Dunga convocou muitos reservas, a seleção “efetiva” ficou capenga. A Era Dunga de 1994 não se repetirá, decepção e frustração, agora e depois

Diante de tanta polêmica, discussão e dúvidas, o treinador não se afastou de si mesmo, não fez qualquer alteração no que chama de convicção e que poderia ser identificado como concessão. Mas não precisava exagerar na CONVICÇÃO nem ficar tão distante da CONCESSÃO.

Como disse muitas vezes, “convocarei quem estiver melhor no momento”, Dunga frustrou a opinião pública nacional e contrariou a si mesmo. Tirando 1990, 1994 e 2006 (as mais recentes), é sem dúvida a menos representativa de todas as seleções brasileiras.

Chamou jogadores de 34 anos, de 32 anos, de 31 e 30 (vários nessa faixa) apenas “porque já haviam trabalhado” como ele. Não houve uma só variação, se refugiou no “desconhecimento de jogadores que se revelaram apenas nos últimos 60 dias”. (Estava se referindo logicamente a Ganso e Neymar).

Jogadores que são naturalmente reservas, mas que convocados como titulares (embora sejam 23 e só 11 entrem em campo), tiram lugares que seriam (ou deveriam ser) ocupados por titulares obrigatórios ou reservas de luxo.

Os supérfluos da seleção (que há pouco foram anunciados) e que confundirão a cabeça de todos os brasileiros, a partir de 15 de junho (estréia do Brasil) provocarão a maior preocupação.

Eis alguns que poderiam ficar nos seus clubes, sem que se ouvisse o menor protesto. Doni, Michel Bastos, Gilberto Silva, Felipe Melo, Josué, Ramires, Elano, Kleberson.

Podia citar outros cuja convocação foi deletéria, que palavra, mas é um revide do treinador às críticas que vem recebendo. Dunga tentou explicar os “critérios” que seguiu na convocação, mas foi apenas uma explicação claudicante para um grupo aleijado, capenga, que representa um futebol inteiramente ultrapassado no mundo e principalmente no Brasil.

Lógico, é hábito, só o treinador escolhe, opina, seleciona. De uma certa forma, Dunga tentou ser o Felipão de 2002. A seleção campeã era tão frágil e tão fraca quanto esta. Mas pode ser dito que o treinador se lançou para a fama e para a glória, com um grupo que escolheu deliberadamente.  Pois junto com esse grupo não empolgante, fazia sobressair o que chamou de “família”, e projetou-o para todo o sempre.

Dunga tem a mesma seleção medíocre, mas nem de longe conseguiu formar uma “família” no estilo Felipão.

O Brasil começou a perder a Copa hoje, um mês antes dela começar. Se ganhar, estará repetindo 1994, a pior seleção de todos os tempos. Quando começou a Era Dunga, (gozadoramente) dentro de campo.

A Era Dunga (de fora) só conquistará o título, por acidente de percurso. Não é totalmente impossível, mas é rigorosamente improvável.

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PS – Não citei ninguém esquecido, não coloquei o nome de jogadores pedidos quase como unanimidade. Na hora de alguns desses “reservas” garantidos hoje, se machucarem ou se confirmarem como não utilizáveis, quem vai explicar ao cidadão brasileiro?

PS2 – Muita gente me diz, enquanto escrevo, com a televisão desligada, (vi o anúncio dos 23 e desliguei): “Helio, ainda existe a esperança da lista dos 7, que pode trazer modificações”.

PS3 – Isso não existe, é apenas paliativo. Os 23 de Dunga não são “descartáveis”, nem “substituíveis”. Isso, como diziam ou perguntavam antes: “E se Kaká se machucar?” Aí já será tarde, com duas agravantes.

PS4 – Kaká já está contundido há meses, mal consegue dormir. E por isso, “ou sem isso”, está longe do “seu melhor momento”.

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