Duas vises sobre o que Thomas Piketty pensa do Brasil

Piketty: “O Brasil cobra impostos ridculos aos ricos”

Publicamos recentemente algumas crticas do economista francs Thomas Piketty sobre o regime tributrio brasileiro. A reportagem suscitou importantes questionamentos dos comentaristas da Tribuna da Internet, entre eles Wagner Pires e Flvio Jos Bortolotto, cujas opinies seguem abaixo.

###

UM SISTEMA INJUSTO

Wagner Pires

Somos um pas com um sistema tributrio injusto, regressivo. Onde os mais pobres sustentam a maior parte da carga tributria e os mais ricos a menor. um sistema bizarro que no foi e no est sendo corrigido. Ainda que a aclamao para isso seja enorme e vir de longa data.

Alm do mais, o sistema corrobora para que os grandes fujam do compromisso com o fisco e promovam evaso e eliso fiscal. No raro encontrarmos especialistas afirmando que quem paga tributo em nosso pas o pequeno, no o grande.

Justamente por isso o pas conta com uma sonegao monstruosa segundo levantamento do SINPROFAZ (Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional) -, no montante de R$425,0 bilhes! O correspondente a 10,3% do nosso PIB!

Para se ter uma ideia desse montante sonegado, ele corresponde a 64% de todo o oramento da Seguridade Social que de R$666,0 bilhes.

E, seguramente, com a entrada desses recursos sonegados tanto a Previdncia Social quanto toda a Seguridade Social deixariam de ter um oramento deficitrio, o que corroboraria para haver a necessria reforma da Previdncia e a contemplao da correo justa e necessria das aposentadorias dos segurados acima da inflao, promovendo mais justia social.

Mas, parece que falta vontade poltica para o governo promover a to sonhada reforma tributria.

Sobre a injusta carga tributria que aprofunda a injustia social embutida na m distribuio da renda no Brasil, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributrio (IBPT) divulgou sua pesquisa a respeito do assunto, a qual podemos observar logo abaixo. Refere-se carga de um trilho de reais em tributos (impostos, taxas e contribuies) suportada pela sociedade brasileira.

Pode-se ver o massacre que o sistema tributrio exerce sobre a populao, analisando a tabela de Arrecadao por Faixa de Renda, o que corrobora para a acentuao das desigualdades sociais, verificando que 53,79% da carga tributria brasileira suportada pela populao que recebe at trs salrios mnimos. J os que recebem mais de vinte salrios mnimos assumem apenas 7,30% da carga tributria.

Urge, pois uma reforma ampla, geral e irrestrita sobre o sistema de tributao brasileiro.

premente a necessidade de reformular os impostos que recaem sobre o consumo (ICMS e IPI), principalmente, a fim de retirar de sobre o consumo da populao de baixa renda a elevada carga desses impostos indiretos e regressivos que tornam o quadro da desigualdade social, ainda, mais dramtico.

Est certo Piketty.

###

ANTES, ERA PIOR AINDA

Flvio Jos Bortolotto

A meu ver, o grande economista/escritor Thomas Piketty analisa o Brasil, com dados pr-1994 (plano Real), quando opervamos com uma moeda de escala mvel (Correo Monetria) quando tudo fica confuso, todas as estatsticas financeiras vo logo para a casa dos Bilhes, Trilhes. Quaquilhes e se perde completamente o noo do valor real.

A partir do plano Real (1994 em diante), a situao tributria do Brasil em relao aos demais pases subdesenvolvidos (renda per capita menor que US$ 15.000), est bem acima da mdia, tanto na pessoa jurdica como na pessoa fsica.

Existe grande desigualdade de riqueza e renda no Brasil, mas antigamente era pior ainda.

Independente disso, a Desigualdade de Riqueza/Renda importante, porque o Capitalismo (propriedade privada dos meios de produo, com deciso individual do qu, quanto e para quem produzir; uso do sistema de mercados para a alocao dos Recursos e distribuio da renda gerada), s ter futuro, se todos prosperarem conjuntamente.

Se a maior parte da riqueza/renda se concentrar num s polo social, por simples falta de demanda o sistema todo entrar em colapso. Da surgem fascismo corporativista ou socialismo marxista la URSS, enfim, perfeitas ditaduras cientficas, com perda total da preciosa liberdade.

5 thoughts on “Duas vises sobre o que Thomas Piketty pensa do Brasil

  1. Para melhorar primeiro teriam que fazer uma reforma no IR, profunda, muiiiito profunda, mudando de: Imposto de Renda para Imposto sobre Recebimentos onde estaria incluso todo tipo de ganhos; merrecas, subornos, corrupo, salrios, renda, prmios, permutas, auxlios e eteceteras.
    Acabaria com as objees dos “istas” com aquele p no saco de que “salrio no renda”.
    Mas, como na nossa democracia 5% maioria, l vem a demagogia socialista com a CPMF e Cide, mesmo considerando que a sonegao mais os superfaturamentos so dezenas de vezes maior do que o valor dessas duas trolhas juntas.
    Ps. falta colhes, desoneram a produo e nada de onerar quem ganha milhes.

  2. Sobre Piketty: o argumento do seu livro muito fraco, os prprios grficos apresentados refutam sua argumentao, bem como a realidade (comparem a lista da Forbes de agora e de 20 anos atrs). A tentativa de aplicao prtica de sua teoria na Frana resultou na fuga de grandes fortunas. Sobre os impostos no Brasil, realmente urgente sua reformulao, mas no para mais, para menos. No h h menor possibilidade de se sugerir aumento de impostos no nosso pas, para qualquer faixa de renda, com os servios pblicos que oferecemos. No h falta de arrecadao, h a incompetncia ou m-inteno na sua utilizao. A reformulao poderia iniciar no imposto de renda, que no age sobre a renda, mas sobre o salrio, verdadeiro confisco do Estado. Alm, da efetivao de impostos nicos tipo IVIA, sem a desgraada bitributao, esta sim o verdadeiro mal, o imposto sobre imposto.

  3. O gigante problema da corrupo

    Segundo Paulo Roberto, ex-diretor de Abastecimento, agraciado pela delao premiada: “No se iludam. Isso que acontece na Petrobras acontece no Brasil inteiro. Em ferrovias, portos, aeroportos. Tudo. Acontece no Brasil inteiro.” Terrvel e verdadeiro. Mas disso, todo mundo j sabe. No passado, o corajoso Jornalista Helio Fernandes, exaustiva e inutilmente, cobrou por dcadas a CPI das empreiteiras, sem nada conseguir. Claro.

    Lamentavelmente, a velha, muito conhecida corrupo vai continuar. A roubalheira recentemente mostrada no nada diante do que existe por todo o Brasil. Outro exemplo de conhecidas irregularidades encontra-se no sistema de aposentadoria do INSS, que vez por outra, requer dos aposentados prova de que esto vivos para evitar que outras pessoas continuem recebendo a aposentadoria do morto. Essa muito antiga falha do sistema acontece em plena era digital. Inacreditvel.

    Sob mil formas e naturezas, a velha roubalheira gigantesca e mundial. No exclusividade do Brasil. Dentre as incontveis formas de roubos, temos os lobistas atuando em todo o mundo capitalista fazendo a cabea dos polticos, justia corrupta, incontveis formas de sonegao, de manipulaes de mercados e de produtos, indevidas remessas de lucros, diversas tipos de propinas, obras superfaturadas, produtos e servios desnecessrios, fiscalizao vista grossa, desnecessrias terceirizao, invaso militar para se apoderar do petrleo alheio, financiamento de golpes militar, criminosas privatizaes, bancos guardando gigantesco dinheiro sujo proveniente de grandes sonegadores, ditadores, traficantes de drogas, etc.

    Apesar de tudo isso e muito mais, urge fazer alguma coisa para reduzir a roubalheira. Quem sabe, se nomear uma comisso de alto nvel composta por gente de conhecido competncia e comportamento ilibado, objetivando dar incio a estruturao de um amplo sistema de informtica aplicvel as principais reas crticas, dentre elas, obras pblicas, arrecadao de impostos, justia, INSS, sade pblica, e outras mais. Tambm, a transparncia bancria, financeira e patrimonial, de todas as pessoas, fsica e jurdica, sem exceo alguma.

    J existem suficientes meios de informtica, de leis e de gesto, capazes de drstica reduo da roubalheira. Mas, o grande problema continua sendo as elites, nunca interessadas na reduo da criminosa corrupo.

  4. Se a sonegao atinge 10,3% do PIB e a tributao atual chega a 37%, imaginando ento que todos pagassem corretamente seus tributos, teramos ento uma carga tributria de mais de 47% do PIB. Alguma coisa est errada.

    • No, no est errada. Se a carga tributria atual de 36,42% do PIB e a sonegao, segundo o SINPROFAZ de 10,3% do PIB, ento a carga tributria, se no houvesse a sonegao absurda que exite, seria de 46,72% do PIB.

      Correto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.