Duas visões sobre o caso de Cesare Battisti

Vicente Limongi Netto

Entre, Cesare Battisti. Seja bem-vindo. O Brasil é todo seu. Desfrute de todas as delícias do nosso povo hospitaleiro. Sobretudo agora, com a certidão de homem bom e puro, que recebeu do STF. Prepare a agitada agenda de compromissos. Começando com Ana Maria Braga e o loiro José. Ensine a eles pratos italianos. Pode e deve até lançar livro, na Academia Brasileira de Letras. O atento imortal Marcos Villaça chamará a bateria da Mangueira para compor a coreografia.

Não deixe de atender os convites do Ratinho, do Datena, da “Praça É Nossa”, da Hebe Camargo, que vai achá-lo uma gracinha e, claro, do Domingão do Faustão, que costuma servir pizza para os convidados. Leve algumas para os ministros da nossa estupenda Suprema Corte.

Já sabe onde comprará uma cobertura, com vista para o mar? Sugiro que seja no Rio de Janeiro, onde o prefeito e o governador saberão recebê-lo como o Cristo Redentor, de braços abertos.  Tomara que os dois não briguem para ver quem levará você primeiro para a tribuna de honra do novo Maracanã.

Prepare-se porque as marcas famosas de cerveja vão chamá-lo para assistir, de camarote, o carnaval da Sapucaí. E, como nem ex-terrorista e ex-assassino é de ferro, você vai aproveitar o sol e mar da ilha da “Caras”. Com direito a beijinhos da decana e agitada Susana Vieira. 

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Carlos Newton

Esse caso de Cesare Battisti é interessante e divide opiniões. Política é assim mesmo. E temos de aprender a conviver com os contrários. A decisão do então presidente Lula, agora ratificada pelo Supremo, em minha opinião, parece ter sido acertada, diante das condições da condenação de Battisti na Itália, que não têm sido convenientemente esclarecidas pela mídia.

Quando ocorreu o julgamento, Battisti estava vivendo foragido na França, o governo italiano sabia disso e jamais pediu a extradição dele. Durante todo o longo processo, nunca apareceu uma só testemunha dos pretensos assassinatos por ele praticados. Sua condenação foi decidida com base exclusivamente nos depoimentos de seus antigos companheiros, que assim puderam se aproveitar da “delação premiada” e pegaram penas muito pequenas, todos já estão soltos. Ficou claro que, para se beneficiarem, eles jogaram toda a culpa em Battisti, que na época estava fora do alcance da Justiça italiana.

O primeiro-ministro Berlusconi, que atravessa sua pior fase em termos de prestígio político e pessoal, tenta usar o caso Battisti para fortalecer sua imagem, disso também não há dúvida.

E o argumento final é que a Itália se negou a nos devolver o banqueiro trambiqueiro Salvatore Cacciola. Por que se acha no direito de fazer tanta celeuma por causa de Battisti e nos ameaça até com a Corte Internacional de Haya?

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