É ignorância, incompetência, irresponsabilidade ou tudo isso junto?

Tadeu Borges

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD, ex-DEM) está transbordando de euforia porque, enfim, vai começar a governar, espalhando obras por todos os cantos, além de comemorar uma redução no serviço da dívida, com uma economia de R$ 50 milhões por ano.

Apenas um pequeninho detalhe deixou de ser considerado: os recursos captados para suportar tudo isso foram em dólar. Mas não é apenas por ser em dólar que a operação se torna temerária. Se estivéssemos em uma economia estável, não haveria problema algum. Mas não é isto que está acontecendo. Quem fecha uma operação online de venda de dólares no BB, o último passo é optar pelo crédito na mesma data ou por um valor um pouco maior no dia útil seguinte. Este é um sintoma mínimo de instabilidade.

Há poucos meses um saco de milho valia mais que um saco de trigo. O índice de crescimento do PIB foi vergonhoso. E no meio das datas de assinatura dos contratos com o Bank of America, em 27.12, e com o BID e, 04.01, o governo federal anunciou que o resultado da balança comercial brasileira foi o pior dos últimos dez anos. No último dia 21, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio anunciou o resultado da terceira semana de janeiro da balança comercial, e o acumulado no mês: US$ 2,701 bilhões, cifra que prenuncia o pior resultado na história. Não é preciso, portanto, dizer que a mudança no câmbio é de interesse nacional.

MUDAR O CÂMBIO

A questão de mudar o câmbio, é bem verdade, está em outra esfera, a do governo federal. Mas mudanças no câmbio não são precedidas de aviso. Só para lembrar, a última mexida no câmbio brasileiro, ocorrida nos primeiros dias do segundo mandato de FHC, aconteceu por um acordo entre o presidente reeleito e um dos diretores do Banco Central, Francisco Lopes, que foi alçado à presidência da instituição.

O mais ridículo foi que a mudança foi acertada sem o conhecimento e consentimento das duas maiores autoridades econômicas, o Ministro da Fazenda e o Presidente do Banco Central, que só tomaram conhecimento da medida em 08.01.1999, véspera da mudança pretendida, depois do fechamento do expediente bancário. Portanto, se alguém perguntasse ao ministro Malan, antes das dezesseis horas, se haveria alguma mudança no câmbio e ele negasse, estaria falando a verdade porque desconhecia a manobra que era urdida ao seu redor.

Duas realidades mostram a imperiosa necessidade de se alterar a política cambial. A primeira diz respeito à posição brasileira no ranking das maiores economias do planeta.

SEXTA ECONOMIA?

Incautos e ingênuos comemoram o fato anunciado de estarmos em sexto lugar. O que não sabem é que a economia brasileira, medida na moeda nacional, cresceu 78,57% no período 1993/2011. Já quando medida em dólar, o crescimento apontado é de absurdos 476%, ou seja, seis vezes maior.

A segunda realidade diz respeito ao salário mínimo, que quando implantado o Plano Real era de R$ 70,00 (setenta reais) equivalente a US$ 70 (setenta dólares). Hoje o salário mínimo é equivalente a US$ 333 dólares sem que tenha havido substanciais aumentos no poder de compra destes assalariados.

Se mantida a política cambial que vigorou de 1983 a 1994, que nadou de braçadas e suportou a mirabolância de inúmeros planos econômicos absurdos, quando toda inflação era transferida para o câmbio, o dólar estaria hoje em R$ 4,20.

Ao finalizar, é oportuno registrar experiências de quem brincou com o câmbio num passado não remoto. Aracruz, Banco Votorantim, Sadia e Unibanco tiveram seus patrimônios vultosamente afetados por abusarem da chamada exposição cambial.

Infelizmente, é o caso do governo de Santa Catarina, que não se sabe se por ignorância, incompetência ou irresponsabilidade colocou o estado sentado sobre uma bomba. Ela pode inclusive não explodir. Se explodir, não se sabe o tamanho do estrago, mas aí sobrará uma certeza: A conta será paga. Por toda Santa Catarina. E nesse gigantesco grupo entram as pessoas em primeiro lugar.

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