É inacreditável a volta de Antonio Palocci ao centro da política, na entourage da presidente Dilma Rousseff, que prometera só colocar no ministério pessoas de passado intocável. E Delúbio e Silvinho, ninguém lembrou?

Carlos Newton

E o passado de Palocci, envolvido em negociatas na prefeitura de Ribeirão Preto, não conta? Ele não é aquele ministro que participava de orgias numa mansão alugada pelos amigos, e que foi denunciado pelo caseiro? E que mandou quebrar o sigilo bancário do caseiro e acabou demitido do governo? Por que está sendo tão prestigiado, se o passado o condena?

A presidente Dilma está agindo como se o país não tivesse memória (quase não tem, mesmo). Mas em 19 de agosto de 2005, quando Palocci era poderoso ministro da Fazenda, o advogado Rogério Tadeu Buratti, que foi assessor dele na Prefeitura de Ribeirão Preto na primeira gestão (1992-1996), afirmou ao Ministério Público Estadual que Palocci recebia R$ 50 mil por mês da empresa de lixo Leão Leão. O dinheiro (ou parte dele) seria depois repassado  então esoureiro do PT Delúbio Soares, que até admitiu ter montado um esquema de caixa dois para financiar campanhas políticas do partido.

A acusação feita por Buratti foi divulgada pelo promotor Aroldo Costa Filho, do Gaerco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado), que ouviu o depoimento do advogado em Ribeirão Preto. A Leão Leão era acusada de fraudes em licitações públicas em 16 cidades de São Paulo e Minas Gerais, incluindo Ribeirão Preto.

Em resposta à acusação do ex-assessor, o então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, deu entrevista coletiva e Lula chegou a dizer que Palocci discursou com a “segurança de um inocente”. Entretanto, de inocente o pronunciamento do ministro não tinha nada. Com as informações que iam surgindo para desmentir Palocci, a máscara foi caindo e até ficar claro que a entrevista foi uma grande encenação para acalmar os mercados.

E não demorou muito. No dia seguinte à coletiva, já surgiam denúncias de que Palocci mentira. E a empresa Leão Leão realmente assinara oito contratos sem licitação e vencera uma concorrência pública de R$ 41 milhões durante a gestão de Palocci à frente da prefeitura de Ribeirão Preto. Foram R$ 46 milhões em contratos com a empresa apenas entre 2001 e 2002.

Essa informação provou que Palocci mentiu ao dar entrevista, e o fez com a “segurança de um inocente”. Palocci havia dito que as licitações e o contrato com a Leão Leão para os serviços de limpeza e coleta de lixo na cidade foram feitos antes dele assumir a prefeitura. Na entrevista, estrategicamente o ministrou citou apenas um contrato anterior, assinado em 1999 pelo prefeito Luiz Roberto Jábali, do PSDB, e que foi considerado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado. Palocci disse que depois disso, só houve outro contrato emergencial em sua gestão, para “coleta de galhos de árvores“.

As explicações de Palocci não convenceram ninguém e ele foi demitido. Agora, ele está sendo reciclado e relançado no Planalto como se fosse um produto novo e com prazo de validade. Mas o rótulo ainda é antigo, parece com o Matte Leão, mas na verdade é apenas o lixo Leão Leão, emporcalhando prematuramente um governo que nem começou.

E a presidente Dilma errou: em sua equipe, não há apenas “três porquinhos”. Já são pelo menos quatro e daqui a pouco poderão ser uma vara ou uma quadrilha (até esqueci qual é o coletivo de porcos). E não sei por que estão esquecendo Delúbio Soares e Silvinho Pereira, nessa corrida ministerial.  Uma injustiça, não há dúvida.

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