Dunga colocou de forma rudimentar sua visão de sexo

Pedro do Coutto

Ao responder ao treinador da Argentina, Maradona, o técnico da Seleção brasileira, Dunga, colocou a importante questão da prática de sexo de forma genérica e sobretudo rudimentar. Aliás este é seu estilo, buscando sempre simplificar e sintetizar suas opiniões sobre diversos temas, entre eles a tática do futebol. Não foi feliz na declaração. Dizer que nem todos gostam de sexo, de vinho e de sorvete é reunir várias coisas numa só e reduzir o peso da sexualidade na vida humana.

Maradona havia falado em sexo, vinho e sorvete com prova de um comportamento liberal que decidiu adotar para a concentração  argentina e também para a movimentação dos jogadores fora dela. Não se pode – francamente – minimizar a presença do sexo na existência humana, especialmente na juventude impulsionada sempre por vários e fortes apelos sensuais e eróticos. Durante muito tempo discutiu-se a sombra do sexo na vida dos atletas pouco antes das competições. Dava margem a controvérsias. O consumo de bebidas alcoólicas, entretanto, nunca foi objeto de dúvidas. Ele prejudica enormemente o desempenho dos competidores.

O álcool geralmente conduz a uma certa sonolência, um torpor, um relaxamento e à moleza. Incompatível –absolutamente incompatível com a prática do esporte. O sexo não. É saudável se não acompanhado de bebida, estimulante, reparador. Uma satisfação física e psicológica que não entorpece nem reduz os reflexos.

Há várias formas de sexo. Refiro-me é claro, às normais vinculadas aos níveis de saúde. Mas eu dizia que antigamente registravam-se controvérsias. O marco da aceitação do sexo nos dias mais próximos das competições foi estabelecido em 1957, quando o lutador sueco Ingemar Johnson, o raio de Gutemburgo, conquistou o título de campeão mundial de boxe, derrotando o americano Floyd Paterson. Ingemar foi o último campeão, na categoria, branco do boxe. É verdade que seu reinado durou pouco. Apenas seis meses, pois na revanche foi derrotado pelo mesmo Floyd Paterson.

Mas seu treinamento no primeiro confronto foi objeto de muitas reportagens e análises. Seu treinador não proibia sexo, desde que não acompanhado de álcool. Revigorante, estimulador, uma vez não praticado em excesso, até dois dias antes da luta. Isso para não influir na concentração e na redução da agressividade necessária à luta. A partir daí, o sexo passou a fazer parte da preparação dos jogadores de futebol, basquete, vôlei, natação. Isso não quer dizer liberação geral e sim liberação racional. Tudo perfeito.

Na África do Sul, no entanto – lembra minha mulher – que a prática do sexo pelos que integram a Seleção de Ouro, com mulheres desse país que eles não conheçam, devem exigir atenção especial. Já que na cidade de Johanesburgo o índice de contaminação de HIV passa de 20% da população, um dos mais altos do mundo. Há cidades africanas qm que a taxa chega a 23%. E há jogos programados para todas elas.

Para se ter uma ideia do que representa a escala de 20%, basta dizer que no Brasil a infecção é da ordem de 0,6% da população. Ou seja, praticamente um caso para cada 200 habitantes. Em Johanesburgo, são dois infectados para 10 habitantes. Quarenta vezes mais que em nosso país. Uma diferença enorme. Minha mulher tem razão. Dunga e Maradona, não. O primeiro por tratar de assunto tão importante de forma primária. O segundo por levar o tema a um patamar quase do deboche. Erraram.

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