thor, acompanhado da mãe, a ex-modelo Luma de Oliveira, e da namorada, foi à missa de sétimo dia de Wanderson na Igreja Ressurreição, em Copacabana, Zona Sul do Rio. Eike Batista foi?

Resta saber agora se Thor continua dirigindo ou se tomaram a carteira dele. Até agora, sobre isso, não saiu um linha nos jornais. É intrigante, não há dúvida.

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