Dúvidas tucanas

Carlos Chagas

Algum objetivo teve José Serra, no começo da semana, quando pediu a seus comandantes de campanha que selecionassem os currículos dos possíveis candidatos à vice-presidência da República. As indicações eram de que na convenção do PSDB, amanhã, em Salvador, não seria anunciado seu companheiro de chapa, mas há quem aposte numa surpresa. Caso contrário, não vai demorar muito.

O nome ideal seria de Aécio Neves, mas o ex-governador mineiro fincou pé e não aceita mesmo a honraria. Argumenta a necessidade de candidatar-se ao Senado, ficando em Minas  e dando  o melhor de suas forças para eleger Antonio Anastásia para o palácio da Liberdade.  O que não significa estar desligado da campanha de José Serra.

A hipótese da chapa-pura, pois Aécio é do PSDB,  vinha sendo absorvida pelos partidos aliados, todos reconhecendo a força da dupla que reuniria os dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas. Com a desistência de Aécio, porém, o DEM reivindica a indicação, ainda que no PSDB existam opções. Até o PPS participa dos entendimentos, para não falar no PP, solto no espaço mas admitindo participar.

Até ontem os nomes em exame eram:

Do PSDB, Sérgio Guerra, presidente do partido e sem condições de disputar a reeleição para o Senado, por Pernambuco; Álvaro Dias, senador pelo Paraná, ultrapassado por Beto Richa como candidato ao governo do estado; e Tasso Jereissati, senador pelo Ceará, supostamente candidato a novo mandato na Câmara Alta e não propriamente alguém ligado a José Serra.

Do DEM, o deputado José Carlos Aleluia, baiano e com destaque na tropa oposicionista; e José Agripino, senador pelo Rio Grande do Norte, líder da bancada.

Do PP, o presidente do partido, senador Francisco Dornelles, equilibrando-se num fio de navalha, dada o racha na legenda, que apóia o governo Lula mas divide-se entre apoiar Dilma Rousseff ou José Serra.

Do PPS, o ex-presidente Itamar Franco,  lembrado por Aécio Neves mas candidato ao Senado por Minas, sem maior intenção de voltar ao cargo para o qual foi eleito junto com Fernando Collor.

Outros nomes existem, mas menos cotados, como os das senadoras Kátia Abreu, do DEM,  e Marisa Serrano, do PSDB.

A equação não fechou, pelo menos até ontem, havendo quem suponha surpresas, ou seja, outras indicações não referidas acima. O importante para os tucanos, é fechar logo a conta e apresentar o candidato, valendo repetir,  no entanto, não estar o anúncio programado para a convenção de amanhã, na capital baiana. Mas como política costuma ser uma caixinha de surpresas, quem sabe?

Prevalência da Copa

A partir de hoje inverte-se o pêndulo das atenções populares. Perde a sucessão presidencial para a copa do mundo de futebol. Os candidatos deverão arrefecer um pouco suas campanhas.  Prova disso é a viagem que Dilma Rousseff fará à Europa, provavelmente depois do dia 15, para não perder a estréia do selecionado brasileiro,  que assistirá de Brasília,  pela televisão.  Está planejada sua visita à França, Espanha e Portugal, para contactos com autoridades desses países.

Comparações

É sempre bom levantar a cabeça e olhar em volta. Uma coisa são as campanhas, outra bem diferente os governos.  Tome-se Barack Obama, nos Estados Unidos. Elegeu-se prometendo mudanças radicais, tanto no plano social quanto na política externa. Mandaria voltar os soldados americanos instalados no Iraque e estenderia a toda a população os benefícios da saúde pública.  Senão quebrou a cara, foi quase isso, pois para aprovar o atendimento aos pobres e abandonados  nos hospitais e postos  de saúde,  precisou ceder à pressão dos controladores dos planos privados e dos conservadores. Conseguiu o possível,  não o ideal. No caso dos militares, pior ainda: não retirou a tropa do Iraque, pelo contrário, aumentou os contingentes, além de haver enviado montes de “marines” para o Afeganistão e adjacências.

Deveriam os nossos candidatos à presidência da República prestar atenção e abster-se de promessas inviáveis. Justiça se faça, nem Serra, nem Dilma, nem Marina  excederam-se até hoje na visão do Nirvana futuro. Importa, porém, aguardar a divulgação dos planos de governo de cada um deles.

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