E agora, eleitor? Escolha os melhores e vote.

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Charge do Glauco (Arquivo Google)

Percival Puggina

A campanha de 2014 foi das mais disputadas e requintadas que tive oportunidade de assistir. Há tempos essas contendas vinham avançando em magnitude, tornando-se mais e mais caras e sofisticadas. Um número significativo surpreendia pela densidade. Peças publicitárias de alguns candidatos a deputado, suas viaturas e cabos eleitorais cobriam e operavam em todo o Estado. Incalculável dinheirama irrigava verdadeiras máquinas de fazer votos. Passado o pleito, ficamos sabendo, pelas investigações da Lava Jato, que, em certos casos (logo saberemos quais), o dinheiro não era dos próprios disputantes nem provinha de legítimas doações privadas. Era nosso mesmo, era dos pagadores de impostos. Milhões desviados dos serviços públicos, das obras públicas e das empresas estatais haviam sido canalizados para custear eleições e compor bem apadrinhadas e numerosas bancadas.

Nossa democracia foi acometida por essa enfermidade. Se alguém anda por aí com lupa, bancando Sherlock a procura de um golpe, pode começar por este que aponto: o golpe proporcionado pela gigantesca ilicitude eleitoral que, penosamente, foi se descortinando ante nossos olhos. Ao longo de sucessivos pleitos, ele drenou recursos ilícitos para eleger candidatos e bancadas que por outros meios não seriam vitoriosos.

Quantos acumularam mandatos que não mereciam e deformaram a representação política da sociedade? Nada melhor do que a campanha agora finda para mostrar a diferença.

SEM DINHEIRO FÁCIL – Pode-se atravessar Porto Alegre, por exemplo, em várias direções, sem saber que centenas de candidatos somam trocados e tentam comunicar aos eleitores sua presença na disputa. Quando some o dinheiro fácil, a vida fica difícil.

Passamos, porém, de um extremo a outro. A regra hoje vigente concede enorme privilégio a quem já tem mandato e busca uma reeleição para a qual, bem ou mal, trabalhou ao longo de quatro anos. Quem entrou na disputa como aspirante novato dispôs de dois meses para cochichar sua campanha nas redes sociais.

Ainda assim, pensando nas assimetrias a que estávamos habituados, considero preferível uma refrega em que o dinheiro é curto para todos.

VOTO DISTRITAL – Competição política de baixo custo, útil e efetiva, só teremos com a distritalização do voto. Sem ela, andaremos da casa arrombada à tranca de ferro. Com ela, teremos menos candidatos em confronto num espaço geográfico limitado onde todos fiscalizam todos.

Reflitamos mais detidamente sobre estas horas em que a democracia abre a janela. O voto é um momento de participação ao qual todos são chamados. Mas cuidado! A participação socialmente benéfica é a esclarecida, do bom cidadão. Essa condição independe de viés político ou ideológico, terrenos onde se configuram as disputas. E quem é o bom eleitor? É o que reconhece a importância da política. É o capaz de fazer renúncias em favor do bem de todos. É o que sabe ser, o parlamentar, um representante de opinião e, por isso, confia seu voto a alguém cuja vida, critérios, princípios e valores conhece e aprecia.

FUNÇÃO MAIS NOBRE – De fato, embora descurada por muitos, a função mais nobre do parlamentar é a de expressar sua convicção nas matérias que propõe ou naquelas que aprova ou rejeita durante as deliberações. E são aquelas afinidades as que de fato importam na hora de eleger um vereador, ou deputado ou senador. Se a escolha corresponder a um “impeachment” no atraso, na demagogia e na mentira, melhor ainda.

Todos os demais, a saber, a multidão dos desinteressados, dos venais, dos que só cuidam de si mesmos, dos que se deixam conduzir pelo nariz por demagogos e corruptos, dos que sujam a cidade e dos fora da lei fariam grande bem se ficassem longe dos locais de votação ou se votassem branco ou nulo. As urnas dispensam o voto em “qualquer um”, a má intenção, o desinteresse e a ignorância política colhida da omissão. Aos bons cidadãos que, por desanimados e enojados, recusam todos os candidatos, em pacote, lembro que é aos piores políticos que essa omissão favorece. A ideia de que são todos iguais é falsa. Há os melhores e há os piores. Todos sabemos isso. Escolha os melhores e faça um bem ao município. Vote.

26 thoughts on “E agora, eleitor? Escolha os melhores e vote.

  1. UTILIDADE PÚBLICA :

    Veja os candidatos que foram barrados, mas seguem na disputa com recurso:
    PARTIDO QUANTIDADE
    PMDB 213
    PSDB 146
    PSD 134
    PP 111
    PDT 105
    PTB 97
    PR 95
    PSB 93
    DEM 69
    PT 66
    PPS 62
    PSC 53
    PMN 37
    PROS 37
    PCdoB 35
    PRB 35
    SD 35
    PV 30
    PEN 29
    PRP 23
    PTC 23
    PHS 19
    PTdoB 19
    PTN 18
    PMB 17
    PRTB 13
    PSL 12
    PSDC 10
    PPL 8
    PSOL 7
    REDE 7
    Veja os candidatos que tiveram a candidatura indeferida:
    PARTIDO QUANTIDADE
    PMDB 93
    PSDB 63
    PSD 50
    PR 46
    PSB 45
    PP 44
    PDT 43
    PT 42
    DEM 35
    PTB 33
    PRB 30
    PV 29
    PPS 23
    PC do B 22
    PTN 21
    SDD 21
    PROS 20
    PEN 19
    PHS 18
    PMN 18
    PSDC 18
    PSL 18
    PSC 16
    PRTB 11
    PPL 10
    PRP 9
    PTC 9
    PMB 8
    PSOL 8
    PT do B 8
    REDE 2
    ( Fonte : Congresso em Foco ).

  2. Ja votei. NULO. Enquanto não houver reforma profunda do sistema político não participarei da FARSA. Vamos mostrar, através de BRANCOS, NULOS e ABSTENÇÕES que não concordamos com o que tá aí.

  3. Não se preocupe Sr. Puggina, meus candidatos sempre são os Melhores Melhores do Mundo, começam com 0 e terminam com 0., È uma ZERADA sem igual.
    Eu digito vários ZEROS e depois na maquininha infalível, impenetrável, infraudável, imexível, infrancesável, dá a seguinte mensagem..
    VOTO NULO, e é só CONFIRMAR.
    Pronto.
    Já escolhi os MELHORES CANDIDATOS.

  4. No dia da eleição, ainda há chapa ‘ sub judice ” ! Como votar ???

    RODRIGO NEVES RODRIGO NEVES BARRETO 43. Pendente de julgamento PV PRA SEGUIR EM FRENTE

    AXEL GRAEL 43

    Vice-prefeito
    Partido Verde – PV
    PRA SEGUIR EM FRENTE
    PV / PDT / PC do B / PTN / PRB / PT / PSL / SD / PTB / PMDB / PPS / PP / PRP / PEN / PMB / PRTB / REDE / DEM / PR
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    COMTE 43

    Vice-prefeito
    Partido Popular Socialista – PPS
    PRA SEGUIR EM FRENTE
    PV / PDT / PC do B / PTN / PRB / PT / PSL / SD / PTB / PMDB / PPS / PP / PRP / PEN / PMB / PRTB / REDE / DEM / PR
    Acessar Página

    • Os melhores são os dele… ” Pode notar, geralmente achamos as pessoas de bom senso, aquelas que pensam igualzinho a nós ” ( Millôr ).

    • É a chamada “Festa da Democracia”, com comparecimento compulsório, com urnas ditas invioláveis e 100% seguras que não são utilizadas em nenhuma nação desenvolvida do mundo …kkkkkkkk

      Le Brésil est un pays trés sérieux …..kkkkk

        • Só num país de tontos chamam de “Festa da Democracia” um evento de comparecimento obrigatório, cujo não-comparecimento pode fazer com que você perca direitos. E ainda por cima algumas pessoas tentam nos impor a escolha entre A ou B, esquecendo que é meu direito dizer que não quero nem A nem B…..

    • Quando votamos, é essencial conhecermos o nosso candidato…

      GEORGETTE VIDOR – 23456
      GEORGETTE VIDOR MELLO – VEREADOR – PSDB / PPS – RIO DE JANEIRO – RJ

  5. Pouca gente nas seções de votação aqui em Fortaleza.Acho que a abstenção vai ser grande.
    Sou democrático, e meu voto não foi nulo.
    Quem vota nulo pensa que está prestando um grande serviço a nação, mas é muito pelo contrário…

  6. Fui cumprir o meu ‘dever / obrigação ‘cívica. O local de votação fica no primeiro andar e o elevador do local está quebrado há 9 meses.
    Não havia nenhuma acessibilidade para deficientes e idosos, como também não havia urnas no térreo. O pessoal do TRE chegou a falar para uma idosa que ele ‘não estava mais em idade de votar’…. Belo direito que existe no Gran Circus Brazilis…

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