É fundamental restabelecer a responsabilidade social do poder

Pedro do Coutto

O título reproduz uma frase essencial contida no importante artigo do professor Carlos Alberto Rabaça, publicado na edição de segunda-feira de O Globo. Ele acrescenta: sem isso será impossível reconquistar a confiança do povo. Claro, o foco da questão é o governo Dilma Rousseff, que apresenta sintomas de falta de estabilidade. Dentro do teorema proposto pelo sociólogo, ele destaca ainda: o povo, que tem direito a ser informado, quer saber se os políticos têm uma atitude sadia em relação ao mundo e a si mesmo.

No caso, os cidadãos se sentem frustrados e confusos com a corrupção no governo e a incapacidade do Executivo em atender suas reivindicações vitais. Que são muitas. Uma delas, na visão analítica de Rabaça, a desintegração dos conceitos de honestidade e moralidade política, convergindo para o declínio na qualidade de vida.

A presidente da República deve reconhecer que esses problemas existem e atacá-los de frente. Caso contrário, não teremos um governo responsável, assinalou também. Enfrentá-los frontalmente, agora digo eu, é tomar a iniciativa de dissipar a névoa que permanece entre o poder público e, por exemplo, os bandos de ladrões que durante vários anos assaltaram escandalosamente a Petrobrás abalando, além do governo, a economia nacional.

COOPTAÇÃO

Agora mesmo, também na edição de segunda-feira, mas na Folha de São Paulo, foi publicada reportagem de Graciliano Rocha, revelando bastidores da cooptação de funcionários de destaque da Petrobrás, especialmente pela Odebrecht, no sentido de projetar às alturas o sobrepreço de obras cujo valor atingia a escala de bilhões de reais, as vezes de dólares. Claro. Pois para pagar as propinas que pagavam o conjunto de empreiteiras teria que inflar fortemente os preços. Lucravam muito com isso. O pagamento da conta era remetido para o endereço da população brasileira, como os governos Lula e Dilma poderiam ignorar tal processo que se estendeu por mais de uma década?

Neste ponto se encontra a principal lacuna das duas administrações. Por tal motivo é que falta conteúdo para o encaminhamento de soluções proposta por Carlos Alberto Rabaça, cujo artigo, por isso mesmo, adquire uma importância enorme, somente igual à oportunidade do momento em que vivemos. Para ir ao encontro da opinião pública, não basta usar verbas de publicidade institucional. Em matéria de comunicação política e social não funciona. Não adianta nada. O meio nem sempre é a mensagem.

INTERESSE SOCIAL

Na verdade, o meio pode ser a mensagem quando esta se revestir de forte conteúdo de interesse social. A comunicação na verdade, posso afirmar depois de 60 anos de jornalismo, resulta da combinação entre o piloto e o carro da Fórmula Um. Ou entre o entrosamento entre o jóquei e o cavalo. Um fator não pode apresentar resultado positivo sem o outro. Na imprensa, o texto depende do tema, que impulsiona as teclas e desenvolve a emoção do redator. Sem a interação, as palavras transformam-se em pedras de gelo. Tornam-se incapazes de despertar a menor atenção do público a que se destinam. Uma perda de tempo para os governantes, mas uma fonte de lucro para os veiculadores publicitários.

Por todos esses fatores e aspectos, é que destaco com prazer as colocações de seu autor, mas teorema da verdade e do realismo político. Chega de axiomas vazios. A sociedade brasileira prefere a verdade à fantasia. Assim não fosse, a popularidade de Dilma Rousseff não teria declinado como declinou.

5 thoughts on “É fundamental restabelecer a responsabilidade social do poder

  1. Excelente artigo ! Falando em “Responsabilidade Social” perguntei aqui em Madrid se os autobuses (ônibus) eram estatais. “Claro ¬ me responderam espantados ¬ serviço para a população não pode ter lucro pessoal”. Em toda a Europa, acrescentaram…

  2. A proposta de Pedro do Couto é impossível de ser executada, a saber :”A presidente da República deve reconhecer que esses problemas existem e atacá-los de frente. Caso contrário, não teremos um governo responsável, assinalou também. Enfrentá-los frontalmente, agora digo eu, é tomar a iniciativa de dissipar a névoa que permanece entre o poder público e, por exemplo, os bandos de ladrões que durante vários anos assaltaram escandalosamente a Petrobrás abalando, além do governo, a economia nacional”. É a mesma coisa que soltar da cadeia o Marcola e pedir para ele moralizar o PCC. Todos já sabem que Dilma Roussef foi ao menos conivente com a roubalheira do mensalão, do petrolão e agora do eletrolão. Ela não precisa reconhecer que esses problemas existem, ela já sabe disso e participou da criação dos problemas, junto com seus companheiros do PT, PP e PMDB. O mesmo pode-se dizer do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva.Estes dois maus brasileiros contribuíram decisivamente para a desintegração dos conceitos de honestidade e moralidade política, convergindo para o declínio na qualidade de vida. Não faz sentido que se proponha que Dilma e Lula venham a tomar a iniciativa de dissipar a névoa que permanece entre o poder público e, por exemplo, os bandos de ladrões que durante vários anos assaltaram escandalosamente a Petrobrás abalando, além do governo, a economia nacional. Eles fazem parte deste bando de ladrões, e teriam de ir juntos para a cadeia. Dilma não pode mais é ficar na cadeira de presidente da República.

    • Produto dessa roubalheira: Hoje vao aumentar novamente a Selic.
      Nao para conter a pifia demanda , mas para conseguirem captar diante do total descredito

  3. NA VERDADE, PARA SAIRMOS DO ATOLEIRO, A REFORMA POLÍTICA QUE PRECISAMOS É INSTITUIR O PARLAMENTARISMO. SEM TERGIVERSAR ! PARA ISTO QUE NOS ESTÁ ACONTECENDO NUNCA MAIS SE REPITA.

    Por Roberto Freire

    Em menos de quatro meses de mandato, Dilma Rousseff vem agonizando politicamente diante do esfacelamento de seu governo, do esgotamento do lulopetismo e do agravamento das crises econômica e política. A perda de apoio popular da presidente da República, em meio aos escândalos de corrupção na Petrobras e às sucessivas derrotas impostas por sua própria base aliada no Congresso, fazem o país caminhar rumo a uma séria crise institucional cujas consequências são inimagináveis. A solução para sairmos de um momento tão difícil deve ser radical, mas democrática, constitucional e permanente.

    No âmbito das discussões sobre a reforma política, participei de uma audiência pública na comissão especial que trata do tema na Câmara, na última terça-feira (7), e defendi que seja enviada ao plenário da Casa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 20/1995, de autoria do então deputado Eduardo Jorge, que institui o parlamentarismo no Brasil. O texto está pronto para ser votado desde 2001 e oferece a mais importante e profunda reforma política de que o país necessita para sair fortalecido de impasses institucionais como o que vive hoje.

    As lideranças políticas que têm espírito público e compromisso com o Brasil não podem ser meras espectadoras de uma crise que paralisou um governo já imobilizado pela própria incompetência. Esse impasse dificilmente será superado em um ambiente contaminado como o atual, com os mesmos vícios, os mesmos personagens, o mesmo discurso desgastado dos últimos 12 anos, além das falsas promessas que vêm sendo amplamente rejeitadas pela população brasileira nas ruas. No regime parlamentarista, adotado com êxito por algumas das principais democracias do mundo, quanto maior a crise, mais radical é a solução.

    Se o parlamentarismo estivesse em vigor no Brasil, o governo Dilma não mais existiria. Sem maioria, acumulando derrotas no Congresso, sem credibilidade junto à sociedade e à opinião pública, enredado em inúmeras denúncias de corrupção, responsável pelo maior estelionato eleitoral da história republicana e incapaz de responder ao clamor popular que tomou as ruas de norte a sul do país, a atual gestão chegaria ao fim sem que isso traumatizasse a nação ou trouxesse qualquer risco ao processo democrático. Caso não fosse possível formar uma nova maioria parlamentar, o Congresso seria dissolvido e seriam convocadas novas eleições.

    Ao contrário do que podem argumentar os áulicos do governo lulopetista, a defesa do parlamentarismo no Brasil não é “golpismo” ou uma tentativa de enfraquecer a atual presidente – tanto que a proposta, se aprovada, entraria em vigor apenas a partir de 2018, após o fim do segundo mandato de Dilma. E mesmo que a crise atual se aprofunde a ponto de viabilizar um eventual impeachment – prerrogativa constitucional à qual já recorremos uma vez, em 1992, então com o apoio entusiasmado do PT para derrubar o governo Collor –, o próximo presidente já assumiria o mandato com a missão de preparar o país para um novo regime.

    A reforma política não deve se restringir a medidas paliativas ou remendos inócuos. Se quisermos, de fato, aproveitar este momento para fazer o país avançar, não devemos temer um debate franco, que envolva a sociedade, sobre o fim do atual modelo de “presidencialismo de cooptação” – como definiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo recente – e a instituição do regime parlamentarista. O debate está posto e é hora de colocá-lo em pauta no Congresso.

    http://www.robertofreire.org.br/site/noticias/item/2976-fala-presidente-parlamentarismo-a-reforma-pol%C3%ADtica-de-que-o-brasil-precisa#sthash.6koRSwCi.dpuf

  4. “sobre o fim do atual modelo de “presidencialismo de cooptação” – como definiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo recente…”
    Acaba de descobrir a polvora. Quem teve a oportunidade de fazer e, não fez, não merece crédito. E tem mais, zumbi não fala.
    Roberto freire, comunista trangênico.

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