Duelo entre Bolsonaro e Mourão é uma briga de extermínio, e só um restará

Entenda os riscos para Bolsonaro e Mourão no TSE, onde 8 ações ...

No final da disputa pelo poder, cada um irá para o seu lado

Carlos Newton

O quadro político-militar vai ficando cada vez claro, demonstrando que a mudança de postura e o surpreendente silêncio de Bolsonaro não se devem à covid-19, mas a algum fato muito mais grave. 

ORDEM DE CIMA – Como ele jamais aceitou os conselhos da chamada ala militar do Planalto (generais Augusto Heleno, Braga Netto, Eduardo Ramos e Rêgo Barros), o presidente só pode ter recebido uma ordem do Alto-Comando para se contrair, esquecer o golpe militar e ficar em segundo plano. Não há outra explicação.

Agora, aguarda-se que  o verdadeiro Bolsonaro volte à cena, pois dificilmente ele conseguirá manter o perfil paz & amor que lhe tem sido imposto.  Infelizmente, o chefe do governo não tem discernimento e, mesmo tendo contraído a coronavírus, segue costeando o alambrado, como dizia Leonel Brizola, preparando-se para encontrar um jeito de escapar das amarras e seguir com as asneiras de sempre.

MOURÃO EM ALTA – Enquanto o presidente entra na muda, atendendo a insistentes pedidos, como se dizia antigamente, o vice emerge com toda força, sempre com declarações claras e objetivas e que atendem o interesse nacional.

Assediado diariamente pelos jornalistas, o general Hamilton Mourão fala com franqueza e trafega em outra frequência em relação aos grandes problemas nacionais. Nas duas últimas semanas, em eventos importantes, o vice-presidente encostou para o lado o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, como se fosse uma barata morta, e deu declarações importantes sobre a Amazônia e o combate à covid-19, anunciando que o general Pazuello deve se afastar da Saúde em agosto, conforme já ficou combinado com o Alto Comando.

A desenvoltura e o desempenho de Mourão estão levando Bolsonaro à loucura e nesta quinta-feira, ao transmitir a sua live no final da tarde, o presidente fez questão de tentar desmentir e desautorizar seu vice, sem mencioná-lo, é claro.

RECAÍDA EMOCIONAL – Para os chefes militares foi uma surpresa a recaída emocional de Bolsonaro. Segundo o jornalista Gerson Camarotti, do G1, integrantes da ativa e da reserva do Exército demostraram preocupação com a indicação de que o general Eduardo Pazuello deve seguir no comando do Ministério da Saúde.

Na transmissão ao vivo pela internet, Bolsonaro garantiu não somente a permanência de Pazuello, como também a do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles:

“Salles fica. Pazuello fica. Sem problema nenhum. São dois excepcionais ministros”, disse o presidente, acrescentando que o general intendente é “a pessoa certa no lugar certo”.

NOVOS CAPÍTULOS – Em tradução simultânea, a novela esquentou e novos capítulos virão por aí. Bolsonaro e o gabinete do ódio estão doidos para reagir e colocar Mourão em seu devido lugar (na opinião deles), mas o general está fora de alcance, protegido pelas casamatas do Alto Comando

O duelo entre Bolsonaro e Mourão é uma briga de extermínio. Mourão está se cacifando, escreve artigos na Folha e no Estacão, jornais odiados por Bolsonaro, garante que as Forças Armadas não aceitam ruptura institucional e segue em frente, consciente de que a conjuntura dos astros lhe é favorável. Podem perguntar ao Olavo de Carvalho, que era astrólogo, mas desistiu, depois de aderir à teoria terraplanista.

15 thoughts on “Duelo entre Bolsonaro e Mourão é uma briga de extermínio, e só um restará

  1. CN bom dia.
    Deve ser uma chatice até para o Alto Comando ter que ficar controlando um celerado como o Bolsonaro mas acredito que foi essa a melhor maneira.. O país esta paralisado e vejo que é só questão de tempo para o Alto Comando puxar o tapete do Bolsonildo.. Abs

  2. Carlos Newton tem nos demonstrado frequentemente que Mourão não está tão alinhado com o psicopata na presidência da república. Muito pelo contrário…

    E é bom que seja assim, afinal Bolsonaro já se desvelou como sendo o maior estelionatário eleitoral que este país já viu.

    Mas não é só isso. Diversos indícios de crimes do presidente, de familiares e de amigos próximos vão surgindo por todos os lados. E investigações seguem avançando.

    Mourão tem que se descolar rapidamente, caso deseje ter chances de governar este país a partir dos próximos meses, dependendo dos acontecimentos do curto e médio prazo que vão se desenrolar.

  3. Desde a redemocratização, TODOS O VICES, exceto Itamar Franco, foram melhores do que os presidentes!
    Mas precisa ter algum conhecimento para enxergar isto!
    Mesmo Temer, comparado com Dilma, foi melhor sendo muito ruim.
    E isto é culpa do sistema – que não será renovado se não houver muita pressão, mas também do eleitor idiota, canalha, corrupto e venal.
    Ou responsabiliza-se o eleitor de araque ou precisaremos separar o joio do trigo!
    Fallavena

  4. ““Salles fica. Pazuello fica. Sem problema nenhum. São dois excepcionais ministros”, disse o presidente, acrescentando que o general intendente é “a pessoa certa no lugar certo”.”

    Essa avaliação medíocre do capetão corona é uma demonstração cristalina do seu caráter: só ele pode “brilhar” no seu (des) governo. Se algum ministro ousar apresentar um único lúmen, que seja, acima da “luminosidade” do capetão semi-analfa será considerado inimigo figadal da pátria que o pariu, e será submetido a uma fritura no fogo do inferno, até pedir pra sair.
    Os inertes, indolentes são os mais considerados pelo chefe, pois nas suas inutilidades demonstram quem manda no lupanar.

    Vade retro, improbus!

  5. A História se repete.
    Lembram de Figueiredo operando o coração lá nos EUA e Aureliano Chaves (seu Vice) dando um show de administração por aqui.
    Figueiredo, medíocre, ficou enciumado e na volta ao poder rompeu com seu Vice.

  6. Como sempre caro C.N. acertou na mosca. O vice está vendo o “renascimento” do Moro. Dado como morto até dias atrás o ex-juiz e ex-ministro dá sinais inequívocos de que entrou na briga, então se o ex-ministro pode porque não o vice-presidente? Como até a gripezinha do boçal pegou prova que não é inatingível, invencível e a cada dia se mostra mais fraco. Daqui até 2022 veremos o vice cada vez mais distante do titular.

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