É destrutivo dizer que as eleições anteriores foram fraudadas e não exibir nenhuma prova     

Charge do Aliedo (Arquivo Google)

J. R. Guzzo
Estadão

Só no Brasil um político acusado de corrupção pesada na área da saúde, que teve a própria mulher e três irmãos presos no mesmo caso e pelo mesmo motivo, é o presidente de uma CPI para investigar corrupção na área da saúde – justamente na saúde.

Como ele ficou “contra o governo”, na delegacia de polícia em que se transformou a CPI, todo mundo faz de conta que um negócio desses é a coisa mais normal do mundo.

NÃO ACONTECE NADA – Só no Brasil, portanto, o mesmo cidadão, saído do “bas fond” do Senado Federal, pode acusar as Forças Armadas de ladroagem, sem provar quem são os ladrões, quanto roubaram ou no que, exatamente, meteram a mão – e não acontece absolutamente nada.

O presidente do Senado diz que houve “mal-entendido”. As FA dizem que o caso “está superado”. A politicada diz que os militares estão ameaçando o acusador; este, por sua vez, diz que não “tem medo” – sabendo muito bem que hoje qualquer zé-mané pode xingar a mãe de general na porta do quartel com a certeza de que ninguém vai encostar nele.

Daqui a pouco vão exigir que o ministro da Defesa peça desculpas ao senador – e ninguém vai apurar corrupção nenhuma, nas FA ou em qualquer outro lugar. É onde estamos no Brasil de hoje.

UMA NOTA DURA? – Falou-se que os militares soltaram uma nota “dura”. Bobagem. Não existe nota dura; é só um pedaço de papel, e hoje nem isso. Dura é a ação. Não houve nenhuma.

O presidente Jair Bolsonaro disse que há uma escolha simples a ser feita no ano que vem: ou o Brasil tem eleições limpas, ou não tem eleições. E agora? Está mais do que claro que o presidente acha – ou melhor, tem certeza – que o atual sistema de voto eletrônico “puro”, sem mecanismos de verificação, não é limpo.

Se o sistema for mantido, como querem os ministros do Supremo Tribunal Federal e todos os que se opõem à candidatura de Bolsonaro, não haverá eleições em 2022. Ou é isso, ou não deu para entender nada do que o presidente falou.

VAI TER GOLPE? – Falta explicar, agora, uma porção de coisas. O que precisa ser feito na prática, exatamente, para não haver eleição? O Congresso Nacional e o STF, que em tese seriam os únicos autorizados a aprovar e depois validar uma lei eliminando a disputa, não vão fazer isso – sem chance.

Quem vai, nesse caso, dar a ordem? O próprio presidente, com uma medida provisória? O advogado-geral da União? Uma junta militar, a ser formada daqui até lá? Um comitê na ONU? Para eliminar uma eleição, além disso, é preciso uma série de coisas. Haverá tropa na rua? Vão fechar Congresso, STF e o resto das “instituições” para não ficarem perturbando? Vai ter golpe? E no dia seguinte?

Está claro que o processo de votação e apuração das eleições brasileiras, que deveria ser uma questão apenas técnica, foi envenenado; transformou-se em causa de militância, contra e a favor de Bolsonaro, e o viés é de piora constante e sustentável.

NADA QUE PRESTE – Não vai sair nada que preste de um debate em que só um dos lados pode ter razão – o que nega qualquer mudança num sistema que só é adotado por dois outros países, Butão e Bangladesh, não permite auditagem dos votos e, segundo seus defensores, chegou à perfeição científica, não podendo ser aprimorado em mais nada. É destrutivo para qualquer entendimento, ao mesmo tempo, dizer que as eleições de 2014 e 2018 foram fraudadas e não mostrar nenhuma prova das acusações. Quem fraudou? Como? Foi no TSE? Em que momento da apuração?

Ou o presidente estava falando a sério, quando disse que não haverá eleições se elas não forem limpas, ou estava com conversa fiada. É ruim em qualquer caso.

 

11 thoughts on “É destrutivo dizer que as eleições anteriores foram fraudadas e não exibir nenhuma prova     

  1. Todos os golpes na América latina precisam ter o aval do Tio Sam. Sempre foi assim.
    Antigamente eram golpes militares, modernamente foram maquiados. Agora os golpes se revestem de uma aura de legalidade. Ou são de autoria do legislativo ou do judiciário.
    Mas não deixam de ser golpes e com isso o amadurecimento da democracia fica postergado.

    • Outro tipo de golpe contumaz, patrocinado pelo Império Gran-Satan, foi aquele tentado contra Fidel Castro, Hugo Chaves, Dési Bourtese, Mummar Al-Ghadaff; e acabou funcionado contra Manuel Noruega do Panamá. Qual seja: enquadrar um líder nacionalista, que resistisse a entregar sua pátria à espoliação Ianque de: Traficante Internacional. Atualmente, os EUA são proprietários vitalício do Cana de Panamá; porque ninguém vai conseguir arrancá-los de lá.
      Altamente suspeita, também, foi a endemia de cânceres surgida entre a turma do “contra”, próximo ao período que Hugo Chaves odoeceu e morreu: Lugo, Dilma, Lula, Kirchner etc. Consta que agentes da CIA, disfarçados de repórteres cinegrafistas, usavam câmeras que disparavam feixes radioativos no corpo do alvo “entrevistado”. Noutros casos, partículas radiotivas eram plantadas em assentos, onde o “selecionado” ia sentar-se, objetivando produzir câncer, na região pélvica, a exemplo do que aconteceu com Hugo Chaves.

  2. Só no Brasil um político acusado de corrupção pesada na área da saúde, que teve a própria mulher e três irmãos presos no mesmo caso e pelo mesmo motivo, é o presidente de uma CPI para investigar corrupção na área da saúde – justamente na saúde.

    Fora noves, o relator que está no mesmo lamaçal, com vários escândos de corrupção, mais de 17 processos no STF, e ainda “quer combater a corrupção no Páis…..

    Alô Cabral.

  3. Brasileiros e brasileiras, agregados e agregadas, urge pararmos de gastar velas boas com defuntos ruins. TEM MAIS JEITO NÃO, AGORA TEM QUE SER O LEÃO, porque a hora e a vez da Revolução é agora ou nunca mais. Que venha a Terceira Via de Verdade, antissistema, a Nova Política de verdade, o megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, com Democracia Direta e Meritocracia, a Revolução Pacífica do Leão, inteligente, cabeça, limpa, transparente, sem pegadinhas, sem safadezas, sem fake news, sem mentiras, sem enganações, sem segundas intenções maléficas, sem partidarismo, sem militarismo, sem golpes, sem corrupção, sem violência, que não nos representam, olho no olho, de coração para coração, todos juntos e misturados, alicerçados na paz, o amor, no perdão, na conciliação, na união e na mobilização pela mega-solução com foco no sucesso pleno do bem comum do conjunto da população, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso. https://www.youtube.com/watch?v=tjpcOvSFYYc

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