É ela, menina, num doce balanço a caminho do mar…

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Vinicius e Helô Pinheiro, a eterna garota de Ipanema

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O maestro, instrumentista, arranjador, cantor e compositor Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994) e o diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta Vinícius de Moraes (1913-1980), ambos cariocas, estavam em um bar bebendo em Ipanema. Como era de costume, viram passar um linda jovem (Helô Pinheiro) que voltava da escola. Vinicius começou a escrever a letra de “Garota de Ipanema”, e Jobim foi logo completando com outros versos, originando uma espécie de diálogo. “Garota de Ipanema” é uma das músicas mais gravadas no mundo, cuja primeira gravação ocorreu no LP Getz/Gilberto gravado por Stan Getz, João Gilberto e Antonio Carlos Jobim ao piano, em 1963, pela Verve.

GAROTA DE IPANEMA
Tom Jobim e Vinícius de Moraes

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar

Moça do corpo dourado
Do sol de lpanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar

Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha

Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

16 thoughts on “É ela, menina, num doce balanço a caminho do mar…

  1. A História de Garota de Ipanema. Textp de
    Arnaldo Agria Huss, publicado em “Recanto de Letras – Código do texto: T1287495
    A HISTÓRIA DE “GAROTA DE IPANEMA”

    Apesar de já ter sido dito formalmente, muitas pessoas não acreditam e não se conformam: “Garota de Ipanema”, não foi feita por Tom Jobim e Vinícius de Moraes no bar que tinha o nome de Veloso e que hoje se chama Garota de Ipanema, na rua que era Montenegro e depois passou a ser Vinícius de Moraes, na esquina com a Prudente de Moraes (nenhum parentesco entre os dois). Para efeito de localização, a rua Vinícius de Moraes vai até a Avenida Vieira Souto, na orla de Ipanema, no Rio de Janeiro.

    A canção foi composta em 1962, chegando a ser considerada o hino da bossa nova, mais ainda do que “Chega de Saudade”, gravada por João Gilberto em 1958, que havia provocado uma verdadeira revolução na música popular.

    “Garota de Ipanema” pode ser considerado um dos maiores standards do século XX. Já foi e continua sendo gravada por tanta gente, que não se sabe como seus royalties são administrados pelas sociedades que cuidam disso. Oficialmente teria perto de 300 gravações, mas o número real deve estar perto do dobro disso, considerando-se as versões não autorizadas que vivem sendo feitas. Frank Sinatra a gravou e, claro, você sabe quem ele é. Mas saberia dizer quem é Floyd the Barber? Não? Pois é. Floyd é um cantor de rap. Diz-se que sua gravação de “Garota de Ipanema” é legalizada. Quanto ao número de execuções da canção, segundo dados oficiais, “Garota de Ipanema” rivaliza com “Yesterday”, de Lennon & McCartney, as duas ultrapassando a casa dos 5 milhões.

    Hoje em dia os principais portais da internet contêm, cada qual, um mínimo de 600 mil entradas relativas a “The Girl from Ipanema”. Fora os sites em russo, grego, japonês, chinês, coreano, árabe e outras línguas para as quais o computador necessitaria ter os caracteres adaptados.

    “Garota de Ipanema” foi apresentada pela primeira vez em um show na Boate Bon Gourmet, em Copacabana, no Rio. Na noite de estréia, em agosto de 1962, não se sabia o que viria após Tom dedilhar algo no piano e João Gilberto cantarolar:
    “Tom, e se você fizesse agora uma canção / Que possa nos dizer / Contar o que é o amor?”
    Ao que Tom respondia:
    “Olha Joãozinho, eu não saberia / Sem Vinícius pra fazer a poesia…”
    O poeta (Vinícius) pegava o mote e dizia:
    “Para essa canção se realizar / Quem dera o João para cantar…”
    E João Gilberto, incrivelmente modesto, completava:
    “Ah, mas quem sou eu? / Eu sou mais vocês / Melhor se nós cantássemos os três…”
    E os três:
    “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…”

    Desnecessário dizer que esse foi um grande momento na vida de todos que estavam ali – um momento que perdurou por 45 dias, a ponto de se esquecer que nesse mesmo show também foram lançadas e cantadas outras músicas como, por exemplo, “Corcovado”, “Samba da minha terra”, “Insensatez”, “Samba de uma nota só”, que também vieram a ser grandes sucessos. Tudo isso foi gravado pelo advogado Jorge Karam, um apaixonado por música, e que poderia ter gerado um grande disco, mas os participantes – não se sabe o motivo – nunca permitiram que isso fosse feito. E, assim, perdeu-se um espetacular documento histórico, principalmente pelo fato de que depois daqueles sucessos de 1962, Tom e Vinícius nunca mais comporiam juntos. O motivo alegado foram as viagens e, de fato, Tom foi para Nova York e Vinícius voltou a exercer suas funções diplomáticas em Paris.
    Mas a primeira gravação oficial, em disco, de “Garota de Ipanema” foi feita por Pery Ribeiro, na Odeon, e o Tamba Trio, na Philips, no mês de janeiro de 1963. Ainda em 1963, mas no mês de maio, o próprio Tom Jobim lançou a canção nos Estados Unidos, no seu primeiro disco feito lá, chamado “The Composer of Desafinado”.

    Voltando ao nascimento de “Garota de Ipanema”, Tom e Vinícius nunca tiveram como estilo escrever músicas em mesas de bares, embora nesses mesmos bares tenham investido as melhores horas de suas vidas. A melodia foi composta de forma meticulosa por Tom, ao piano, na sua casa na Rua Barão da Torre, em Ipanema, e não tinha como destino inicial musicar a letra de Vinícius, mas, sim, uma comédia musical intitulada “BLIMP”, que Vinícius já tinha na cabeça, mas nunca pôs no papel.

    A letra foi escrita por Vinícius em Petrópolis e não nasceu se chamando “Garota de Ipanema”, e sim, “Menina que passa”, e toda a sua primeira parte era diferente. Depois, os dois se encontraram, e, finalmente, nasceu a canção por completo. O Veloso serviu apenas como referência, apesar de ostentar até hoje em suas paredes cópias da partitura da melodia e dar a ilusão de que uma mesinha de canto, hoje próxima aos sanitários, teria sido o exato local onde os dois ficaram para escrever a canção, ao ver a garota passar a caminho do mar.

    Quanto à famosa garota ela foi mesmo Heloísa Eneida Menezes Paes Pinto, depois conhecida como Helô Pinheiro. Foi no Veloso que Tom e Vinícius a viram passar inúmeras vezes, não apenas a caminho do mar de Ipanema na Vieira Souto, mas, também, a caminho do colégio, da costureira e do dentista.

    No início, Helô Pinheiro não imaginava que a canção era em sua homenagem, mas logo começou a desconfiar porque desde 1962, dois bem informados sujeitos da revista “FATOS E FOTOS” (Ronaldo Bôscoli, o repórter e Hélio Santos, o fotógrafo) viviam insistindo em fotografá-la num daqueles “duas peças” meio escandalosos para a época, mas que nos dias de hoje dariam para confeccionar inúmeros “fios-dentais”. Conseguiram a façanha, mas só depois que o pai de Helô, um general da linha-dura, certificou-se dos bons propósitos dos dois. Mas foi apenas três anos depois, em 1965, quando Helô já tinha 22 anos e estava de casamento marcado que Tom e Vinícius lhe revelaram que a canção fora dedicada a ela.

    Helô tornou-se famosa, o que criou um misto de orgulho e desconforto no general e no noivo, pois todos queriam conhecer “a coisa mais linda e mais cheia de graça”. Quiseram colocá-la como símbolo oficial da cidade pois o Rio comemorava naquele ano o seu quarto centenário. O pai general linha-dura e o noivo ciumento não deixaram. Assim como também não deixaram que participasse das filmagens do filme “Garota de Ipanema” realizado em 1967, e que foi a primeira grande produção em cores do chamado Cinema Novo.

    Pois bem, após essas proibições todas, o tempo passou, e todos decidiram tratar de outros interesses. O assunto já estava meio esquecido quando, 25 anos depois daquela tarde no Veloso, todos finalmente puderam apreciar – desta vez, por completo – os atributos da “Garota de Ipanema” original, na edição de maio de 1987 da Playboy brasileira. Apesar de que 25 anos não são 25 dias. Vai daí…

    Esta é a verdade sobre o nascimento de uma das mais lindas canções da bossa nova e, por que não dizer, da música popular de todos os tempos.

    “Garota de Ipanema” continua a encantar até hoje quem a ouve pela primeira vez.

  2. Sobre o texto Garota de Ipanema, publicado em Recato de Letras (que frequento com assiduidade)

    Enviado por Arnaldo Agria Huss em 17/11/2008
    Reeditado em 07/04/2013
    Código do texto: T1287495
    Classificação de conteúdo: seguro

    Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Texto de Arnaldo Agria Huss). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas

  3. Bom dia! Que linda foto! Ah, se o tempo voltasse! Pena que não volta pois , caso acontecesse, poderíamos reviver esse grande encontro. Bins tempos, boas pessoas, bom lugar, boa música… Tudo muito bom!!!! Helô, tâo linda!! : )

    • É Carmen,como dizia Drummond “Viver é uma Saudade Prévia “.
      Escreva mais sobre estes temas,aqui na Tribuna.Você sabe das coisas.
      Excelente Domingo e uma Ótíma semana.

  4. Uma parceria do diplomata Vinícius de Moraes com o boêmio paulista Adoniran Barbosa por correspondência mediada por Aracy de Almeida:

    Bom Dia Tristeza

    Bom dia tristeza
    Que tarde tristeza
    Você veio hoje me ver

    Já estava ficando
    Até meio triste
    De estar tanto tempo
    Longe de você

    Se chegue tristeza
    Se sente comigo
    Aqui nesta mesa de bar
    Beba do meu copo

    Me dê o seu ombro
    Que é para eu chorar
    Chorar de tristeza
    Tristeza de amar

    Voadores…

    http://mundovelhomundonovo.blogspot.com.br/2017/01/voadores.html

    … E Reutilizáveis

  5. Na wikipedia consta o seguinte sobre Beethoven, Mozart e Gershwin: compositor, pianista. Só isso. Einstein era Fisico. Só isso. No entanto, o grande Vinicius, poeta admirável, não mereceu a mesma simplicidade no seu curriculum. O culunista o acusou de diplomata, advogado, poeta, dramaturgo. Vinicius foi grande por ter sido poeta, ponto. Tom foi grande por ter sido compositor, ponto. Ele tocava piano, flauta, conhecia musica, era um grande cara, mas nada disso tem a ver com a sua grandeza artística.
    Explico a razão do meu comentário: é cafona associar títulos a valor pessoal. Tomando-me como exemplo, lamento profundamente o tempo que gastei em títulos além do profissional com o qual sobrevivi. No Brasil o cara se forma em protético, advogado, administrador, etc, e se convence de que isso é importante – é perda de tempo e de oportunidade de se tornar bom em algo.
    Desculpem-me, bom dia para todos. Vou tomar um Prozac.

  6. ‘Segundo Celso de Campos Jr., autor de uma biografia sobre Adoniran, a história que este contava para alguns amigos próximos era a de que Iracema foi um amor não correspondido. Um dia, cansado de não receber nada em troca, falou que iria matá-la; no dia seguinte teria aparecido com a letra da música e, mostrando-a a Iracema, disse: “Tá aqui ó, te matei”.’
    Danilo Freire
    Advogado que não lida bem com prazos. Estudante de Filosofia que tem déficit de atenção. Cadeirante, era ruim em matemática, calculou mal um mergulho e desde então é tetraplégico.

  7. Mais Patrimônio Brasileiro, so pra variar, e lembrar como somos:

    “Ontem um menino
    Que brincava me falou
    Hoje é a semente do amanhã

    Para não ter medo
    Que este tempo vai passar
    Não se desespere, nem pare de sonhar

    Nunca se entregue
    Nasça sempre com as manhãs
    Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar

    Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
    Nós podemos tudo, nós podemos mais
    Vamos lá fazer o que será.”

    Gonzaguinha

  8. Despejo na Favela – Adoniran Barbosa e Gonzaguinha cantado juntos música composta por Adoniran

    Despejo na Favela
    Adoniran Barbosa

    Quando o oficial de justiça chegou
    Lá na favela
    E, contra seu desejo
    Entregou pra seu narciso
    Um aviso, uma ordem de despejo

    — Assinada, seu doutor
    Assim dizia a ‘pedição’
    “Dentro de dez dias
    Quero a favela vazia
    E os barracos todos no chão”

    — É uma ordem superior
    Ô, ô, ô, ô, ô!, meu senhor!
    É uma ordem superior
    Ô, ô, ô, ô, ô!, meu senhor!
    É uma ordem superior

    — Não tem nada não, seu doutor
    Não tem nada não
    Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
    Não tem nada não, seu doutor
    Vou sair daqui
    Pra não ouvir o ronco do trator

    — Pra mim não tem ‘probrema’
    Em qualquer canto eu me arrumo
    De qualquer jeito eu me ajeito
    Depois, o que eu tenho é tão pouco
    Minha mudança é tão pequena
    Que cabe no bolso de trás

    …Mas essa gente aí, hein?
    Como é que faz?
    Mas essa gente aí, hein?
    Com’é que faz?
    Ô, ô, ô, ô, ô!, meu senhor!
    Essa gente aí
    Como é que faz?
    Ô, ô, ô, ô, ô!, meu senhor!
    Essa gente aí, hein?!
    Como é que faz?

    Composição: Adoniran Barbosa

    https://youtu.be/4jAPmGJB5Qk

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